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Jornal das 8, edição da jornalista Diana Rosa. E Diana, uma mão cheia de nada é a crítica que tem sido feita da direita à esquerda sobre o que se sabe do PTRR.
Não saem medidas concretas da comunicação de Luís Montenegro, nem quanto vai custar o plano para reconstruir o país. Saem, isso sim, prazos. O governo quer aprovar no início de abril a versão final do PTRR, depois de ouvir os partidos Marcelo Rebelo de Sousa, António José Seguro, também autarcas, academia e sociedade civil. O horizonte de execução é até 2034.
E André Ventura quer mais um plano com efeitos imediatos.
O líder do Chega considera inaceitável a falta de propostas concretas no anúncio do Primeiro-Ministro.
Eu penso que o senhor Primeiro-Ministro ainda tem algum tempo e ainda tem alguns dias para refazer isto e para renunciar ao país, desculpem a expressão, uma coisa com nível, uma coisa com ambição, uma coisa com dignidade e uma coisa com esperança. Ontem eu usei a expressão: menos Sport TV e mais ação. Nestes momentos, é os momentos que se vê a capacidade de ação de um governo. Nestes momentos é quando se vê se um primeiro-ministro tem fibra ou não para ser primeiro-ministro.
Ventura diz também que a ausência de respostas mostra um governo incompetente, garante que vai levar propostas para a reunião da próxima quarta-feira com o Executivo.
Pela Iniciativa Liberal, a líder Mariana Leitão considera ajuizado que o governo não estime valores para já no PTRR.
Mas insiste que o país precisa de medidas concretas.
No fundo, resume-se a um plano de intenções. E quando a Iniciativa Liberal ontem disse ao senhor primeiro-ministro que o seu modelo de governação estava esgotado, era exatamente a isto que nos referíamos. Continuamos há dois anos a viver de anúncios, sem que esses anúncios tenham qualquer consequência, qualquer ação.
São as críticas de Mariana Leitão.
Na mesma linha, falou Paula Santos, líder parlamentar do PCP.
Que acusa Luís Montenegro de estar a reciclar medidas antigas.
Constitui pouco mais do que mais uma operação de propaganda a que este governo continuou a fazer, continua a fazer ao longo da sua governação. Não há uma proposta concreta, não há uma medida concreta, não há uma opção concreta, uma ação concreta.
Paula Santos, líder parlamentar do Partido Comunista.
Ainda à esquerda, o Livre na voz de Rui Tavares lembra que o governo tem várias propostas para analisar na Assembleia da República.
Diz que agora, acima de tudo, é tempo de tomar decisões.
Que é o projeto dos apoios diretos, em que se multiplicam os valores que nós temos para construção de casas ou para reconstrução, para recuperação das casas e para os outros apoios diretos às pessoas a fundo perdido, e que não pode ficar, embora tenhamos tido essa vontade de o deixar aberto à discussão, como eu disse hoje aqui no Parlamento, isto não pode ficar a marinar muito tempo.
Ainda à esquerda, Fabian Figueiredo, deputado único do Bloco, avisa o governo para negociar com a Assembleia da República com transparência e Inês de Sousa Real, do PAN, pede a Luís Montenegro uma atitude mais séria face às alterações climáticas. O Partido Socialista ainda não reagiu.
Ao contrário dos partidos, Marcelo Rebelo de Sousa elogia a estratégia do governo para o PTRR.
O Presidente da República considera prudente que o Executivo não tenha apresentado um valor concreto.
Eu penso que é prudente a posição tomada pelo governo, que é, em vez de começar pelo telhado, começar pelas bases do edifício. Começar pelo telhado tem de ser quando tem que se avançar com um orçamento global, porque senão perde-se uma oportunidade. Aqui não é o caso.
Começar pelo telhado não é uma boa regra, defende Marcelo Rebelo de Sousa. Do Conselho de Ministros, sai ainda a intenção do governo de avaliar a criação de um fundo de catástrofes e sismos, como de resto sugeriu o atual presidente.
E já voltamos a Marcelo Rebelo de Sousa, mas antes o vice-presidente da Câmara de Alcácer do Sal avisa que as medidas do governo são insuficientes para a região.
António Grilo lembra que o município foi um dos locais mais afetados pelo mau tempo. É preciso ainda mais atenção para as zonas como Alcácer.
Face àquilo que é a nossa realidade, são insuficientes ou são inadaptáveis de alguma forma. Portanto, era importante olharmos para cada caso como um caso, para cada realidade, para cada concelho como um concelho com as suas características. Nós, em termos da área geográfica, somos o segundo maior concelho do nosso país e neste momento temos uma situação de apoio em que as coisas não estão a ocorrer como seriam expectáveis.
António Grilo admite que esperava mais do PTRR, que foi anunciado hoje pelo primeiro-ministro, diz que há cada vez mais frustração nas pessoas que vivem em Alcácer do Sal.
Marcelo Rebelo de Sousa adianta que o ministro dos Negócios Estrangeiros informou há algumas semanas sobre a utilização da base das Lajes por aviões militares norte-americanos.
Reação que surge depois dos Estados Unidos enviarem mais um porta-aviões para o Irão.
O senhor ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros informou-me já há umas semanas da possibilidade de vir a existir uma utilização da base das Lajes nos termos do acordo existente entre Portugal e Estados Unidos da América. Portanto, agora não vale a pena fazer especulações sobre matéria que o senhor ministro já explicou, que é uma matéria que acompanha com proximidade. Não há aqui surpresas.
O Presidente da República em declarações aos jornalistas em Madrid, ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros.
Importante recordar que só hoje, de viva voz, é que o ministro da Defesa reagiu à passagem de aviões militares norte-americanos na base das Lajes.
Apesar da Rádio Observador ter insistido nos últimos dias com o Ministério da Defesa e com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, só hoje Nuno Melo falou, mas para empurrar esclarecimentos para o colega Paulo Rangel.
Existe um protocolo entre Portugal e os Estados Unidos da América para a utilização da base das Lajes. E a Defesa Nacional não tem que autorizar a utilização da base das Lajes, muito embora entregue à Força Aérea, porque essa utilização não tem que ver com os Estados Unidos, resulta desse protocolo. E as informações sobre essa utilização não são da responsabilidade da Defesa Nacional, são entregues à outra área de tutela.
Nuno Melo, ministro da Defesa, em declarações aos jornalistas no Porto.
Na atualidade internacional, Donald Trump diz que há alternativas à decisão do Supremo Tribunal de rejeitar a maior parte das tarifas de importação.
Em conferência de imprensa, o presidente norte-americano explica que as novas alternativas podem fazer com que os Estados Unidos apliquem taxas mais elevadas. Para já, Trump anuncia que vai aplicar uma tarifa de 10% global dentro de três dias, através de um estatuto federal legal dos Estados Unidos que permite um aumento até aos 15%. Trump diz ainda que pode, se quiser, acabar com as relações comerciais com outros países.
E fica por aqui o Jornal das Oito, edição da jornalista Diana Rosa.