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São agora 7 da manhã. Está a começar o Jornal das 7, com a edição do Luís Soares. Luís, o presidente da República pede mais saúde, habitação e justiça em 2026 e deixa recados à classe política. Fala num país de desleixo e trapalhadas que fica à espera de um milagre. Marcelo Rebelo de Sousa apela, por isso, ao sentido de coesão nacional.

Ideias principais da última mensagem de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa, como presidente da República, desta vez mais curta do que o habitual, como tinha prometido, mas com muitos recados. O chefe de Estado cita mesmo Eça de Queirós para criticar os atores políticos e a forma como tardam em resolver os problemas e fazer avançar o país.

O desleixo, a constante trapalhada nos negócios e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos quase a pueris. A imaginação, que leva sempre a exagerar até à mentira e, ao mesmo tempo, um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar, a esperança constante de algum milagre, no velho milagre do Ourique, que sanará todas as dificuldades.

Marcelo Rebelo de Sousa, num discurso de cerca de cinco minutos, feito em direto do Palácio de Belém ontem à noite. O presidente da República antecipa um ano singular e pede melhorias para a vida dos portugueses em 2026, com destaque para os setores que têm tido maiores problemas.

Ano Novo, vida nova. Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade. E sempre mais tolerância, mais concordância, mais do que instinto e intuição, sentido de coesão nacional.

O presidente da República tinha prometido uma mensagem neutra para não contaminar a campanha eleitoral para as presidenciais, que começa na próxima semana. Marcelo Rebelo de Sousa não fez referências diretas às eleições, diz apenas que confia que Portugal vai ter um futuro melhor com soluções e pessoas novas.

E as reações dos partidos ao discurso de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa foram diversas, Luís.

Com elogios do lado do PS e do CDS e com críticas dos partidos da oposição. Miguel Gato.

Os partidos que formam o governo deixaram elogios à mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, a começar com a vice-presidente do PSD, Leonor Beleza.

Uma palavra intensa de reconhecimento por aquilo que ele tem sido para o nosso país e uma palavra de orgulho, pela forma como ele tem vindo a servir Portugal.

E a terminar em Durval Tiago Ferreira, do CDS.

Temos que reconhecer que nestes momentos particulares e mais difíceis, ele foi para todos os portugueses um farol de responsabilidade.

Na oposição, a perspectiva é bem diferente. Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal, deixa uma questão em cima da mesa.

O que fez Marcelo Rebelo de Sousa nos últimos 10 anos para influenciar os governos, para que sejam feitas as reformas que coloca o país neste caminho?

Enquanto Isabel Mendes Lopes, do Livre, aproveita a reação ao discurso do presidente para atirar ao governo.

Os desejos de um ano com mais saúde, com mais habitação, com mais igualdade, que no nosso ponto de vista, têm sido áreas em que o governo tem falhado redondamente.

Da parte do PCP, Pedro Guerreiro diz que não basta expressar boas vontades.

É necessário que seja apontada, que está na causa dos problemas que são sentidos, os problemas e as injustiças que são sentidos pelos trabalhadores, pelo povo.

Também o Bloco de Esquerda lamenta a oportunidade perdida do presidente da República em falar nas grandes preocupações dos portugueses. Já o PAN destaca o legado dissolvente de Marcelo Rebelo de Sousa.

Miguel Gato, e a reação dos partidos com assento parlamentar ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. O Partido Socialista marcou para esta manhã a reação. O Chega e o JPP até agora ainda não reagiram enquanto partidos.

E Luís, importa também olhar para as reações dos candidatos presidenciais. Comecemos com André Ventura, que acusa o presidente da República de se ter tornado um mero comentador.

Ele, que é também presidente do Chega, lamenta o conteúdo do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, a quem aponta falta de capacidade política.

Os portugueses não precisam de um presidente que faça diagnósticos e análises. Precisam de um presidente que aja, precisam de um presidente que tome decisões, que chame à responsabilidade quando tem que chamar à responsabilidade, que seja capaz de apontar, como fez Marcelo Rebelo de Sousa hoje, mas também de chamar a atenção das entidades e dos protagonistas concretos, quando metidos nas tais trapalhadas a que ele se refere. Este discurso de Marcelo Rebelo de Sousa vinculou hoje bem o presente e o futuro. O presente que temos de um presidente da República que se tornou mais comentador, analista, do que propriamente um ator político.

Reação de André Ventura. Já Catarina Martins, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, considera que Marcelo Rebelo de Sousa devia ter ido mais longe no diagnóstico que fez sobre as falhas do país.

Começou o seu mandato num período pós-troika e pós-Cavaco, com condições de vida a melhorar em Portugal, mas a verdade é que 10 anos depois, vê as dificuldades que há em Portugal, vê também o crescimento da extrema-direita e optou, e bem, por falar das questões da tolerância. Mas é verdade que talvez por estar também em final de mandato e não tenha querido fazer uma mensagem mais direcionada aos problemas concretos, faltou uma palavra para o desespero que vimos nestes dias no acesso à saúde, por exemplo, que continua a ser uma das questões mais complicadas do nosso país, ou o custo de vida.

Reação de Catarina Martins. António Filipe, candidato apoiado pelo PCP, defende que é necessária uma mudança de política no país para concretizar os votos manifestados por Marcelo Rebelo de Sousa.

O senhor presidente da República formulou votos muito generosos

De um ano melhor para 2026, mas a concretização desses votos debate-se com grande problema: é que se não houver uma mudança de políticas, se as políticas que têm sido seguidas prosseguirem, os portugueses não vão certamente ter um ano de 2026 melhor do que 2025. Num país onde os direitos dos trabalhadores já estão muito fragilizados com o Código do Trabalho, se a proposta do pacote laboral que o governo apresentou e que foi reafirmada agora na mensagem do próprio Sr. Primeiro-Ministro, os trabalhadores portugueses, se essa proposta fosse por diante, não teriam um ano de 2026 melhor que o de 2025.

As reações de alguns dos candidatos presidenciais à última mensagem de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa foram, para já, os únicos candidatos a reagir às palavras do presidente da República. Continuemos a falar de eleições presidenciais, porque hoje é o dia do debate das rádios. Os principais candidatos defrontam-se hoje no debate organizado pela Rádio Observador, Antena Um, TSF e Rádio Renascença. Os candidatos vão debater em direto durante duas horas, a partir das 9h30, nos estúdios da RTP. É lá que está já o Miguel Vitor Dias, o coordenador de política da Rádio Observador. Miguel, bom dia. Este debate vai acabar por marcar também o tom do início oficial de campanha para as eleições de 18 de janeiro.

Sim, há 16 dias dessas eleições, o debate das rádios cumpre mais uma vez esta tradição, marca o arranque formal da campanha. É também, como referiste, um formato mais distendido. São duas horas de discussão e, por norma, tem sido um debate que permite discutir temas políticos mais abrangentes e ideias mais abrangentes para o país. São os oito candidatos que participaram também nos 28 frente a frente que marcam presença neste debate das rádios. Alguns não são estreantes. Este é um formato que existe há cerca de 10 anos. Já participaram neste formato enquanto líderes partidários, por exemplo, João Cotrim Figueiredo, Catarina Martins ou André Ventura, embora nem sempre o líder do Chega tenha marcado presença por questões de agenda. Outros estreiam-se neste formato que, como referi, cumpre uma década de existência e à qual a Rádio Observador se juntou pelo caminho. Marca assim o arranque da campanha oficial, que começa definitivamente na segunda-feira, num debate que também assinala este período de pós-pausa de Natal e de Ano Novo, com estas reações à mensagem do presidente Marcelo Rebelo de Sousa e aquilo que será o pós Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República, aquilo que farão de diferente e com alguns dos temas habituais em cima da mesa, sobretudo depois desta fase de miniférias, com a saúde à cabeça e os tempos de espera demorados nas urgências do país, sobretudo na região da Grande Lisboa, mas também as questões da habitação. São temas que serão certamente discutidos neste debate, com início marcado para as 9h30. Os candidatos começarão a chegar aos estúdios da RTP dentro de sensivelmente uma hora. Não estão previstas declarações à chegada, apenas curtas reações depois desse debate, depois das 11h30. Mas a partir das 11 também estaremos a acompanhar as chegadas dos oito candidatos ao debate das rádios.

Miguel Vitor Dias vai ficar atento à chegada dos candidatos. A antevisão do debate das rádios para as eleições presidenciais. O debate arranca às 9h30, pode ser acompanhado em direto aqui na Rádio Observador. Antes, vamos fazer uma antevisão, um explicador especial com Pedro Benvidis da TVI e António Costa, do Eco, para ouvir depois do Jornal das 9. E o presidente da Assembleia da República critica os candidatos presidenciais pela forma como têm abordado a possibilidade de avançar com uma revisão constitucional e também pela discussão em torno da transparência dos sucessores de Marcelo Rebelo de Sousa.

José Pedro Aguiar Branco assina hoje um artigo de opinião no semanário Expresso, no qual faz esse balanço do ano que agora terminou. Sobre a revisão constitucional, considera que os candidatos têm discutido matérias que pertencem direta e exclusivamente à competência do Parlamento. Já sobre a transparência dos candidatos, lamenta que o debate tenha resvalado para uma lógica de suspeição generalizada sobre os políticos. Aguiar Branco não menciona nomes, mas afirma que o escrutínio é indispensável, a desconfiança permanente, não. Aguiar Branco sublinha também que tem evitado comentar a pré-campanha devido às funções que exerce como presidente da Assembleia da República, mas reconhece que não pode ignorar a forma como os candidatos falam em espaço público sobre estas matérias.

E a Suíça vai cumprir cinco dias de luto nacional, depois do incêndio numa estância de esqui na passagem do ano. Cerca de 40 pessoas morreram e 115 ficaram feridas.

O presidente do país fala mesmo num drama de escala desconhecida e lamenta o elevado número de vítimas. O incêndio aconteceu numa festa de passagem de ano, num bar de um resort de esqui em Crans-Montana, nos Alpes suíços. As vítimas de várias nacionalidades ainda estão a ser identificadas, sendo que o mais recente balanço das autoridades suíças aponta para cerca de 40 mortos e 115 feridos. As causas do incêndio estão a ser investigadas. As autoridades suíças já afastaram a possibilidade de um ataque terrorista.

7h11. Luís, que outras notícias marcam este início de 2026?

Marcelo Rebelo de Sousa devolveu ao governo três decretos-lei que visavam várias reformas na saúde. O presidente da República mandou para trás medidas como a centralização dos serviços de urgência, a criação do Sistema Nacional de Acesso a Consultas e Cirurgia e ainda as novas regras de contratação de médicos tarefeiros no SNS. São decretos que tinham sido aprovados em Conselho de Ministros em outubro. Jair Bolsonaro já regressou à prisão depois de ter sido internado na véspera de Natal. O ex-presidente do Brasil esteve hospitalizado para tratar de duas hérnias inguinais e também de uma crise de soluços. O jornal brasileiro Globo avança que Bolsonaro já teve alta e regressou à prisão, onde cumpre uma pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O Sporting joga hoje no terreno do Gil Vicente, na 17ª jornada do campeonato. Os Leões procuram aproximar-se do líder Porto e distanciar-se do Benfica. O jogo está marcado para as 16h45 e tem relato em direto aqui na Rádio Observador. Há ainda uma pergunta que não quer calar neste arranque de ano: quando é que vai ser a primeira lua cheia do ano?

Não sei. Grandes questões.

São grandes questões, perguntas importantes.

É depois da lua, hora três, nove e sete.

27 dias.

É depois daquela lua.

É já amanhã. Amanhã, primeiro sábado do mês, mas esta não vai ser uma lua cheia qualquer logo para começar o ano.

É a lua cheia vermelha.

É a primeira superlua de 2026, conhecida como Lua Cheia do Lobo.

Do lobo? De onde é que vem isso?

Há a hora do lobo e há a lua cheia do lobo.

De onde é que vem esse nome, Luís?

Foi batizado assim pelos povos nativos americanos e pelos antigos europeus, que tinham como hábito nomear cada lua cheia de acordo com fenômenos naturais de cada mês. E a primeira do ano é conhecida como Lua Cheia do Lobo, porque em janeiro é habitual ouvir os lobos uivar durante a noite, possivelmente devido à escassez de alimento e à necessidade de comunicação em alcateias.

Então é uma lua.

Exatamente.

E vamos poder vê-la em Portugal?

Vamos, sim. A melhor hora para ver, e se não houver nuvens. A melhor hora será logo após o pôr do sol, por volta das 17h30. E aproveitem, porque a próxima superlua, a Lua Cheia Castor, a Lua do Castor, só chega a 24 de novembro. Jornal das Sete, com edição do Luís Soares.