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Com a Vanessa Cruz. Começamos este Jornal das 8, Vanessa, com o ministro da Administração Interna. Rejeita estar fragilizado com as críticas de Pedro Passos Coelho.
Diz até Luís Neves que está tranquilo com as acusações do antigo primeiro-ministro. Passos Coelho criticou o governo e o próprio Luís Neves por ter transitado diretamente de diretor nacional da PJ para ministro. No final da sessão da abertura do ano acadêmico do Instituto Superior de Ciências Policiais, na primeira intervenção que fez depois de ter tomado posse, Luís Neves diz que já estava à espera de críticas e revela que a equipe que agora lidera está motivada para fazer o melhor possível.
Olho para as declarações de uma forma tranquila, com grande respeito, porque escuto as pessoas. Quer dizer que eu, se sentisse que havia o mínimo de conflito de interesse relativamente a esta questão, eu próprio me notaria a sete céus.
Mas essas críticas não o fragilizam, senhor ministro? Tornam-no desconfortável nesta posição.
Não, sabe por que não me fragilizam? Porque eu e a equipe que aqui me acompanha estamos fortemente motivados em fazer tudo.
Rejeita qualquer incompatibilidade, o ministro da Administração Interna. Nos próximos dias vai dedicar-se ao dossiê dos incêndios. Já amanhã o ministro Luís Neves vai ter uma reunião com a Proteção Civil para delinear estratégias futuras.
O antigo dirigente do PSD, Luís Campos Ferreira, considera que Passos Coelho fala sem ter uma agenda pessoal.
Foi membro do governo do antigo primeiro-ministro do PSD, é amigo de Passos Coelho, é também uma das pessoas mais próximas de Luís Montenegro. Em entrevista ao Observador, Luís Campos Ferreira afasta a tentativa de um regresso de Passos Coelho à liderança do PSD.
Não implica obrigatoriamente que essas opiniões ou esses comentários façam parte de uma agenda pessoal. Julgo que não.
Sem um plano maior por trás.
Eu tenho essa convicção profunda, porque Pedro Passos Coelho, se quisesse, era presidente da República. Pedro Passos Coelho teve oportunidades de regressar ao Partido Social Democrata anteriormente, não o fez. Agora, isso não implica que ele seja surdo, cego, mudo do ponto de vista político e que não tenha as suas opiniões.
Em entrevista no programa Vicia e Suave, da Rádio Observador, Luís Campos Ferreira afastou ainda a possibilidade de um acordo de governação entre o PSD e o Chega e conta com o presidente eleito António José Seguro, com um presidente sem agendas partidárias em Belém.
Ouvido esta tarde no Parlamento, o ex-coordenador do gabinete de regulação do transporte de doentes do INEM diz que o conselho diretivo e os recursos humanos não sabiam o que fazer sobre os serviços mínimos da polêmica greve de novembro de 2024.
A greve associada a mortes por falta de socorro. Miguel Soares de Oliveira fez esta tarde na comissão de inquérito ao INEM, na Assembleia da República, um balanço sobre o inquérito que ele próprio dirigiu sobre essas mortes durante a greve dos técnicos de emergência médica. Reconhece que a sensação que fica é que o INEM não fazia a mais pequena ideia do que fazer quanto à greve, se podia pedir serviços mínimos. Sobre o papel do presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica na altura, este antigo coordenador diz que é inadmissível que Luís Meira não tivesse conhecimento dos comunicados dos sindicatos a dar conta da greve e, por essa via, negociar os serviços mínimos.
É possível, é. Tanto é que aconteceu. Se eu acho que isso é aceitável, que isso é desejável? Não, não é. Por outro lado, quando a máquina está montada, e durante muitos anos a máquina esteve montada, o presidente de um conselho diretivo não precisa de estar a par de todas as atividades. Vou correr aqui o risco de ser quase que insensível. Atividades correntes.
Miguel Soares de Oliveira, que se demitiu este mês do cargo mais recente que ocupava no INEM, diretor de formação, denuncia ainda uma falha que considera grave na gestão da greve de 2024. Diz que nem a diretora de Recursos Humanos, nem o conselho diretivo tinham conhecimento de um ofício da Secretaria de Estado da Promoção da Saúde sobre como se deve atuar perante situações de greve e esse ofício definia a necessidade de serviços mínimos.
Afinal, ainda não há luz a 100% em todos os conselhos afetados pelo mau tempo. Nas explorações dedicadas à suinicultura, há um mês que não é dado pela E-Redes qualquer previsão para o restabelecimento da energia elétrica.
A EDP revelou hoje que foi feita a reposição a 100% de toda a rede elétrica, apenas com algumas zonas muito específicas sem rede, mas a E-Redes, que faz parte do mesmo grupo, da EDP, admite que esse restabelecimento da eletricidade ainda não está totalmente concluído. Em entrevista à Rádio Observador, o secretário-geral da Federação de Suinicultores, uma das áreas mais afetadas, fala numa impossibilidade, com 48 empresas de suinicultura ainda sem rede. João Bastos diz que se vive nesta altura um cenário de imprevisibilidade, um mês depois da primeira tempestade.
A E-Redes muitas vezes comunica, até por meio de SMS. Há um mês que não temos previsão do regresso da energia elétrica, nem tão pouco um ponto de situação. Este ponto foi corrigido, e o próximo será aquele. Era apenas isto que desejávamos, porque a imprevisibilidade neste momento é muito grande.
De acordo com o secretário-geral da Federação de Suinicultores, os prejuízos das empresas que ainda são alimentadas a geradores rondam já 2, 3 mil euros. Garante ainda que o preço da carne não deve aumentar, porque há também carne europeia em Portugal, mas apela à população que consuma carne nacional.
Vamos ainda a outras notícias que estão a marcar a atualidade a esta hora.
A ministra da Saúde foi confrontada esta tarde com o aumento dos partos em ambulâncias. Dados do INEM referentes ao ano passado indicam que foram realizados 60 partos nas viaturas de emergência médica. A ministra Ana Paula Martins admite que a rotatividade de urgências pode estar a dar um contributo para esta situação. O PS desafia o governo a corrigir o que considera ser um erro quanto ao regime de layoff. Os socialistas defendem que nas empresas afetadas pelo mau tempo, os salários devem ser pagos a 100%. O governo só quer pagar dois terços. José Luís Carneiro lançou este desafio ao governo durante uma visita à BTL, a Bolsa de Turismo de Lisboa. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão diz que as negociações de hoje com os Estados Unidos foram as mais intensas e longas até agora. Do lado dos enviados da Casa Branca a Genebra, na Suíça, ficaram desapontados com as primeiras conversas com o Irão. É pelo menos o que avança o jornal norte-americano Axios, mas ainda não há nesta altura declarações oficiais por parte dos Estados Unidos. Já o mediador destas negociações, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, sai do encontro mais otimista, fala em progressos significativos. Diz que as conversas a nível técnico são retomadas na próxima semana.
Este foi o Jornal das Oito, edição com a Vanessa Cruz.