Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Bom dia, Viseu.

Muito bom dia. Notícias às 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Marrocos reagiu publicamente pela primeira vez à crise migratória em Ceuta. Num comunicado emitido na última noite, o governo responsabiliza as redes de tráfico humano e a desinformação pela entrada de milhares de pessoas em território espanhol.

É a primeira declaração oficial das autoridades de Rabat sobre os acontecimentos dos últimos dias. Desde quinta-feira que a entrada em massa de pessoas pelo mar criou o caos no enclave de administração espanhola. A maioria dos que chegaram a Ceuta já saíram, mas permanece ainda milhares de migrantes a dormir nas ruas, até porque o centro de acolhimento temporário criado, entretanto, não tem capacidade para receber mais ninguém. Em comunicado, o governo marroquino refere-se a redes de tráfico de pessoas, a desinformação e também a mal-entendidos. Carlos Pedro.

Concretamente, mal-entendidos sobre a aplicação de uma sentença do Supremo Tribunal de Espanha no início de julho. Os juízes entenderam que as pessoas que chegam à Espanha por mar de forma ilegal não podem ser devolvidas imediatamente às autoridades de outro Estado, ao contrário do que acontece a quem entra por terra. O comunicado do Ministério do Interior de Marrocos considera que o que aconteceu em Ceuta não foi fruto de circunstâncias espontâneas, mas da combinação da exploração mal-intencionada do espaço digital, numa referência a mensagens erradas que surgiram nas redes sociais e também das redes de tráfico de pessoas. O governo marroquino escreve ainda que a gestão do fenômeno migratório tem de ser feito com responsabilidade partilhada, solidariedade e também na repartição equitativa dos encargos.

Carlos, também parece haver aqui uma guerra de números. Espanha e Marrocos fazem um balanço diferente do número de pessoas envolvidas e também das vítimas mortais.

Sim, o Ministério do Interior de Marrocos aponta para 40 mil o número de pessoas que atravessaram a fronteira, menos do que dizem as autoridades de Ceuta, que apontam para 60 mil, sendo que estes números têm variado muito ao longo destes dias. Marrocos fala também em 11 mortos. O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, revela que há 82 cadáveres na morgue da cidade. Precisamente o presidente de Ceuta dá hoje uma entrevista ao "El País", em que critica duramente a atitude das autoridades de Marrocos perante esta crise e em que exige respeito à integridade territorial de Espanha.

Carlos Pedro com as últimas informações que chegam de Ceuta. Os ministros da União Europeia vão reunir-se amanhã, reunião convocada de emergência para discutir a crise migratória. Recorde-se que Itália suspendeu temporariamente as regras do espaço Schengen com Espanha. A Dinamarca defendeu que a medida fosse alargada aos restantes países, algo que dividiu os Estados-membros.

E ao longo das últimas horas, Carla, foi-se sabendo que as redes sociais tiveram um impacto significativo nesta crise migratória em Ceuta.

Milhares de imigrantes foram enganados por publicações falsas que davam conta de que a fronteira espanhola estava aberta para quem chegasse por via marítima. É o que nos conta a enviada especial do Observador a Ceuta, Inês André Figueiredo.

Estas pessoas vieram porque foram recebendo mensagens, principalmente através das redes sociais, a informá-las de que a fronteira de Espanha em Ceuta estava aberta, de que era possível entrar de forma gratuita, sem papéis. Terá havido um conjunto de publicações colocadas nas redes sociais que, obviamente, tiveram um impacto estrondoso. O algoritmo funciona de forma brilhante nestes casos. Ainda por cima, pelo que se sabe agora, poderão ter sido colocados botes à disposição destas publicações para que elas chegassem ainda a mais pessoas. E não estamos a falar de uma população que viva propriamente bem.

A jornalista do Observador, Inês André Figueiredo, que falou com vários destes imigrantes que foram enganados pelas publicações que se foram espalhando nas redes sociais e destaca dois casos concretos que foi ouvindo nos últimos dias.

Acabamos por conversar com pessoas que nos disseram: "Um amigo enviou-me uma mensagem pelo WhatsApp, eu soube que a fronteira estava aberta e como estava de férias, vim tentar a minha sorte". Ou: "Eu estava a tomar café, ia fumar um cigarro, passou um vendedor ambulante que comunicou que a fronteira estava aberta e eu imediatamente coloquei-me num táxi, que era a uma hora e meia da fronteira, e vim para aqui". Porque nos últimos anos, e esta pessoa em específico de quem estou a falar agora, tentou passar variadíssimas vezes, nunca conseguiu e agora teve uma oportunidade e não a quis deixar passar.

O relato da enviada especial do Observador a Ceuta, na história do dia de hoje, Inês André Figueiredo. São milhares os imigrantes marroquinos que continuam em Ceuta, na esperança de conseguirem ficar em território espanhol.

E esta crise migratória em Ceuta vai ser também o tema do Explicador, para ouvir, como sempre, logo a seguir ao Jornal das Nove. O ministro da Educação volta hoje ao Parlamento e mais uma vez para responder sobre os problemas na correção dos exames nacionais.

Fernando Alexandre participa na reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República. O debate está marcado para às 15h. Foi decidido na última sexta-feira, em reunião de conferência de líderes, por iniciativa do Partido Socialista, que pediu a presença do ministro aos deputados. Fernando Alexandre vai assim mais uma vez ao Parlamento, numa altura em que a Missão Escola Pública continua a relatar problemas na correção dos exames. Este movimento diz que existem professores a relatar falta de folhas de continuação ou a receberem os exames já tarde, em período de férias. Por isso, a Missão Escola Pública diz que será muito difícil cumprir o prazo estabelecido Para a divulgação dos resultados das reapreciações, prevê-se que seja na próxima sexta-feira, dia 7. De lembrar também que ainda há alunos da primeira fase que não sabem a nota que tiveram nos exames nacionais do secundário.

O Presidente da República recebe hoje a Iniciativa Liberal e uma delegação do Tribunal de Contas.

António José Seguro recebe Mariana Leitão às 15h30 no Palácio de Belém. Esta audiência foi solicitada pela Iniciativa Liberal, que quer falar com o Presidente da República sobre o atual estado do país. Espera-se que as polémicas em que está envolvido Luís Neves sejam tema de discussão neste encontro. Depois da Iniciativa Liberal, António José Seguro vai receber ainda uma delegação do Tribunal de Contas. A audiência foi pedida pelos dirigentes do tribunal, que não revelam o motivo do encontro com o chefe de Estado, que vai realizar-se também esta tarde.

Donald Trump diz que estão agendadas para hoje negociações com o Irão, anúncio que acontece depois do presidente norte-americano dizer que cancelou um ataque massivo previsto para esta noite.

Donald Trump garante que cancelou este ataque em larga escala que estava a preparar contra o Irão, de modo a poder retomar o diálogo. O presidente dos Estados Unidos diz que foi convencido por apelos dos países aliados no Golfo, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.

Estávamos completamente preparados para avançar nesse momento. Ia ser um ataque massivo. Tínhamos tudo pronto, mas quando os nossos aliados nos pediram para cancelar, ficamos a pensar: bem, vamos ver. E a razão pela qual o pediram é porque acreditam que há um acordo, há um acordo sobre o Ormuz e depois haverá um acordo sobre a questão nuclear ou, se preferirem, sobre a desnuclearização do Irão. Eu chamo-lhe a desnuclearização do Irão.

A bordo do avião presidencial, Donald Trump admite também, em declarações aos jornalistas, que há um eventual acordo entre as partes quanto à circulação no Estreito de Ormuz, mas que ainda há negociações pendentes no que diz respeito às questões nucleares. Este anúncio de novas negociações entre Irão e Estados Unidos já teve impacto nos mercados. O preço do petróleo está nesta altura a recuar cerca de 7% na abertura da sessão asiática. O Brent, que serve de referência para a Europa, caiu para os US$83,70 por barril, depois de na semana passada ter ultrapassado a barreira dos US$100.

São agora 07h08, Carla, que outras notícias há a destacar nesta manhã de segunda-feira?

Não há incêndios rurais ativos no país. No fogo de Vale de Passos, já em fase de resolução, permanecem ainda perto de 200 operacionais no terreno. Já ontem, em Vila Franca de Xira, deflagrou um incêndio numa zona de mato que obrigou ao corte nos dois sentidos na Linha Ferroviária do Norte, entre Vila Franca e Castanheira do Ribatejo. A normalidade já foi reposta na linha. O trânsito também esteve condicionado no Ponte Marshal Carmona, que estabelece a ligação entre Vila Franca de Xira e Samora Correia. Lula da Silva oficializou ontem a recandidatura à presidência do Brasil com o mote de defender a soberania do país e de evitar que a extrema-direita volte a governar o país. Lula tem como principal adversário nesta corrida eleitoral Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliária depois de ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado. As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para o dia 4 de outubro.