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Das horas.

Boa noite, são duas da manhã, hora de atualizar as notícias na Rádio Observador. Eu sou o Guilherme Pires. E o presidente da Câmara de Lisboa recusa ter cometido erros na tragédia do descarrilamento do elevador da Glória e acusa o PS de ter duas caras. É a posição de Carlos Moedas, que deu na SIC a primeira entrevista depois do acidente, que resultou na morte de 16 pessoas. O autarca assume que há responsabilidades políticas e técnicas por apurar, mas garante ter dado todas as condições à empresa de manutenção dos funiculares e, por isso, recusa falhas no processo.

Nesta tragédia, não há nenhum erro que possa ser imputado a uma decisão do presidente da Câmara. O presidente da Câmara representa o acionista desta empresa. Um acionista desta empresa não gere a empresa. Um acionista desta empresa tem uma estratégia para a mobilidade da cidade e fornece a esta empresa o quê? Recursos. O que é que forneceu? Permitiu a esta empresa aumentar o seu orçamento em 30% neste mandato. Tudo isso são os dados da responsabilidade política. Não é o presidente da Câmara que está a gerir a empresa, obviamente.

Percebo, mas em que situação é que admitiria, por exemplo, apresentar a demissão depois deste caso?

Se alguém provar que alguma ação que eu tenha tido, algo que eu tenha feito como presidente da Câmara em relação a esta empresa, levou a que esta empresa não gastasse o suficiente em manutenção, que esta empresa não fizesse aquilo que tinha que fazer, eu demito-me no dia.

Já durante esta semana, o vice-presidente da autarquia lisboeta tinha admitido que se houvesse responsabilidades políticas a apontar a alguém, seria ao próprio. Filipa Anacoreta Correia assumiu mesmo a possibilidade de sair do Executivo Municipal, um cenário afastado na noite deste domingo por Carlos Moedas.

Daqui ninguém sai.

Não vai permitir que o seu vice-presidente se demita?

Não há possibilidade disso. Ninguém se pode demitir disto. Isto é grave demais para alguém, isso é uma cobardia alguém se demitir. E, portanto, eu não vou deixar. Eu tenho um vice-presidente que deu muito, deu a sua vida por estar aqui durante quatro anos ao meu lado, que deu a sua vida e tomou as decisões certas. Nós estamos aqui para enfrentar a realidade.

Já sobre as críticas do PS, o autarca de Lisboa acusa os socialistas de estarem divididos em dois blocos distintos. Depois de Pedro Nuno Santos ter vindo a público pedir a demissão do autarca, Alexandra Leitão hoje não o fez, mas para Carlos Moedas, isto é cinismo.

Volta-me muito ver que certos partidos políticos, de uma maneira direta, e outros dissimulados, como é o caso do Partido Socialista de Lisboa.

Dissimulado, por quê?

Porque, no fundo, tem uma candidata que não vem pedir a minha demissão, mas encarrega todos os seus sicários e todos os seus apoiantes para virem por trás, como Pedro Nuno Santos, como Brilhante Dias, obviamente.

Mas Pedro Nuno Santos já não representa o Partido Socialista, senhor presidente.

Eu faço uma grande diferença entre o Partido Socialista deste líder, que é um homem centrista, e o Partido Socialista de Lisboa, que é um bloco da esquerda, aliado ao bloco de esquerda, que se radicalizou. Portanto, há dois partidos socialistas diferentes.

As declarações do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, esta noite em entrevista à SIC. E na reação a esta entrevista, o secretário-geral do PS diz que o presidente da Câmara de Lisboa está a fazer uma fuga para a frente sobre o acidente do elevador da Glória. José Luís Carneiro, em declarações à Agência Lusa, diz ainda que está surpreendido com o fato de Carlos Moedas ter optado por insultar os socialistas Alexandra Leitão, Pedro Nuno Santos e Eurico Brilhante Dias. O líder do PS reitera que o partido exige explicações, o apuramento de responsabilidades e respeito pelos outros. Já a candidata à Câmara Municipal de Lisboa pelo PS, Alexandra Leitão, defende uma auditoria externa às vistorias que são realizadas aos funiculares da cidade. Depois do acidente com o elevador da Glória, a socialista defende que agora é preciso agir de forma a restabelecer a confiança dos lisboetas e dos turistas nos transportes da cidade. Alexandra Leitão aponta para o relatório de análise ao acidente, divulgado no último sábado, destaca o cabo que cedeu no ponto de fixação entre as duas cabines, algo que não era visível a olho nu.

Ficou claro, está lá dito, que uma vistoria a olho nu não descobre aquele problema. Só uma vistoria que passasse por desmontagem, etc. Então tem que haver uma auditoria externa aos processos, aos protocolos de vistoria, porque alguma coisa está a falhar nesses protocolos de vistoria. Se esses protocolos não exigem uma vistoria de outro tipo, pelo menos com alguma frequência, então há alguma coisa que é preciso rever nesses protocolos, sempre com o intuito de restaurar a confiança.

Alexandra Leitão, este domingo, aos jornalistas em Lisboa. A candidata à Câmara de Lisboa também reagiu à entrevista de Carlos Moedas, acusa-o de fazer um ataque pessoal e de se vitimizar. Diz que a entrevista do autarca foi um ato de desculpabilização. Mudamos de tema. O Chega não vai deixar cair os incêndios da agenda política. O presidente do partido insiste no apuramento de responsabilidades e também na necessidade de aumentar as penas dos incendiários. Durante uma visita ao município da Lousã, assolado por um grande incêndio a meio do último mês, que consumiu mais de 3500 hectares na serra da Lousã, André Ventura diz que vai fazer tudo para que o país tenha os meios necessários para evitar que os incêndios deste ano não se repitam no próximo verão. Por isso, refere que é preciso não esquecer o assunto.

Passamos anos demais, atenção, quando eu digo políticos, estou nos a incluir a todos. Passamos anos demais em que deixamos passar a época dos incêndios. Esquecemos isto, mudámos para outra atenção qualquer, para outra coisa que nos preocupava. Deixámos passar nove meses ou 10 e voltámos a ter o mesmo problema. Este ano não vai ser assim. O Chega não vai deixar que isto continue da mesma forma. Nós vamos exigir responsabilidades a quem fez isto, vamos exigir responsabilidades Permitiu que isto acontecesse por negligência e garantiu, pelo menos, que o Estado tem os meios, se não consegue evitar os incêndios, de os combater prontamente.

As declarações do presidente do Chega, André Ventura, que ainda sobre este tema, garantiu novamente que vai lançar uma comissão de inquérito potestativa para exigir responsabilidades. Olhemos agora para a Festa do Avante. O secretário-geral do PCP aproveitou a ocasião para acusar o PS de dar as duas mãos ao governo. As críticas de Paulo Raimundo surgiram no tradicional comício da Festa do Avante, este domingo, na Quinta da Atalaia. O líder comunista diz que o Partido Socialista está a lutar com o Chega para ver quem colabora mais com o governo.

Temos um Partido Socialista às cotoveladas com o Chega para ver quem é o mais cúmplice do governo, para ver quem é o par favorito de um orçamento de Estado. A política de direita não se combate dando-lhe a mão, a política de direita combate-se travando-lhe o passo. E o PS, como sempre, parece disponível para dar não uma, mas as duas mãos ao governo e à sua política.

O líder do PCP, Paulo Raimundo, este domingo na Festa do Avante, num registo da RTP, onde ainda sobre o orçamento do Estado para 2026, Raimundo diz que vem um novo ataque aos serviços públicos, em especial ao Serviço Nacional de Saúde. E o primeiro-ministro realiza, a partir desta segunda-feira, uma visita oficial à China. Luís Montenegro vai encontrar-se com o presidente chinês, Xi Jinping, e vai também passar por Macau e pelo Japão, com paragens em Tóquio e na Expo Osaka. Trata-se de uma deslocação de cinco dias e acontece nove anos depois de António Costa ter visitado o território chinês. Numa antevisão a esta visita do governo português a Pequim, o especialista em assuntos chineses, Jorge Tavares Silva, fala numa boa oportunidade para Portugal reforçar laços que estão frios com este país asiático.

Nesse mesmo quadro de tensões internacionais, onde as nações e Portugal, particularmente, se sente um pouquinho dividido entre o mundo determinado pelos Estados Unidos e outro determinado pela China, parece que temos aqui dois grandes blocos liderados por estas duas grandes nações. Portugal tem que defender os seus interesses e, portanto, apesar de tudo, deve estabelecer relações importantes com a China, aproveitar e defender os seus interesses nacionais e portanto, se calhar, eu olho muito como uma oportunidade para uma reabertura de relações diplomáticas que estão frias neste momento.

O especialista em assuntos chineses, Jorge Tavares Silva, destaca ainda os contributos da visita ao Japão para a marca Portugal.

Estas feiras internacionais são montras, montras internacionais da nossa cultura, da nossa indústria, da nossa economia e, portanto, é muito importante a presença também do primeiro-ministro para poder fazer esta ligação entre o Oriente e o Ocidente, que é tão histórica, e o Japão também sabemos disso, é tão histórica, tão antiga e não deve esmorecer, pelo contrário, deve ser reavivada.

O especialista em assuntos chineses, Jorge Tavares Silva, à Rádio Observador. Além do primeiro-ministro Luís Montenegro, também os ministros Paulo Rangel, Manuel Castro Almeida e a presidente da Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa integram a comitiva nacional que visita a partir de amanhã a China. Passamos agora ao desporto. O jogador da seleção nacional de basquetebol, Neemias Queta, defende que a equipa consegue fazer melhor. Isto na reação ao resultado obtido no Campeonato da Europa. Portugal chegou pela primeira vez às oitavas de final da competição, onde acabou por cair aos pés da campeã do mundo, Alemanha. E na chegada a território português, já no final da noite de domingo, Neemias Queta, o primeiro e único português a jogar na NBA, defende que a prestação portuguesa deixa em aberto um futuro risonho e destaca a evolução do basquete nacional.

É uma questão de ver o processo criado com a gente desde há muitos anos atrás e que temos vindo a criar muito talento desde as camadas jovens e que com esse trabalho que temos vindo a fazer, há muito fruto vindo a colher. É um futuro risonho e acho que é com este tipo de competições que vamos chegar lá mais perto, competindo com as melhores equipas, jogando ao mais alto nível e a partir daí é construir. Já temos a experiência e da próxima vez podemos estar melhor.

Declarações do jogador da seleção nacional de basquetebol, Neemias Queta, na chegada ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, depois da prestação de Portugal no EuroBasquet. E no ténis, vitória para Carlos Alcaraz no Open dos Estados Unidos. No jogo decisivo, o espanhol bateu o número um do mundo, Jannik Sinner, por 3x1, com os parciais 6x2, 3x6, 6x1 e 6x4. Alcaraz foi o mais forte nesta batalha de duas horas e meia entre os dois melhores tenistas do ranking mundial. É o 23º título ATP conquistado pelo tenista e o sexto Grande Slam. Depois da conquista em 2022 perante Casper Ruud, Alcaraz volta a levar para casa mais um Open dos Estados Unidos. É o ponto final neste noticiário. A informação regressa às 02h30 da manhã com uma síntese de notícias. Até já!