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E este é o Jornal das 8, com a edição da Carla Jorge de Carvalho. Carla, já foram capturados os reclusos que fugiram ontem da prisão de Alcoentre. Foram capturados esta manhã, a 10 km do estabelecimento prisional.

É o que garante a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais à Agência Lusa. Os dois homens foram capturados pelas 7h40 pela GNR. A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais remete esclarecimentos para mais tarde. Estamos a falar de dois homens de nacionalidade portuguesa, de 37 e de 44 anos, fugiram ontem pelas 18h20 do estabelecimento prisional de Alcoentre. Eles estavam condenados pelos crimes de tráfico de estupefacientes e roubo, cumpriam penas de cinco anos e oito meses de prisão e de quatro anos e nove meses. A Sic Notícias acrescenta este dado de que estavam a cerca de 10 km da prisão de Alcoentre. Neste jornal, temos agora em direto o Frederico Morais, dirigente do Sindicato do Corpo da Guarda Prisional. Frederico Morais, bom dia, obrigada por estar conosco em direto. Temos que começar pela recaptura. A fuga durou poucas horas. Isto quer dizer que tudo está bem quando acaba bem?

Muito bom dia, obrigado pela oportunidade. Tudo acaba bem, mas nada está bem. Nada está bem, porque nós continuamos a ter presos a fugir das cadeias portuguesas por falta de segurança e por falta de medidas rigorosas para evitar estas fugas. Nada está bem. Felizmente, foram recapturados às 18h40. Eu também já tinha dito ontem que eram dois reclusos que dificilmente conseguiriam levar avante a fuga, porque o apoio do exterior era muito baixo. Estamos a falar de um recluso que foi transferido dos Açores por tentar uma fuga na cadeia de Ponta Delgada e estamos a falar de outro alentejano, que as posses no exterior eram muito poucas.

Ou seja, Frederico Morais, o que está a dizer é que mesmo sem apoio exterior, os reclusos conseguem escapar com uma aparente facilidade. O que não está bem, afinal?

O que não está bem foi não nos ouvirem. Não nos ouviram. A senhora ministra tinha dito, e faço aqui questão também de frisar, que o Corpo da Guarda Prisional continua a depositar toda a confiança na senhora ministra, porque foi a única pessoa que olhou para o sistema prisional até agora, ao longo destes cerca de 20 anos, mas não está bem porque quem continua a dirigir os estabelecimentos prisionais são as mesmas pessoas que permitiram a decadência total do sistema. Ou seja, está na altura de entregarem a segurança das cadeias ao Corpo da Guarda Prisional de uma vez por todas, porque se nós continuarmos neste sistema em que estamos, daqui uns dias vamos sempre continuar a falar de fugas, a continuar de falta de segurança, a continuar a falar de telemóveis, a continuar a falar tudo aquilo que falamos no dia a dia. E isto também é para nós desgastante e é o nosso nome que está sempre em causa, porque quando se fala de sistema prisional, fala-se guardas prisionais, não se fala em diretores de cadeias, que esse é o grande problema que nós temos neste momento. São as direções das cadeias que continuam a trabalhar para uma reinserção social que está completamente falida e continuamos a insistir neste modelo de prisões que temos em Portugal. E está na altura de nos devolverem a segurança das cadeias, como era antes de 2012, e permitir que nós voltemos a fazer segurança e garantir a segurança das cadeias para a população se sentir mais segura, porque isto aqui é um alarme social para a população, porque as pessoas olham para isto e dizem: "bem, as pessoas que estão dentro da cadeia não estão presas, porque se eles conseguem fugir com esta facilidade", é um alarme social para a população.

Deixe-me recordar que a fuga de Vale de Judeus aconteceu há 10 meses, em setembro do ano passado. Pode explicar-nos o que é que mudou desde então no funcionamento dos estabelecimentos prisionais? Pelo que está a dizer, pouco.

Nada.

Não mudou nada?

Nada, praticamente nada. Foram feitas auditorias, a senhora ministra fez auditorias, o senhor secretário de Estado adjunto da Justiça, que era o responsável da Inspeção-Geral de Justiça, sabe o resultado das auditorias, que é preciso aplicar aquilo que está nas auditorias. É preciso aplicar de uma vez por todas. Nós continuamos a ter diligências desnecessárias, continuamos a ter deslocações de reclusos para tudo e mais alguma coisa. Continuamos a descurar a segurança das cadeias para continuar a ter aulas de canto, aulas de ópera. Continuamos a ter o cantar alentejano. Deixamos a cadeia, por exemplo, de Beja, sem guardas para trazer reclusos à casa do Alentejo para cantar alentejano. Andamos a brincar à segurança das cadeias, andamos a brincar com a vida das pessoas. E nós continuamos a dizer: esperemos que não seja preciso tombar um guarda prisional para de uma vez por todas resolverem o problema, porque isto aqui é má gestão interna, isto é má gestão do sistema prisional português. Quem dirige o sistema prisional português falhou. Têm que admitir isto, as pessoas falharam. É preciso voltar a pegar nisto e fazer isto funcionar. Nós em setembro dissemos como é que isto podia funcionar. Nós não fizemos nada. Nós pedimos a separação de regimes de reclusos, continua tudo igual. Nós pedimos que acabassem de uma vez por todas com atividades desnecessárias, continua tudo igual. Continuamos a ter cursos de costura para homem, continuamos a ter aulas de ópera. Nós não temos guardas prisionais para fazer isto. Continuamos a insistir nestas brincadeiras, isto podemos chamar uma brincadeira, porque isto não passa de brincadeiras.

Portanto, dizer que pode haver uma nova fuga nos próximos tempos não será ser alarmista.

Não. Eu tenho dito isto constantemente, elas estão a acontecer todos os dias. Repare que só nesta semana e meia, mais ou menos uma semana e meia, houve quatro. Houve uma em Sintra, de um recluso que não devia estar ali a trabalhar, porque estava em regime fechado e ele andava na rua. Houve a tentativa de fuga em Paços de Ferreira, na Clínica da Radouf, porque levaram o recluso a fazer análises quando devia ter sido ao contrário. Está a ser ao contrário isto, devia ter ido da clínica à cadeia fazer as análises e não sair o recluso para fazer análises. E agora estas duas. Estamos a falar de quatro fugas numa semana e meia. Fugiram quatro presos e nós não vemos nada. Não vemos ninguém dizer: "Não, aquelas pessoas que estão ali todos os dias a falar, têm razão. Temos que olhar para isso de uma vez por todas, porque o corpo da guarda prisional tem razão". Nós temos razão, nós sabemos como é que isto vai resolver-se. É preciso é deixarem-nos resolvê-lo.

Frederico Morais, muito obrigada por ter estado conosco em direto do Sindicato Nacional dos Guardas Prisionais, a alertar para o risco de novas fugas, porque conta Frederico Morais, nada mudou desde que, em setembro do ano passado, houve a fuga de Vale de Judeus. Relativamente à fuga de ontem da prisão de Alcoentre, já foram recapturados esta manhã os dois fugitivos. Eles foram capturados pelas 7h40 pela GNR, estavam a cerca de 10 km da prisão de Alcoentre. Há também a indicação da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, que promete mais esclarecimentos para mais tarde, sem indicar a hora.

E já é conhecido o relatório sobre as grávidas que perderam os bebés nos hospitais de Santa Maria e de Cascais. Sofreram complicações imprevisíveis.

É o que consta do relatório, no caso da mulher que perdeu o bebê no Hospital de Santa Maria. O relatório refere que nos momentos finais do parto deu-se uma compressão aguda e imprevisível do cordão umbilical e o feto acabou por morrer. A Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia, Obstetrícia e Bloco de Partos assinala que se tratou de um caso imprevisível e que não permitiu uma intervenção atempada. Já no caso de Cascais, foi diagnosticado à grávida de 31 semanas, um caso de descolamento da placenta, que resultou também na morte do feto. Outra situação descrita como imprevisível, uma notícia que foi avançada pela CNN Portugal.

E no Explicador das Manhãs 360 vai debater-se a proposta do PSD para retirar o conceito de violência obstétrica da lei. Juntam-se a nós Nuno Clode, presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, e também Sara do Val, da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto. O Ministério da Defesa assegura que o transporte de um doente, de um utente, de helicóptero da Covilhã para Coimbra não durou cinco, Carla, mas sim duas horas.

Um comunicado que foi enviado ontem à noite para as redações. O governo vem assim desmentir as notícias que dão conta de um doente com traumatismo craniano que terá esperado mais de cinco horas para chegar a Coimbra. O Ministério da Defesa diz que passaram, afinal, duas horas e 15 minutos desde o momento em que o helicóptero foi acionado até o utente chegar ao aeródromo de Coimbra. Ora, o ministério não conta o tempo de transporte que o utente teve de fazer por terra até ao heliporto.

E o julgamento do Processo Marquês entra hoje na segunda sessão. José Sócrates apresentou um novo recurso no Tribunal Europeu.

A defesa do ex-primeiro-ministro apresentou três ações judiciais praticamente simultâneas a apelarem à análise da instância europeia e a tentarem suspender o julgamento. A equipe de advogados quer que o Tribunal de Justiça da União Europeia se pronuncie sobre a qualificação dos crimes de corrupção pelos quais José Sócrates foi pronunciado pelo Tribunal da Relação. No entanto, todos os advogados ouvidos pelo Observador são unânimes na ideia de que esta iniciativa não deve conseguir travar o julgamento. Esta manhã está precisamente previsto que comece o interrogatório a Sócrates no Tribunal Central Criminal de Lisboa. Está já a jornalista do Observador, Nadine Soares. Bom dia, Nadine. O que é que podemos esperar do dia de hoje?

Bom dia. Está marcado para daqui a hora e meia o segundo dia de julgamento da Operação Marquês, este que é o julgamento mais mediático da Justiça portuguesa. Depois de um primeiro dia tenso entre a juíza Susana Seca, que preside o julgamento, e Sócrates, onde o antigo primeiro-ministro criticava aquilo que diz ser um complexo de autoridade por parte da magistrada, por esta ter decidido não suspender o julgamento no primeiro dia. Ora, para esta manhã está marcado o interrogatório a José Sócrates, mas não é por isso que deixam de existir tentativas por parte da defesa do antigo primeiro-ministro para parar este julgamento. Sócrates apostou na Europa para tentar mais uma vez a sorte. Uma queixa ao Tribunal da Justiça da União Europeia é a mais recente tentativa. Avançou com três ações judiciais praticamente simultâneas, ao que se junta a mais de 100 recursos apresentados ao longo destes anos sobre a Operação Marquês. Em causa está esta questão do lapso de escrita invocado por José Sócrates sobre esta alteração do crime de corrupção, que fez então reviver o caso. São palavras do antigo primeiro-ministro. No entanto, as fontes ouvidas pelo Observador, a maioria dos advogados, indica que esta tentativa não deve ser bem-sucedida. Como dizia, esta manhã Sócrates vai prestar declarações ao principal arguido, entre uma lista de 21 nomes que respondem por 117 crimes. O antigo primeiro-ministro vai ser julgado por 22 crimes, três de corrupção passiva de titular de cargo político, 13 de branqueamento de capitais e ainda seis de fraude fiscal qualificada. Destaque ainda para o amigo de Sócrates e empresário Carlos Santos Silva, o ex-banqueiro Ricardo Salgado e o antigo ministro Armando Vara, e os antigos chairman e CEO da PT, Enrico Granadeiro e Zeinal Bava. No final do primeiro dia do julgamento, os advogados dos outros arguidos indicavam que tinham pedido dispensa e, por isso, ainda não é certo que outros rostos vão passar aqui esta manhã pelo campus de Justiça, se esta dispensa se confirmar. Uma coisa é certa, Sócrates vai falar neste que é o primeiro julgamento que se senta um ex-primeiro-ministro no banco dos réus. Para já, a esta hora, ainda tudo vazio, a aguardar então o início deste segundo dia de julgamento.

Ainda falta para as 9h30, mas Nadine Soares já está aí junto ao tribunal. É uma das jornalistas do Observador que vai estar a acompanhar o segundo dia do julgamento do Processo Marquês, em que José Sócrates vai ser ouvido.

E Manuel Monteiro, antigo presidente do CDS, acusa o atual governo de ir atrás das preocupações do Chega nas alterações às leis da nacionalidade e imigração.

O antigo líder centrista defende que os cidadãos dos países da CPLP devem ser distinguidos de forma favorável. Em declarações à Agência Lusa, Manuel Monteiro considera que se as alterações à lei da nacionalidade e as regras para a entrada de imigrantes entrarem em vigor, isso pode representar um retrocesso na defesa da lusofonia

É errado que se tenham avançado com propostas de alteração sem que se saiba, tenham existido conversas prévias com os Estados da CPLP e provavelmente essas conversas prévias não existiram, atendendo às preocupações e às reações manifestadas, quer pelo governo brasileiro, quer por governos de Moçambique e de Cabo Verde. Ponto dois: penso que um país como Portugal, que não distingue favoravelmente os países da CPLP, é um país que esquece o seu passado e que não cuida do seu futuro, porque os cidadãos de língua portuguesa são os únicos capazes de promover, em termos efetivos, a lusofonia.

Manuel Monteiro considera ainda que não era necessário alterar a lei da atribuição da nacionalidade e acusa o governo de andar a reboque do Chega.

E essa questão, para mim, é uma questão que não pode deixar de merecer uma crítica ao governo, que na ânsia de procurar ir atrás das preocupações do Chega, trata por igual aquilo que não pode ser tratado por igual.

Manuel Monteiro referiu também a importância de jovens lusófonos, nomeadamente que procuram ou ainda têm procurado as universidades portuguesas para fazerem os estudos académicos.

E na atualidade internacional, um acordo de cessar-fogo em Gaza estará 80% ou 90% de estar concluído. A revelação é feita por um responsável israelita presente no jantar de Donald Trump com Benjamin Netanyahu.

Revelação que terá sido feita à conversa com jornalistas internacionais em Washington ontem à noite. É o que indica hoje o jornal israelita Haaretz. A garantia surge depois de fontes envolvidas no processo terem afirmado que o processo está a ser conduzido com mais seriedade do que os anteriores e que poderia haver acordo já na quinta-feira. Este responsável israelita admite, no entanto, que as negociações podem ser concluídas depois dessa data. Netanyahu garante que Israel e os Estados Unidos estão perto de encontrar países disponíveis para receber palestinianos que queiram sair da Faixa de Gaza. A revelação foi feita ontem pelo primeiro-ministro de Israel.

É a chamada liberdade de escolha. Se as pessoas querem ficar, elas podem ficar, mas se quiserem sair, elas devem poder sair. Gaza não deveria ser uma prisão, deveria ser lugar aberto e dar às pessoas a liberdade de escolha. Estamos a trabalhar em estreita colaboração com os Estados Unidos para encontrar países que queiram dar aos palestinianos um futuro melhor. Acho que estamos perto de encontrar vários países e acho que os palestinianos devem ter liberdade de escolha. Espero que possamos garanti-la.

O primeiro-ministro israelita em Washington, ao lado de Donald Trump, numa altura em que Israel e o Hamas estão a realizar negociações indiretas no Qatar para tentar garantir um cessar-fogo na região. Surge a informação, entretanto, de que cinco soldados israelitas terão sido mortos na Faixa de Gaza, depois de uma bomba ter explodido à beira da estrada onde se encontravam. Há ainda 14 feridos, dos quais dois com gravidade. É o que está a escrever agora o jornal Times of Israel.

Oito horas e 16 minutos. Carla, que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora?

Os Estados Unidos vão enviar mais armas defensivas para a Ucrânia. Isto acontece uma semana depois da Casa Branca ter suspendido a entrega de armamento a Kiev. O Pentágono, entretanto, confirmou a intenção de Donald Trump. O porta-voz do Departamento de Defesa norte-americano diz que o objetivo é garantir que os ucranianos se podem defender enquanto os Estados Unidos trabalham para procurar uma paz duradoura entre Rússia e Ucrânia. O independente Sérgio Aires é o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto. A apresentação da candidatura está marcada para a próxima quinta-feira. O nome foi anunciado pela Concelhia do Porto, do Bloco. Sérgio Aires é atualmente vereador, sem color, na autarquia. Com este nome, há já 11 candidaturas à Câmara Municipal do Porto. Além dos partidos, concorrem também três movimentos independentes. A seleção nacional de futebol feminina empatou ontem a um gol com a Itália. É o primeiro ponto de Portugal neste Europeu, um resultado que mantém viva a esperança do apuramento para a próxima fase. Agora, Portugal vai defrontar a Bélgica na última jornada da fase de grupos. Precisa de vencer e esperar que a Itália seja derrotada pela Espanha. Agora, aqui uma história: todos nós já teremos encontrado animais na estrada.

Sim, perigosos.

E às vezes é perigoso, pode ser perigoso. Esta história aconteceu nos Estados Unidos, no último fim de semana, algures na Carolina do Sul. O trânsito teve que ser interrompido para evitar uma tragédia com o animal.

Então, quem deambulava na estrada? Uma cobra, um alce, um castor?

Longe, nada. Um porco que corria desorientado na autoestrada. Foi emitido o aviso, dois agentes foram para o local, conseguiram salvar este porco desnorteado e o vídeo já está a correr nas redes sociais.

Então, uma história com final feliz.

Ainda mais feliz do que isto, porque na legenda deste vídeo pode ver-se que o porco foi adotado pela família de um dos policiais.

Muito bem, pronto, tudo acabou bem.

Esperemos que seja bem tratado.

Claro que sim. Um porco à solta. A fechar o jornal das 20h.

E adotado.