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Oito horas. Boa noite, Marcelo Rebelo de Sousa fala esta hora ao país. A última mensagem de Ano Novo enquanto presidente da República. Vamos ouvir.
Diz o povo. E neste início de 2026, é esse o voto de tantos por todo o mundo, desejando a paz duradoura na Ucrânia, no Médio Oriente, também no Sudão e em tantos outros conflitos do globo, respeitando os valores e princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional, e respeitando, sobretudo, a dignidade das pessoas. Um ano com mais desenvolvimento, mais justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais solidariedade. O mesmo desejo vale para nós, vale para Portugal. Ano Novo, vida nova. Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade. E sempre mais tolerância, mais concordância, mais do que instinto, intuição, sentido de coesão nacional. Com ideias, soluções e pessoas novas. É essa a natureza e a força da democracia. O povo escolhe livremente o que quer e quem quer pro futuro, com a esperança de que seja diferente e melhor do que o passado. Ideias, soluções e pessoas. Essa é também a minha esperança. Eu digo mais. Essa é, mais do que esperança, a minha certeza. Melhor futuro do que passado. Certeza por uma razão decisiva, que se chama portugueses. Esses portugueses que há quase 900 anos, nascidos ou acolhidos cá dentro e lá fora, fazem todos os dias Portugal, tal como os descreveu, agora faz 125 anos, em 1900, o grande escritor Eça de Queiroz. É dele esse retrato de cada um de nós, de todos nós, de Portugal, que ele faz a propósito de uma personagem de um romance seu. Escreve: "A franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, os fogachos e entusiasmos que acabam logo em fumo e, juntamente, muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia. A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos quase pueris. A imaginação, que leva sempre a exagerar até à mentira e, ao mesmo tempo, um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar, a esperança constante de algum milagre, no velho milagre do ourique, que sanará todas as dificuldades. A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande que dá, na rua, o braço a um mendigo. Um fundo de melancolia, apesar de tão porrador, de tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda e o encolhe, até que um dia se decide e aparece um herói, que tudo arrasa. Até aquela antiguidade de raça aqui pegada à sua velha torre." E Eça chega ao fim desta descrição e põe na boca de outra personagem a pergunta: "Sabem vocês quem me lembra Gonçalo?" E a resposta é: "Portugal". Queridos compatriotas, com qualidades e coragem excepcionais que de longe superam os defeitos. Assim somos há quase 900 anos. Assim seremos sempre. Muito boa noite. Um feliz 2026.
Uma curta mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, na qualidade de presidente da República. Esta que é a última mensagem de Ano Novo do chefe de Estado, que sublinha que este ano que começa agora vai ser um ano singular. Isto depois também de ter deixado a mensagem de que deseja para o país mais saúde, mais educação, mais justiça e ainda maior crescimento e maior tolerância. O essencial aqui do resumo da declaração de Marcelo Rebelo de Sousa ao país. E o chefe de Estado, que devolveu ainda hoje ao governo três decretos de lei que visavam várias reformas na saúde. O chefe de Estado mandou pra trás medidas como, por exemplo, a centralização dos serviços de urgência, a criação do sistema nacional de acesso à consulta e cirurgia e as novas regras da contratação de médicos tarefeiros no SNS. Na reação a esta escolha, segundo fonte oficial do Ministério da Presidência ao Observador, estes diplomas determinam transformações indispensáveis à melhoria do acesso à saúde dos portugueses. O Executivo de Luís Montenegro promete ainda que neste Ano Novo vai dialogar de forma humilde e construtiva com os demais responsáveis, atores políticos. Em outubro, depois destes diplomas serem aprovados em Conselho de Ministros, a FNAM, a Federação Nacional dos Médicos, acusou o Ministério da Saúde de nunca ter disponibilizado os textos completos das propostas aos sindicatos. Ao que o Observador apurou, o Executivo não vai desistir das reformas, apesar da decisão do presidente da República e do que se entendem como resistências às mudanças neste setor da saúde. E Portugal assinala hoje 40 anos de adesão à União Europeia. O Presidente da República classifica este marco como uma das grandes conquistas do 25 de abril. Através do site oficial da presidência, Marcelo Rebelo de Sousa afirma que o país tem percorrido o caminho da consolidação democrática, beneficiando de enormes vantagens de pertença ao bloco comunitário. Na rede social X, o primeiro-ministro Luís Montenegro defende que a adesão à Comunidade Europeia foi a escolha estratégica que modernizou o país. E já Aguiar Branco, também nas redes sociais, colocou uma foto de Mário Soares, enquanto primeiro-ministro, a assinar o tratado de adesão à CEE, assim como Marques Mendes, num vídeo partilhado, onde destaca o papel de Mário Soares na adesão de Portugal à União Europeia e elogia ainda a governação de Cavaco Silva.
"Foi uma decisão histórica e foi uma decisão com excelentes resultados para Portugal. Nós não podemos esquecer algumas pessoas que foram decisivas. À partida e em primeiro lugar, Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral. Sobretudo com Mário Soares à frente, importa ser justo e reconhecê-lo. Foram decisivos para a negociação da entrada de Portugal na Europa e na União Europeia. E depois, uma outra personalidade, Cavaco Silva, aquele que foi primeiro-ministro durante a primeira década de Portugal na Europa, aquele que modernizou, desenvolveu, reformou o país."
Marques Mendes, num vídeo publicado esta tarde nas redes sociais. Noutros temas, foi encontrado um carro submerso na costa da Nazaré, resultado de buscas por um jovem de 26 anos que desapareceu na madrugada de 31 de dezembro. Em comunicado, a Autoridade Marítima Nacional indica que encontrou uma viatura submersa na Praia do Norte. No entanto, não foi encontrado ninguém dentro deste carro afundado. A descoberta deu-se depois de terem sido identificados destroços junto ao Farol São Miguel Arqueiros. As buscas surgem na sequência do desaparecimento deste jovem de 26 anos, durante a madrugada. Foram ativados tripulantes da estação salva-vidas e elementos do comando local da Polícia Marítima da Nazaré. As autoridades suíças confirmam cerca de 40 mortos e 115 feridos na sequência do incêndio no bar, numa estância de esqui, precisamente na Suíça. É o mais recente balanço feito pelo comandante da polícia local, que revela que a maioria dos feridos apresentam queimaduras. Ainda assim, as autoridades avisam que a identificação das vítimas mortais pode demorar algum tempo. A procuradora-geral do Cantão de Valais diz que tudo aponta para uma ignição generalizada, que provocou este incêndio. Ainda assim, Beatrice Pillod garante que o caso continua e vai continuar a ser investigado. Não há suspeitos do incêndio. Por agora, o foco passa por determinar a causa do incêndio. Até o momento, não há informação de portugueses entre as vítimas. O Ministério Português dos Negócios Estrangeiros diz estar a acompanhar esta situação e a esta hora no local já decorrem várias homenagens às vítimas. É com a atualidade internacional que encerramos este noticiário. A informação está de volta às 20h30. Até já.