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Rádio Observador.
Começa agora o Jornal das 8, edição da jornalista Vanessa Cruz. Vanessa, a Proteção Civil avisa que esta vai ser a pior noite em termos de chuva.
Com o consequente risco de inundações e cheias. Um alerta deixado na última hora pelo comandante nacional da Proteção Civil, numa conferência de imprensa para fazer o ponto de situação da passagem da depressão Leonardo por Portugal. Mário Silvestre pede particular atenção aos condutores. As estradas vão estar muito perigosas.
Esta será, e está previsto pelo IPMA, que será a noite onde teremos mais precipitação. Portanto, aquilo que estamos a dizer é um reforço muito grande de todos os cuidados relativamente a estas matérias. Exortamos toda a população portuguesa a que, de uma forma muito consciente, tenha todos os cuidados e redobre os cuidados que já é normal ter numa situação destas.
O comandante nacional da Proteção Civil sublinha ainda que a situação vai continuar complicada nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo e Sorraia. Há ainda elevado risco de inundação nos rios Tâmega, Lima, Cávado, Ave, no Douro, no Lis e também no rio Sado. Mário Silvestre confirma ainda a morte de um homem junto à barreira da Amoreira, em Serpa, no Alentejo.
Estamos a registar uma vítima masculina de 60 anos e a informação que temos é que foi arrastado pela água. Não sabemos exatamente em que circunstâncias é que se deu o acidente.
É a 11ª vítima mortal do mau tempo na última semana. Ainda de acordo com a Proteção Civil, a depressão Leonardo já causou, só até às 18h, mais de 4000 ocorrências. Nesta altura, estão ativos 79 planos municipais de emergência e cinco planos distritais: Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Leiria e Lisboa.
E no Alentejo, no distrito de Beja, o lar da Santa Casa da Misericórdia de Mértola vai ser evacuado.
Tem 72 utentes, Rita. De acordo com a Agência Lusa, vão ser transportados para o novo lar de São Miguel do Pinheiro, da Câmara de Mértola. Foi inaugurado no ano passado, mas ainda não tinha entrado em funcionamento. A evacuação vai decorrer nas próximas horas, por causa da proximidade do nível da água do rio Guadiana.
E em Almada, o mau tempo já fez com que 35 pessoas tivessem de ser retiradas de casa.
Na última hora, a Rádio Observador esteve em Santo António da Caparica a relatar o deslizamento de terras da Arriba da Caparica. A presidente da autarquia, Inês de Medeiros, falou entretanto, explica que a arriba é paisagem protegida, por isso é difícil de mexer.
Nós já fizemos um estudo técnico sobre aquela arriba, mas eu volto a dizer, é paisagem protegida, portanto, aquela arriba não é consolidável. Há muito tempo que Almada está a dizer que é preciso um estudo, o governo tem que se envolver nesta questão das nossas arribas, por ser justamente paisagem protegida e, portanto, não ultrapassa as nossas capacidades. Nós já temos uma avaliação técnica de muitos pontos e justamente é tentar corrigir.
Inês de Medeiros, autarca de Almada, a pedir ajuda ao governo para resolver este problema da arriba de Santo António da Caparica. 22 utentes de um lar de idosos em Almada tiveram de ser retirados. Foram encaminhados para um lar em Setúbal. Em Lisboa, o presidente da Câmara anuncia o encerramento dos jardins municipais e apela a que amanhã as empresas apostem no teletrabalho. Carlos Moedas faz esse pedido para as empresas públicas e privadas.
E os trabalhadores das construtoras ainda não estão no terreno, nas áreas afetadas pela depressão da semana passada, apesar dos repetidos apelos dos autarcas.
Dos autarcas do centro do país. E não estão, porque a estrutura de missão criada pelo governo ainda não definiu para onde é que as construtoras devem direcionar os operacionais. O presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas assegura que os trabalhadores do setor estão apostos para ajudar a reconstruir casas e empresas. Há meio milhão de trabalhadores disponíveis. Manuel Reis Campos explica à Rádio Observador que só estão à espera de ordem para avançar.
Neste momento, nós aguardamos que esta estrutura de missão, que foi agora criada, nos diga exatamente onde devemos atuar, porque foi decidido nesta reunião que nós tivemos, operacional, que havia duas situações urgentes. Uma que era a reposição dos telhados nas habitações e a outra questão, que era a colocação de coberturas nos pavilhões industriais. Também são centenas de empresas que estão neste momento em perigo em termos de empregos, economia da região e do país.
A estrutura de missão é liderada por Paulo Fernandes, antigo autarca do Fundão, falou com as construtoras na segunda-feira. Agora, a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas ainda aguarda essa ordem para poder avançar para o terreno.
E a propósito, o presidente da República vem defender uma via rápida para a mão de obra imigrante.
Para que os imigrantes possam ajudar na reconstrução.
Provavelmente, tem que se encontrar uma solução, que eu acho que o governo vai certamente pensar, para abrir uma via, um canal de entrada de mão de obra, especialmente vocacionada para este tipo de desafio.
Imigrantes?
Imigrantes, claro. Imigrantes, etc. Se os portugueses quiserem, também. Mas não querendo ou não podendo, imigrantes.
O pedido de Marcelo Rebelo de Sousa, de visita a Soure. O presidente da República estava para ir amanhã a Alcácer do Sal, mas está a ponderar não ir já. Alcácer do Sal é, de resto, dos casos mais preocupantes na gestão de cheias. Marcelo Rebelo de Sousa decide amanhã, depois de uma conversa com o Rei de Espanha, se adia a visita que está prevista para sexta-feira a Madrid. André Ventura já vai criticar o presidente da República, diz que não há dúvidas sobre a decisão a tomar, que é não ir.
E agora são 08h08, que outras notícias estão a marcar a atualidade, Vanessa?
Ainda a propósito do mau tempo, sete escolas do Conselho da Marinha Grande vão reabrir já amanhã. O ministro da Educação esteve hoje na Marinha Grande para se certificar das condições de segurança. Pode consultar as escolas que vão reabrir no site do Observador. A UGT entregou hoje a contraproposta de revisão da lei laboral ao Ministério do Trabalho. Há linhas vermelhas, a redução da semana de trabalho de 40 para 35 horas é uma reivindicação da UGT. Também a reposição de 25 dias de férias, o aumento das compensações por despedimento para um mês, por cada ano de trabalho, estão entre essas medidas, num documento que tem mais de 30 páginas e que já foi entregue pela UGT ao governo.
E é o ponto final no Jornal das Oito, edição da jornalista Vanessa Cruz.