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São duas horas. As notícias com Nadine Soares. Boa noite. O Hamas nega ter rejeitado a proposta de cessar-fogo do enviado dos Estados Unidos. O porta-voz do grupo diz ter apelado à continuação do acordo de cessar-fogo com Israel e que não rejeitou as propostas de Steve Witkoff, o enviado de Donald Trump. Citado pela CNN Internacional, Abdul Latif al-Kanu diz, por isso, que as propostas ainda estão em cima da mesa. O interesse era a continuação do acordo, uma garantia deixada pelo Hamas. Em resposta às declarações de Israel, que acusa o grupo islâmico de se recusar a negociar e de ter rejeitado propostas, al-Kanu nega e diz que recebeu a proposta de forma positiva. Acrescenta ainda que o Hamas está em constante contato com os mediadores. Declarações que surgem depois de Israel ter quebrado o cessar-fogo e bombardeado a Faixa de Gaza na madrugada de segunda-feira. Mais de 400 pessoas morreram vítimas destes bombardeamentos. Israel justificou a quebra de cessar-fogo com o fato de o Hamas se recusar a negociar. O grupo islâmico já veio contradizer esta informação. E, por isso, apela aos países amigos para que pressionem os Estados Unidos a pôr fim aos ataques israelitas em Gaza. Em comunicado citado pela imprensa internacional, o grupo palestiniano pede auxílio para acabar com as agressões e com a guerra contra os civis, que considera uma guerra genocida. A Médicos Sem Fronteiras alerta para a situação desastrosa nas instalações de saúde em que está presente na Faixa de Gaza, depois do recomeço das hostilidades. A organização humanitária garante que já não está a ser possível transportar doentes de maior risco para fora do enclave. Entrevistado pela Rádio Observador, João Antunes, líder da Médicos Sem Fronteiras Portugal, explica que a situação vai conduzir a uma sobrecarga ainda maior dos hospitais, o que vai levar ao aumento do número de mortos em Gaza.
É algo que é extremamente perverso, temos que perguntar a um médico, não para fazer o melhor possível para salvar aquela vida, mas em função da situação e do contexto que tem, o que é que poderá fazer, que escolhas difíceis terá que fazer para salvar vidas. E isso obviamente que trará um impacto direto na mortalidade.
João Antunes garante que já há mais de uma semana, ainda antes do quebrar do cessar-fogo, voltaram os impedimentos da entrada de provisões essenciais em Gaza. Apela, por isso, ao retomar da trégua. Garante que só assim será possível prestar ajuda humanitária na região. A organização médica humanitária pede a Israel que termine a punição coletiva do povo palestiniano na Faixa de Gaza. Volodymyr Zelensky considera que a Rússia rejeitou o cessar-fogo ao atacar várias regiões da Ucrânia esta noite com mais de 40 drones. Um hospital na região de Sumy, junto à fronteira com a Rússia, terá sido atingida. Zelensky sublinha que são este tipo de ataques russos que destroem o setor energético, as infraestruturas e a vida normal dos ucranianos. O presidente ucraniano reitera que o fato desta noite não ser exceção mostra que a pressão sobre a Rússia tem de continuar. São declarações de Zelensky na rede social X, no dia em que Vladimir Putin e Donald Trump tiveram uma conversa telefônica em que discutiram a guerra na Ucrânia. Apesar de o presidente russo não concordar com a proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos, Putin cedeu em alguns aspectos. Ficou acordada, por exemplo, a interrupção de ataques à infraestrutura energética ucraniana nos próximos 30 dias e também a troca de 175 prisioneiros, já amanhã, com a Ucrânia. Na atualidade nacional, André Ventura admite que é provável que com o cenário de legislativas antecipadas, não avance com uma candidatura a Belém. Em entrevista esta noite à RTP, o presidente do Chega revela que ainda vai reunir com os órgãos do partido para finalizar esta decisão, mas garante que o Chega vai estar representado na corrida a Belém. No entanto, por agora, para André Ventura, o foco está nas eleições legislativas.
Não está decidido ainda, é provável que isso não aconteça, visto que este calendário não era o expectável. O que era expectável era que o governo durasse o seu tempo de mandato e todos sabem que o meu foco, a minha concentração e a minha obrigação como líder do Chega, é termos uma maioria que permita governar Portugal.
André Ventura recusa ainda qualquer acordo com o PSD e assume que tem cada vez menos fé no Partido Social Democrata.
Eu cada vez, João, como é que eu posso dizer sem dizer nada chocante? Eu cada vez tenho menos fé e cada vez tenho menos esperança de que o PSD alguma vez mude alguma coisa em relação ao que tem que mudar.
Declarações de André Ventura, que recusa ceder ao pedido do Presidente da República, que disse esperar moderação durante a campanha para as eleições legislativas antecipadas, marcadas para 18 de maio. Está aprovado o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso das gêmeas luso-brasileiras. O documento conclui que houve intervenção especial pela Casa Civil, mas sem qualquer ilegalidade. O documento sofreu várias alterações depois de chumbado o relatório preliminar entregue pela deputada do Chega, Cristina Rodrigues. Os partidos acusaram esta deputada de partidarizar a comissão e elaborar um relatório com base numa narrativa criada pelo Chega. Ora, o documento hoje aprovado rejeita o envolvimento de Marcelo Rebelo de Sousa, mas conclui que existiu uma participação especial da Casa Civil do Presidente da República. O deputado social-democrata António Rodrigues, que se absteve no ponto que demonstra uma intervenção, elogia o comportamento da Presidência da República.
Nós não queremos assinalar que tenha havido aqui uma apreciação indevida por parte do Presidente da República. Aliás, está dito também que não foi cometida qualquer ilegalidade por parte da Presidência da República nesta matéria. E, portanto, nós apenas e só queremos deixar claro que a Presidência assumiu, como assumiu noutros casos em que fazem apelos à intervenção de Belém, para intervir nestas situações que são mais difíceis, que as pessoas têm mais dúvidas ou que estão mais desesperadas. E neste caso era manifestamente uma situação de uma mãe que estava desesperada para obter o medicamento para tratamento das suas filhas. E isso só é de realçar, não é de acusar ou de encontrar aqui qualquer tipo de vergonha por parte da Presidência da República, antes pelo contrário. Assinalaríamos aqui positivamente essa mesma intervenção.
António Rodrigues, já do lado do PS, quem reagiu foi o deputado João Paulo Correia. O socialista aponta falhas ao relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.
Ficou também provado, e chegamos a essa conclusão, que o relatório da IGAS, da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde, foi incompleto, porque deixou de fora da inspeção a atuação da Casa Civil do Presidente da República e também a atuação do Hospital Dona Estefânia, onde muito se passou, principalmente os telefonemas ocorridos entre a Casa Civil do Presidente da República e a administração e a equipa clínica do Hospital Dona Estefânia.
António Rodrigues e João Paulo Correia no final da votação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso das gémeas. Foi hoje assinado um acordo entre o Governo e o setor social e solidário. As IPS foram reforçadas com o financiamento de €220 milhões para este ano. Este valor pretende dar resposta ao aumento dos encargos destas instituições, na sequência da subida do salário mínimo nacional. Depois da assinatura do acordo, o primeiro-ministro garante que numa eventual alteração do Governo, na sequência das próximas legislativas, o país vai tirar proveito e não estragar os bons resultados que tem alcançado em matéria política, económica e social.
Portugal é um país que todos temos a responsabilidade de preservar nesta condição, de tirar, no bom sentido do termo, proveito da situação e de não estragar. E eu sei que é isso que vai acontecer. Vai acontecer no plano político, vai acontecer no plano económico e vai acontecer também, seguramente, no plano social.
Nesta conferência de imprensa esteve também presente a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho. Admite que as instituições de cariz social estavam já a ficar asfixiadas e com problemas no pagamento de salários antes da assinatura do acordo. O secretário-geral do PCP considera que não haver sessão solene comemorativa do 25 de Abril não é um problema. Paulo Raimundo lembra que não seria a primeira vez que as comemorações da Revolução dos Cravos não se concretizam. Reconhece que a sessão solene não é um aspeto indiferente, mas defende que o mais importante são os movimentos populares.
Aquilo que determinará as comemorações do 25 de Abril é a forma como cada um e as pessoas se mobilizarem para as várias comemorações populares em Lisboa, no Porto, em Setúbal, na Madeira, em todo lado. É isso que determinará a grande questão, que é as comemorações populares do 25 de Abril. A sessão solene não é um aspeto indiferente. Pelo contrário, nós valorizamos e sabemos que é importante. Agora, em circunstâncias semelhantes a estas, não chegou a haver sessão solene e portanto, vamos ver o que é que sairá da conferência de líderes. Não faremos disso um problema.
Paulo Raimundo, que fala da experiência do passado, defende que deve ser esse o ponto de partida para reflexão. A decisão final vai ser tomada esta quarta-feira pela conferência de líderes, no atual contexto de crise política e em que o Parlamento estará dissolvido a partir de quinta-feira. Esta quarta-feira, cinco distritos do continente vão estar sob aviso laranja, devido à chuva forte. Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e ainda Faro vão estar sob alerta a partir das nove da noite. De acordo com o IPMA, a depressão Martinho traz também rajadas de vento superiores a 90 km/h. A fechar este jornal, depois de nove meses presos no espaço, os astronautas da NASA estão de regresso a casa. Era uma missão de apenas oito dias, mas que foi prolongada quando começaram a surgir vários problemas técnicos que impediram o regresso ao planeta Terra. A 7 de março, a NASA tinha anunciado que os astronautas iam regressar a bordo da cápsula Crew Dragon, da SpaceX, no dia 16 de março. Para isso, teria de partir da Terra a 12 de março, o que não chegou a acontecer. Também devido a problemas técnicos, os dois astronautas continuaram presos na Estação Espacial Internacional. A cápsula acabou por descolar ao final do dia 14, esta passada sexta-feira, e hoje aterrou com sucesso ao largo da costa da Flórida, por volta das 18h locais, 22h em Lisboa. A dupla de astronautas e a equipa de resgate já saiu da cápsula depois de 17 horas de viagem. É o ponto final neste noticiário. A Cíntia está de volta às 02h30 da manhã. Até já.