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As notícias das 19h na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Começamos com a entrevista de António Costa ao Observador. O novo presidente do Conselho Europeu alerta que uma cedência total à Rússia é abrir um precedente que pode conduzir o mundo ao caos.

É a reação de António Costa à recente posição de Volodymyr Zelensky. O presidente da Ucrânia admitiu a possibilidade de aceitar um acordo de cessar-fogo se a parte do país que não está ocupada pela Rússia ficar protegida pela NATO. Em entrevista ao Observador em Bruxelas, o novo presidente do Conselho Europeu sublinha que cabe à Ucrânia definir como quer negociar, mas deixa avisos sobre as possíveis consequências de uma cedência à Rússia.

A Ucrânia é um Estado soberano e, como todo Estado soberano, é quem tem o direito de determinar em que condições faz a guerra e em condições aceita a paz. Quando se cede nos princípios do direito internacional, isso transforma-se numa ameaça para o conjunto da comunidade internacional. É por isso que toda a comunidade internacional não pode ser alheia àquilo que se passa relativamente à Ucrânia, porque aceitar o precedente que um país pela força pode alterar as fronteiras, que um país pela força pode ocupar o território de um outro Estado soberano, é um precedente que conduziria o mundo inteiro para o caos.

António Costa, na primeira entrevista que dá desde que assumiu funções como presidente do Conselho Europeu e depois de ter visitado Kiev no primeiro dia de mandato.

Sobre a relação com Donald Trump, António Costa reforça que há urgência em começar a estabelecer contactos.

De preferência, ainda antes da tomada de posse do presidente, em 20 de janeiro. António Costa afirma que já está a tentar agendar essa conversa, que deverá acontecer por telefone. O novo líder do Conselho Europeu aponta os principais temas a abordar com Donald Trump.

Tratar o tema do déficit comercial, que não passe por um aumento de tarifas. A mais recente declaração do presidente Trump tem uma margem muito significativa, como disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, tem uma variação mesmo de 100%, porque entre 10 e 20% é uma variação bastante significativa. Acho que temos que falar e ver como é que a aliança entre os Estados Unidos e os países europeus prossegue e se reforça. Isso é seguramente do interesse comum.

O presidente do Conselho Europeu insiste que é preciso ouvir o que Donald Trump tem a dizer e manter o diálogo entre Europa e Estados Unidos.

Nesta entrevista ao Observador, António Costa fala também sobre política nacional, com destaque para a Operação Influencer.

O ex-primeiro-ministro português diz que quem não deve, não teme e que, por isso, aguarda com tranquilidade o desfecho da investigação.

Eu, por mim, tenho a consciência totalmente tranquila, como tinha. Fiz o que me competia. Pedi para ser ouvido, fui ouvido. Se houvesse indícios, a lei obrigava ser constituído como arguido. Não fui constituído como arguido. Deduzo, portanto, que não havia indícios que justificassem essa constituição. Depois disso, não tive mais notícias.

E teme que isto seja uma investigação tão prolongada como, por exemplo, a da Operação Marquês, que já vai em 10 anos e o julgamento ainda não avançou.

Não temo nada. Quem não deve, não teme e estou tranquilo e respeito as instituições. O Ministério Público tem, naturalmente, o seu tempo, os seus meios, os seus critérios de investigação. É deixá-los trabalhar.

António Costa promete também manter-se afastado de tudo o que são atividades partidárias e garante que não tem qualquer interesse no cargo de Presidente da República.

Acho que as pessoas viram as páginas e não devem intrometer-se. Acho que foi uma função que eu sempre disse que não quereria ter.

E que não terá.

E que não quererei ter, isso podem estar tranquilos. Não vou encomendar ninguém.

A promessa de António Costa nesta entrevista ao Observador, a partir do gabinete no Edifício Europa, em Bruxelas, onde acaba de iniciar o mandato como presidente do Conselho Europeu.

Uma entrevista conduzida pela jornalista Rita Tavares e que faz manchete a esta hora no site do Observador, vai também para o ar aqui na rádio depois do jornal da 13h. O Ministério Público considera que o processo de construção da casa de Luís Montenegro, em Espinho, decorreu dentro da normalidade, sem qualquer indício de irregularidade.

Quase um ano depois de ser conhecida a instauração do inquérito, o Departamento de Investigação e Ação Penal Regional do Porto colocou um ponto final na investigação à obra da residência pessoal do agora primeiro-ministro. A investigação do DIAP do Porto e da PJ não encontrou qualquer irregularidade ou interferência no licenciamento para a construção e atribuição de benefícios fiscais. É o que pode ler-se no despacho de arquivamento do processo a que o Observador teve acesso. A procuradora Edite Pinho conclui que não existiram elementos que sustentassem a denúncia anônima que deu origem ao caso. A cronologia do processo é relevante para provar esta ideia e é salientada pelo Ministério Público no despacho de arquivamento. Miguel Gato.

O processo estava já em discussão na Câmara de Espinho pelo menos desde 2015, ainda antes de dar entrada qualquer projeto para a reconstrução do edifício. O Ministério Público indica que a Assembleia Municipal aprovou a proposta final de delimitação da área de reabilitação urbana em 2017. E três anos mais tarde, o primeiro-ministro pediu que os trabalhos na habitação fossem considerados obras de reabilitação, o que permitiria um regime fiscal mais favorável. A investigação considera que este benefício no IVA de 6% apenas foi reconhecido após o enquadramento da obra enquanto área de reabilitação urbana. Antes, o imposto foi aplicado nos habituais 23%. Em 2022, a autarquia de Espinho concedeu a Montenegro a certidão de reabilitação urbana. A Justiça entende que a intervenção na residência do presidente do PSD foi acompanhada, autorizada e documentada pela autarquia desde o início de todo o processo. Caem assim as suspeitas sobre a prática do crime de prevaricação e abuso de poder por titular de cargo público e chega ao fim o processo que se iniciou precisamente há um ano, em plena campanha eleitoral das últimas eleições legislativas.

Miguel Gato, e o arquivamento do processo relacionado com a casa de Luís Montenegro, em Espinho. O Ministério Público considera que as obras na residência decorreram dentro da legalidade.

E este é um artigo em destaque a esta hora no site do Observador. O incêndio que começou esta noite em armazéns em Coimbra, na zona de Sargento Mor, continua ativo, mas está agora mais controlado. Estão no terreno a esta hora cerca de 100 operacionais. A informação foi adiantada à Rádio Observador pelo Comando Distrital de Operações de Socorro de Coimbra. O fogo está circunscrito a quatro armazéns, como explica o comandante dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, Paulo Palrilha.

O incêndio ainda se encontra ativo, está a ceder aos meios, mas ainda se encontra ativo nalguns focos de incêndio

No interior dos armazéns. Tem material técnico, tem bens alimentares, tem muitos cartões, tem plásticos, tem muito material combustível. Tem sido um combate bastante complexo e difícil. Vai demorar ainda umas horas a consolidar.

O ponto de situação feito há instantes pelo comandante Paulo Palrilha, da Corporação dos Bombeiros Sapadores de Coimbra. Até o momento não há registro de feridos, nem de habitações em risco. Cerca de 100 operacionais estão no local. Estão apoiados por 42 viaturas no combate às chamas. O alerta do incêndio foi dado às autoridades pouco depois das 21h30 da noite de ontem. Não se sabe ainda a origem do incêndio.

E França está a entrar numa nova crise política. A esquerda e a extrema-direita admitem avançar para uma moção de censura ao governo.

Tanto a União Nacional de Marine Le Pen como a nova Frente Popular de Esquerda já deixaram claro, se o primeiro-ministro não levar à Assembleia Nacional o orçamento do Estado do próximo ano e se acionar o mecanismo que permite a aprovação do documento por decreto, então a moção de censura avança mesmo e o governo cai. Mas ainda antes desta ameaça, o cenário de queda do governo já era apontado como muito provável, uma vez que se o orçamento fosse votado normalmente no Parlamento, era previsível o chumbo pela maioria dos deputados.

E Carla, esta crise política vem agravar a situação financeira de França e já há quem faça comparações com a crise das dívidas soberanas.

Tal como aconteceu aos países do Sul no início da década de 2010. A dívida francesa está neste momento a ser fortemente pressionada pelos mercados. Só para se ter uma ideia, hoje em dia, é mais arriscado emprestar dinheiro a França do que a Portugal. França deve fechar este ano com uma dívida pública superior aos 112% e um déficit de 6,1%.

E vamos voltar a olhar para esta situação francesa no explicador desta manhã, logo a seguir ao jornal das nove. A ONU alerta para o que se está a passar na Geórgia e fala em uso desproporcionado da força.

Milhares de manifestantes pró-europeus têm saído à rua na capital da Geórgia todos os dias, ao longo dos últimos dias. Estão contra a decisão do governo de suspender até 2028 as negociações sobre a integração do país na União Europeia. Os protestos têm ficado marcados por violência por parte das autoridades contra manifestantes, também contra jornalistas. Em comunicado, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos alerta para um uso desproporcionado da força. Fala numa situação extremamente preocupante. As autoridades têm utilizado canhões de água e gás pimenta para dispersar os manifestantes. Nuno Amaral Jerónimo, professor da Universidade da Beira Interior, chama a atenção para o possível interesse da Rússia na Geórgia.

Sempre que há alguma coisa, mesmo nos países europeus, já nem digo nos da Ásia Central, porque aí a União Europeia já está mais longe. Mas sempre que a Rússia tem feito alguma coisa, tem metido a mão ou o pé, a União Europeia, na verdade, tem mesmo ajudado. E eu acho que é isso também que muitas pessoas nestes países podem pensar: afinal de contas, vale a pena o sacrifício, a luta, o sofrimento, a possibilidade de uma invasão para nos aproximarmos da União Europeia, que na verdade, não nos tem dado grande coisa ou faz grandes declarações, mas quando precisamos realmente não aparece. Eu acho que isso pode ser um ponto para reflexão.

É uma análise deixada por Nuno Amaral Jerónimo, professor universitário, na história do dia desta terça-feira. De acordo com as autoridades da Geórgia, há mais de 200 detidos. A ONU pede a libertação de todas as pessoas e lembra que estavam apenas a exprimir o legítimo direito à liberdade de expressão.

E vamos ainda ao desporto. O Futebol Clube do Porto venceu o Casa Pia por 2x0.

Os Dragões estão assim de regresso às vitórias, depois de quatro jogos sem vencer. Marcaram Fábio Vieira e Samu. Depois da partida, Vítor Bruno ficou satisfeito com a prestação dos jogadores.

Uma vitória inequívoca, justa, goliza zero, sem sofrer gols. Os jogadores estão de parabéns. Foi um jogo bem conseguido, consistente. A equipe a anular tudo que era momento ofensivo com bola do adversário em organização, a tapar muito aquilo que eram caminhos interiores que o adversário gosta de explorar no primeiro momento. Tivemos três, quatro, cinco ocasiões na primeira parte, podíamos estar claramente a ganhar ao intervalo e com bola, jogo controlado, podíamos ter feito também mais um ou outro gol.

A leitura de Vítor Bruno, técnico do Futebol Clube do Porto, depois da vitória sobre o Casa Pia por 2x0, no dia em que celebrou 42 anos. Ainda no futebol, mas na seleção feminina, as portuguesas vão hoje entrar em campo num jogo decisivo para o apuramento para a fase final do Europeu de 2025. A seleção feminina joga na República Checa, na segunda mão do apuramento.

São agora 07h11, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora.

Esta manhã há greve parcial dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa. O sindicato diz que não houve resposta às reivindicações apresentadas no que toca ao trabalho suplementar e a feriados. Em comunicado, a empresa diz que a circulação só deve ficar normalizada às 10h30 da manhã. O protesto deve repetir-se na próxima semana, dia 10. Entretanto, o Sindicato dos Maquinistas da Ferrovia marcou para a próxima sexta-feira uma greve que abrange todas as empresas do setor: CP, IP, Fertagus, Metro, Sul do Tejo, Metro do Porto, também transporte de mercadorias. A CP avisa já para fortes perturbações para a próxima sexta-feira. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO reúnem-se hoje em Bruxelas. Em cima da mesa, volta a estar o conflito na Ucrânia, com o pedido recente de Zelensky de aderir à Aliança Atlântica como condição para o cessar-fogo com a Rússia, mesmo sem a devolução imediata dos territórios ocupados por Moscovo. O ministro português dos Negócios Estrangeiros vai estar presente na reunião. Donald Trump avisa que o Médio Oriente vai pagar um preço terrível se os reféns em Gaza não forem libertados antes da tomada de posse, a 20 de janeiro do próximo ano, numa publicação na rede social Truth. O presidente eleito dos Estados Unidos lembra que os reféns foram detidos de forma violenta e desumana e exige a libertação nos próximos dias. Caso não aconteça, diz, os grupos palestinianos vão pagar um preço terrível. Entretanto, Joe Biden vai reunir-se hoje em Luanda com o presidente angolano, João Lourenço. Esta é a primeira visita de um chefe de Estado norte-americano ao país. Biden vai discursar hoje no Museu da Escravatura. E agora vamos recordar um clássico de 1983. Tudo é ganado por mim é tão bom. Quem pode abanar. Tu com esses bracinhos, Carla.

Já está a pedir a dança, Carla.

Vais para o spinning e depois é nisso.

Pronto, e para o spinning, meu Deus!

Ora porque é que spinas? Para ter o figure spinners. O corpo é que paga . Você tem que esquecer esta. Mas por que estamos a falar disto? Porque António Variações faria hoje 80 anos. É autor destes tantos êxitos que estão agora hoje a ser recordados com especial valor. Qual é a sua favorita? Tem muitas.

"Canção do Engate", talvez. De António e as Várias Facições. Tu não?

Não, de canções.

Ah, de canções.

Sim. São várias. Não percebi, era uma gracinha.

Esta é muito gira.

Esta é muito gira. Esta é muito gira e o dia vai ser de celebração a vários níveis.

80 anos. Isso é assustador, ao mesmo tempo.

É, de facto, muitas. António Variações poderia estar aqui, claramente, ainda a produzir muita música. Ele vai estar em discussão hoje na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A universidade organizou um colóquio quinta e sexta-feira sobre debates, sobre o impacto de Variações na música, na cultura e na sociedade portuguesa. Há muito para falar sobre isto. António Variações, seguramente.