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Rádio Observador. As notícias com Miguel Viterbo Dias.
Boa noite. O Patriarca de Lisboa pede a defesa da dignidade de todas as pessoas, independentemente da origem. Na mensagem de Natal, Dom Rui Valério, Patriarca de Lisboa, avisa que nenhuma pessoa é um número e que todos têm que ter acesso a condições que permitam ter uma vida digna.
Acede-se pela fresta do presépio à consciência do valor inalienável de cada ser humano. Ninguém é um número, um produto ou um recurso descartável. Cada pessoa é única, portadora de uma dignidade que nenhuma circunstância pode apagar. Independentemente da língua que fale, da terra de onde venha ou da história que traga consigo, cada rosto merece respeito, reconhecimento e a possibilidade de construir uma vida digna para si e para a sua família.
Dom Rui Valério, que pede a defesa da paz do mundo nesta altura, que é sempre de esperança.
O Natal recorda-nos ainda que a paz é possível. Uma paz que não nasce da força, mas da transformação dos corações. Uma paz sonhada pelos profetas e desejada por todos os povos. É com esta luz que o nosso pensamento se dirige de forma especial a todos os lugares marcados pela guerra, pela violência e pelo medo.
O Patriarca de Lisboa, Rui Valério, na mensagem de Natal deste ano. Este é também o primeiro ano em que o Papa Leão XIV preside à missa do Galo. Na política nacional, André Ventura pede a suspensão da decisão do tribunal que determinou a remoção dos cartazes sobre a etnia cigana. O advogado que representa o candidato presidencial e líder do Chega apresentou um requerimento para suspender a decisão do tribunal até que o recurso seja entregue junto das instâncias superiores. O candidato invoca o direito à liberdade de expressão. No início da semana, o tribunal condenou o Chega a retirar todos os cartazes da campanha presidencial com a frase "os ciganos têm de cumprir a lei", estipulando um prazo de 24 horas para que tal aconteça, a partir do qual seria cobrada uma multa. André Ventura não retirou os cartazes, informando que iria pedir recurso da decisão. O presidente do Chega pede uma evocação dos valores cristãos na época do Natal. Ventura diz que esta é uma altura para afirmar os valores culturais que fundaram a civilização portuguesa. Numa mensagem publicada nas redes sociais, diz que hoje em dia os valores estão invertidos.
Neste Natal, gostava também que fôssemos claros e firmes em assumir os nossos valores e a nossa cultura. Natal é luz, mas são também os nossos valores cristãos, são também a base da nossa civilização, são também a base da forma como vivemos, como gostamos de nos integrar, como gostamos de ver as nossas famílias e a nossa celebração. Natal é assumir os valores cristãos de Portugal e da Europa. E eu gostava que neste Natal também fizéssemos esse caminho.
O candidato presidencial que elegeu a habitação e a segurança como dois dos temas prioritários. Luís Marques Mendes deixou um conselho aos adversários na corrida a Belém. O candidato apoiado pelo PSD esteve em Braga, onde participou na tradicional Festa do Bananeiro e foi questionado sobre quem é que gostaria de defrontar numa segunda volta, mas fugiu à resposta com um conselho.
Um presidente da República não tem que dizer tudo o que pensa, mas deve pensar em tudo o que diz. É aquilo que alguns dos meus adversários não fazem, não pensam em tudo o que dizem. E, portanto, eu, jogando com estas duas frases, devo dizer que tenho isso na minha cabeça, mas não posso transmitir em público.
Quem é que precisa de pensar mais antes de falar em concreto?
Vários dos meus adversários. Eu acho que eles deviam seguir esta máxima.
Luís Marques Mendes, em declarações aos jornalistas em Braga, no balanço do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes diz que o atual presidente é um exemplo de proximidade aos portugueses, mas adianta que se for eleito, vai abandonar a tradição da ginja no Barreiro para passar a aderir à do Bananeiro, em Braga. Ora, é no Barreiro ou foi no Barreiro que o presidente da República criticou a demora do Parlamento para eleger os conselheiros de Estado. Marcelo Rebelo de Sousa está à espera há meio ano que sejam eleitos os cinco membros do Conselho de Estado escolhidos pela Assembleia da República e era com estas figuras que o presidente queria analisar a situação na Ucrânia.
A Ucrânia é um tema fundamental na nossa vida. Não parece sensato quando se estão a tomar decisões fundamentais sobre a Ucrânia e não são discutidas em Conselho de Estado. Quer dizer, a posição da Europa em termos de apoio financeiro à Ucrânia, que compromete os Estados para o futuro, um empenhamento militar ou não português, numa hipótese de cessar-fogo no futuro. Não é muito natural que o presidente da República saia de funções sem que o Conselho de Estado, com a composição que tem, não possa apreciar essa matéria.
O lamento do presidente, que neste dia de véspera de Natal almoçou no Barreiro, cumpriu a tradição de beber uma ginjinha, apesar das limitações de saúde deste ano.
Fiz questão de vir aqui, porque é uma tradição. Foram 10 anos consecutivos e passou a ser uma tradição na minha vida. Para o ano cá estarei. Eu prometi ao presidente, cá está ele, está ótimo. No meio disto tudo, o presidente também esteve doente e depois recuperou.
Como está o seu estado de saúde, senhor presidente?
O meu estado de saúde está bom, recupero, mas sabe que quando se mexe no intestino, corta aqui, corta acolá, causa aqui, causa acolá, isso demora tempo a recuperar. Tem que ser um regime alimentar próprio. Não se pode comer tudo, não se pode beber álcool. Há sim coisas que têm que se fazer.
Não espalha a ginja?
Mas eu bebi, um bocadinho de ginjinha. Não devia ter bebido, mas bebi.
A confissão de Marcelo Rebelo de Sousa, que aproveitou também para fazer um curto balanço do mandato para apontar 2023 como um ano particularmente difícil a seguir ao da pandemia.
Acho que os piores anos foram a pandemia para todos nós. Quer dizer, o grande problema que eu tive nestes 10 anos foi dois anos de pandemia. 2023 foi diferente. Aí foi um problema de uma tempestade perfeita, porque aconteceu que no dia 7 de novembro, o primeiro-ministro deu a demissão. Portanto, abre-se um período que vai ser muito longo até às eleições. Portanto, há uma crise política e ao mesmo tempo existe um ataque muito forte, ou pelo menos não sei se é ataque, mas um ambiente muito pesado sobre o presidente da República. Em 2023, eu cheguei aqui e só se falava das gêmeas.
Já fez as pazes com o seu filho, senhor presidente?
No momento oportuno, isso acontecerá.
Marcelo Rebelo de Sousa, que acrescentou ainda que os debates presidenciais foram esclarecedores para os portugueses. Nos Estados Unidos da América foram descobertos mais de um milhão de novos documentos relacionados com Epstein, foram descobertos pelo Departamento de Justiça norte-americano e fornecidos pelo Tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque e pelo FBI. Numa publicação na rede social X, o departamento garante que pretende publicá-los ao longo das próximas semanas. A espera para a divulgação deve-se à necessidade de cobrir referências que possam identificar possíveis vítimas de Epstein e Ghislaine Maxwell, a cúmplice de longa data. O prazo para a divulgação de todo o material já expirou na passada sexta-feira. Contudo, os documentos continuaram a ser publicados, incluindo fotografias em que aparecem figuras como Bill Clinton, o príncipe André ou Michael Jackson. Os arquivos recentemente divulgados revelam que Donald Trump voou pelo menos oito vezes em jatos privados de Epstein, uma delas na companhia de uma jovem de 20 anos.