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Seis horas. As notícias com Nadine Soares. Bom dia. Começa agora o jornal das 6h. Começamos com a atualidade internacional. Donald Trump diz que os Estados Unidos vão atacar com extrema força nas próximas duas a três semanas. O presidente norte-americano diz que os trabalhos estão quase terminados, mas não anuncia o fim da guerra com o Irão. Palavras num discurso que estava marcado e que foi feito durante esta madrugada. Em quase 20 minutos, Donald Trump falou dos objetivos no Irão, que estão a ser cumpridos e a bom ritmo.

Graças aos progressos que alcançamos, posso afirmar que estamos no bom caminho para concretizar todos os objetivos militares dos Estados Unidos em breve, muito em breve. Vamos atacá-los com toda a força nas próximas duas a três semanas, vamos mandá-los de volta à Idade da Pedra, para onde eles pertencem.

O presidente norte-americano diz que já foram conseguidas grandes vitórias, por exemplo, a destruição da Marinha e a Força Aérea Iraniana, assim como instalações de produção de mísseis. Os ataques vão continuar, diz Donald Trump, serão ainda mais fortes se o Irão não fizer cedências. Os alvos serão várias infraestruturas, mas não o petróleo, apontado por Trump como o único fator para que a reconstrução do Irão seja possível. Donald Trump diz que não precisa, nem entrou nesta guerra por causa do petróleo, mas que os restantes países do mundo, sim, e por isso deixa um repto.

Tenho uma sugestão. Número um: comprem petróleo dos Estados Unidos da América. Temos em abundância, temos imenso. E número dois: ganhem alguma coragem tardia. Deviam tê-lo feito antes, deviam tê-lo feito conosco, como pedimos. Vão para o estreito e simplesmente tomem-no, protejam-no, usem-no para vocês próprios. O Irão foi essencialmente dizimado. A parte difícil já está feita, por isso deve ser fácil. E de qualquer forma, quando este conflito terminar, o estreito abrirá naturalmente. Abrirá simplesmente naturalmente. Eles vão querer poder vender petróleo, porque é tudo que têm para tentar reconstruir-se.

Para já, a prioridade é acabar os trabalhos previstos para o Irão. Duas a três semanas é o prazo dado por Donald Trump. Na análise, a especialista em Relações Internacionais, Helena Ferro Gouveia, ainda tem dúvidas sobre o cumprimento destes prazos fixados por Donald Trump. Ainda assim, destaca o esforço do presidente norte-americano para travar o programa nuclear ambicioso do Irão.

Entrámos numa nova era, onde a questão da projeção de força e a capacidade de usar a força. Nós não gostamos disso, porque ninguém gosta de conflitos, mas esta é a realidade onde nós estamos e Donald Trump compreendeu como ninguém. Portanto, ele fez ou teve a coragem de fazer aquilo que nenhum outro fez, tentando daqui debelar uma ameaça. Se isto vai funcionar ou não, teremos que ver mais à frente. Mas pelo menos há aqui uma tentativa de resolver um problema que não diz só respeito à região e que não diz só respeito ao principal aliado dos Estados Unidos neste conflito, que é Israel.

Helena Ferro Gouveia destaca a boa opção de Trump ao dirigir-se aos norte-americanos, que até agora ainda estavam pouco a par dos progressos do conflito. O discurso incidiu na totalidade sobre o Irão. A NATO ficou de fora das palavras de Trump, que já avançou que está a ponderar uma saída da Aliança Atlântica. A especialista em Relações Internacionais, Helena Ferro Gouveia, acha que é pouco provável que venha a acontecer uma análise logo após o discurso de Donald Trump, feito esta madrugada. O Reino Unido organizou hoje uma reunião com outros líderes internacionais para avaliar todas as medidas diplomáticas e políticas para reabrir o Estreito de Hormuz. O encontro virtual, presidido pela ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, conta com a participação de pelo menos 35 países. O primeiro-ministro britânico lembra que mais de três dezenas de países, entre os quais Portugal, subscreveram uma declaração a pedir uma moratória nos ataques a infraestruturas civis e energéticas. Keir Starmer, citado pelos media do Reino Unido, explica que, pela primeira vez, estes países vão discutir várias medidas para mitigar os efeitos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão. Noutro tema, mas ainda nos Estados Unidos, já estão no espaço os tripulantes da missão Artemis 2. Foi lançada a nave espacial Orion, mais de 50 anos depois da última ida à Lua. Quatro astronautas vão entrar em órbita nos próximos 10 dias, numa operação histórica de preparação para que o homem volte-se a alunar desta feita em 2028. Eram 11h35 quando arrancou a nave espacial da NASA, do Kennedy Center, na Flórida. Vamos ouvir esse momento. Vai descolar.

Vai descolar.

Vamos ouvir.

Vamos ouvir então. Ora bem, vamos lá ver se tudo corre bem. Já estão os motores ligados, exatamente. Ele tem seis motores, tem quatro no andar principal e mais um motor em cada um dos propulsores auxiliares. Ok, ligou agora, cá estão eles a funcionar. Portanto, quatro mais dois.

Acaba de ser lançada esta nave.

Exatamente. O SLS acaba de ser lançado, cá está. É de facto um lançamento espetacular. Portanto, cá vai ele. E agora, o que é que vai acontecer? Ora bem.

Vamos descrever o que temos na imagem. Vemos aqui uma chama gigante a tocar o céu dos Estados Unidos. Um momento acompanhado pela Rádio Observador. Esta nave leva o comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover, com acesso aos painéis de controle, que vão comandar este aparelho. Na fila de trás, a partilhar um computador, estão Christina Koch e Jeremy Hansen, os especialistas de missão. Mais de 50 anos depois, o homem volta à órbita da Lua. Desta vez a nave não vai a lunar, mas vão ser testadas as possibilidades para que isso aconteça em 2028. Por cá, na atualidade nacional, celebram-se hoje 50 anos da aprovação da Constituição da Assembleia da República. Até agora, o texto da lei fundamental foi alterado sete vezes. Entrou em vigor no dia 25 de abril de 1976, mas foi no dia 2 do mesmo mês que foi aprovada apenas com os votos contra do CDS. O texto original tinha um forte pendor socializante, mas as primeiras revisões vieram adaptar Portugal aos princípios da economia de mercado. Vasco Maldonado Correia.

Em meio século, sete alterações. A primeira revisão, em 1982, veio reduzir a carga ideológica da Constituição e deu mais espaço à iniciativa privada na economia. Ficava extinto o Conselho de Revolução, que dava lugar a dois novos órgãos, o Tribunal Constitucional e o Conselho de Estado. A segunda revisão chegou em 89. Foram eliminadas referências diretas à reforma agrária e as nacionalizações deixaram de ser irreversíveis. Foi também neste ano que se abriu a possibilidade de referendos e ficou consagrado o direito ao acesso tendencialmente gratuito ao Serviço Nacional de Saúde. Em 92 e 96, as revisões que se seguiram vieram adaptar o texto da Constituição aos tratados da União Europeia, Maastricht e Amsterdão. Consagraram também a possibilidade da criação de círculos uninominais, o direito da iniciativa legislativa aos cidadãos e o reforço dos poderes legislativos exclusivos da Assembleia da República. Com a viragem do século, vieram três novas alterações. Em 2001, a Constituição foi revista para permitir a ratificação por Portugal da convenção que criou o Tribunal Penal Internacional e, três anos depois, a sexta revisão veio aprofundar a autonomia da Madeira e dos Açores, onde o cargo de Ministro da República foi substituído pelo Representante da República. Foi ainda alargada a limitação de mandatos nos cargos políticos e eletivos e reforçado o princípio da não discriminação, que passou a prever também a discriminação em função da orientação sexual. A última revisão constitucional foi aprovada em 2005 e passou a permitir a realização de um referendo sobre a aprovação de um futuro tratado que vise a construção e o aprofundamento da União Europeia.

Vasco Maldonado Correia, com o resumo das principais alterações trazidas nas sete revisões da Constituição. O Parlamento ainda começou duas vezes este processo para uma oitava alteração ao texto constitucional, em 2010 e em 2023. Em ambos os casos, os trabalhos acabaram por ser interrompidos depois da dissolução da Assembleia da República. A Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica acolheu em 2025 mais de 1300 pessoas, a grande maioria mulheres. A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género admitia que o número é baixo face à realidade deste crime em Portugal. Os dados são avançados à Rádio Observador pela presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Isto na semana em que o Relatório Anual de Segurança Interna, o RASI, mostra que no ano passado as autoridades registaram quase 3000 participações por violência doméstica. Em entrevista à Rádio Observador, Carina Quaresma, presidente da CIG, explica que todas as casas de abrigo da Rede Nacional de Apoio às Vítimas serviram para acolher pessoas vítimas deste crime.

Os dados mais recentes, o que nos indicam é que, por exemplo, em 2025, houve um total de 1349 vítimas acolhidas na rede nacional. Ao longo do ano, não foram todas, obviamente, ao mesmo tempo. Estamos a falar de uma rede ao nível de acolhimentos que tem cerca de 749 vagas, em termos de casas de abrigo, e, portanto, não são todas ao mesmo tempo estes acolhimentos, mas ao longo de todo o ano foram efetivamente estes os números.

A presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género reconhece que o número de vítimas acolhidas é baixo face à realidade do crime e que é preciso fazer mais. Ainda sobre este tema, o PAN vai voltar a levar à Assembleia da República a proposta para autonomizar o crime de feminicídio no Código Penal português. Já tinha tentado em fevereiro deste ano, o projeto de lei foi rejeitado no Parlamento, com votos contra do PSD, PS, Iniciativa Liberal e CDS-PP e abstenção do CHEGA, PCP e Bloco de Esquerda. Inês de Sousa Real, porta-voz do PAN, avança à Rádio Observador que vai voltar a levar esta proposta à Assembleia da República. Inês de Sousa Real, que considera que esta deve ser uma prioridade para todo o país. A violência doméstica é o tema do "Onde Para o Caso" de hoje. É para ouvir a entrevista na Rádio Observador depois do jornal das 17h. E o prazo de entrega das propostas para a privatização da TAP termina esta quinta-feira. Existiu uma manifestação de interesse de três grupos de aviação, a Lufthansa, o grupo da Ibéria e British Airways e a Air France-KLM. A Lufthansa confirma que vai entregar uma proposta não vinculativa, defende que é o parceiro com maior capacidade para desenvolver a companhia aérea portuguesa, sem avançar detalhes. Este posicionamento surge numa altura em que continuam também as dúvidas sobre o interesse dos outros potenciais compradores. É a notícia de fecho na Rádio Observador. Deixe-se ficar, porque já a seguir temos a conferência de imprensa com o jornalista João Gama.