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São 6 horas. As notícias com Nadine Soares. Bom dia. Começamos com a notícia que a esta hora faz manchete no site do Observador: há uma nova investigação a envolver Luís Montenegro. O Ministério Público quer saber como o primeiro-ministro pagou a construção da Casa de Espinho. É um dos visados do inquérito aberto pelo Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto. Trata-se de uma nova investigação, a terceira relacionada com o primeiro-ministro. O inquérito foi aberto por indícios de fraude fiscal e Luís Montenegro foi alvo de denúncia. Os investigadores querem saber a origem dos fundos que financiaram a construção da vivenda de Montenegro, que custou, segundo o próprio, mais de €630 mil. As alegadas discrepâncias sobre os diferentes custos da casa também foram um dos motivos que levaram à abertura deste inquérito. Como o Expresso noticiou, o empreiteiro responsável pela construção declarou nos autos desta nova investigação que a obra terá custado cerca de €215 mil. O Observador confrontou Luís Montenegro com estas informações, não tendo recebido, para já, alguma resposta. O secretário-geral do PS acredita que é possível apoiar as populações afetadas pelo mau tempo e manter a estabilidade das contas públicas. José Luís Carneiro lembra que o governo conta com o apoio da União Europeia para avançar.

A União Europeia já deu uma grande ajuda. Foi constatar que estes apoios são tomados de uma vez só. Ou seja, são apoios que não têm caráter duradouro e estrutural na despesa pública e, portanto, exceptuou, decidiu exceptuar todos estes apoios do perímetro orçamental, o que significa que é uma almofada, é uma garantia que o governo tem e, portanto, eu diria que o governo tem condições para manter a estabilidade das contas públicas, manter os objetivos em relação ao déficit orçamental e também ainda em relação à dívida pública.

O líder do PS, que acusa o executivo de Luís Montenegro de deixar territórios ao abandono, acrescenta que as linhas de créditos anunciados vão ficando a mais curtas, defende ainda a isenção do pagamento de portagens nas regiões mais afetadas. Ainda nesta entrevista, José Luís Carneiro acusa Luís Montenegro de sobranceria ao não responder às cartas com propostas para resolver vários problemas do país. Em entrevista à RTP Notícias, o secretário-geral do PS considera que há uma ala da AD que quer o governo nas mãos do Chega. Deixou o aviso: o PS não deve ser ignorado.

O primeiro-ministro não pode nem deve ignorar o Partido Socialista.

E tem-no feito, do seu ponto de vista?

Tem. O primeiro-ministro tem ignorado e tem desconsiderado o Partido Socialista. Isso é inaceitável.

Do seu ponto de vista, isso acontece por quê?

Insensibilidade, por um lado, sobranceria, por outro. E eu seria levado a interpretar que no núcleo político do governo há sensibilidades que querem que definitivamente o doutor Luís Montenegro fique nas mãos do Chega.

José Luís Carneiro, que revela ainda que vai colocar em cima da mesa o tema da regionalização já no próximo congresso do Partido Socialista. O Chega alinha com o PCP, Bloco de Esquerda e Livre para que o layoff seja pago a 100% aos trabalhadores afetados pelas tempestades. Primeiro, o executivo disse publicamente que sim, que era para pagar a 100% os ordenados dos trabalhadores abrangidos, mas o que está escrito é que o pagamento é feito a dois terços, é o que consta no diploma. André Ventura confirma, vai votar ao lado da esquerda para que o salário seja pago na íntegra.

Como disse também durante a campanha, tive a oportunidade durante os dias mais difíceis da tempestade e do impacto que teve sobre o país, de me manter em contacto com o primeiro-ministro em relação a esta matéria, para garantir que há alguma articulação que fosse exigível do ponto de vista dos dois maiores partidos ou do Parlamento. Mas neste caso, independentemente disso, falarei evidentemente sobre isso também com o primeiro-ministro, mas acho que aquilo que foi assumido é aquilo que deve ser concretizado e, portanto, nós viabilizaremos o layoff pago a 100%.

André Ventura pede ainda, tal como o PS, o prolongamento do estado de calamidade e da isenção de portagens nas autoestradas das zonas mais afetadas. São temas que vão marcar o debate quinzenal com o primeiro-ministro, marcado para este dia. Vamos transmitir aqui na Rádio Observador a partir das 15h. E mudamos ainda para outro tema. A CGTP critica o governo por ter sido excluída das negociações sobre o novo pacote laboral. Em entrevista à SIC Notícias, o secretário-geral, Tiago Oliveira, não percebe a ausência do convite por parte do executivo de Luís Montenegro para participar nas negociações. Só foi convidada a UGT e as confederações de patronato. Tiago Oliveira insiste que a central sindical foi excluída por iniciativa do governo.

Repare no posicionamento do governo no que diz respeito a estas reuniões que estão agendadas. Quem exclui a CGTP de todo este processo, quem retira a CGTP deste processo é o próprio governo. Portanto, fica aqui bem patente qual é a postura deste governo, qual é o objetivo deste governo e por onde é que ele está a caminhar. E o caminho a gente já sabe, que é o retrocesso nos direitos de quem trabalha.

Na reunião de ontem, no Ministério do Trabalho, a UGT acabou por não comparecer por falta de agenda. Os patrões também abandonaram. A próxima reunião está marcada pra segunda-feira de manhã. Mais uma vez, a CGTP não está incluída. Na saúde, a Ordem dos Médicos alerta para o desafio do paracetamol, que está a viralizar nas redes sociais. Consiste numa competição entre jovens, onde é incentivada a ingestão de várias doses deste comprimido. A Ordem dos Médicos refere que este desafio traz vários riscos e pode acabar mesmo por ser fatal. Face à gravidade do desafio, é feito o apelo direto às plataformas digitais, escolas e autoridades para que identifiquem e removam estes conteúdos. A Ordem dos Médicos pede ainda aos pais que reforcem a literacia sobre a segurança dos medicamentos junto dos mais jovens Olhemos ainda para o estado do tempo. Seis distritos do litoral Norte e Centro vão estar esta quinta-feira sob aviso amarelo por causa da agitação marítima. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou sob alerta os distritos do Porto, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga. Estão previstas ondas que podem chegar até os cinco metros de altura. O aviso mantém-se nestes seis distritos, pelo menos até às 3h da manhã de sexta-feira. A chuva ainda vai aparecer, mas prevê-se que o sol regresse no fim de semana. Tempo ainda para olhar para a atualidade internacional. A marcar a atualidade, o ataque dos Estados Unidos ao Irão pode acontecer a partir de sábado. É o que avança a CBS News, diz que Donald Trump ainda não tomou uma decisão final e que a probabilidade do ataque ao Irão acontecer a partir deste fim de semana é maior. Outra fonte, a agência Reuters, diz que o presidente norte-americano já ordenou um reforço militar no Médio Oriente. A Casa Branca está a ponderar os riscos que uma escalada pode acarretar para a região, assim como as consequências políticas, mas também militares dos ataques ao Irão. E o ministro dos Negócios Estrangeiros russo diz que um novo ataque dos Estados Unidos ao Irão teria sérias consequências. É um aviso de Sergei Lavrov, numa entrevista à televisão saudita Al Arabiya, que foi transmitida um dia depois dos negociadores dos Estados Unidos e do Irão terem mantido conversações indiretas em Genebra para evitar uma nova crise entre Washington e o Teerão. Lavrov alerta para riscos reais do incidente nuclear. Pede moderação para que seja encontrada uma solução que permita ao Irão avançar com o programa nuclear mais pacífico. E é com a atualidade internacional que encerramos este jornal da Rádio Observador. A informação está de volta na síntese das 18h30, mas para já deixe-se ficar a seguir com a conferência de imprensa e depois o jornal de desporto da Rádio Observador. Vamos à bola. Até já.