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As notícias com Carla Jorge Carvalho e começamos com a greve dos mediadores culturais da AIMA. Alertam para a precariedade dos trabalhadores e exigem a regularização dos contratos. Mais logo à tarde, estes trabalhadores vão manifestar-se junto à sede do governo, em Lisboa. A greve é convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que acusa o governo de violar a própria lei laboral. Em causa estão mais de 200 trabalhadores que há anos se encontram numa situação contratual precária. Pedem, por isso, a regularização do vínculo laboral e exigem passar aos quadros da instituição. A Nadine Soares está junto à delegação da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, nos Anjos, em Lisboa. Nadine, que balanço é possível fazer a esta hora?

A delegação da AIMA ainda não abriu. Tinha hora prevista para começar às 8h. Mais de uma centena de pessoas estão na fila. Para já, ainda não há dados do impacto, até porque as portas, como dizia, ainda não abriram. Continuam à espera várias pessoas. Cerca de 200 pessoas a esta hora, para serem atendidas desde madrugada, algumas desde ontem à tarde. A primeira pessoa da fila está cá desde as 14h, um cidadão indiano, e a última pessoa está neste momento em frente ao Café Almirante. É uma fila que já preenche duas ruas completas. A esta hora, há já membros da Federação dos Sindicatos da Função Pública a marcar presença, a distribuir panfletos pelas pessoas que aqui estão com as reivindicações do sindicato, para entenderem também o lado de quem está dentro da AIMA. Alertavam aqui aos jornalistas que este posto da AIMA nos Anjos é só composto por mediadores culturais e, portanto, a existir uma adesão total, que ainda relembro que ainda não é possível conhecer esses dados, porque ainda é muito cedo, a existir essa adesão total, é um posto que esta manhã não vai abrir. De acordo com os relatos que a Rádio Observador conseguiu apurar, ninguém estava a par desta greve, não existe nenhum papel afixado de aviso. Como dizia, trata-se da greve dos mediadores culturais profissionais, que ajudam na integração e na comunicação entre as diferentes culturas e ajudam a preencher os formulários e reunir os documentos que são necessários para tratar de vários processos, como, por exemplo, o visto de residência. É o caso de Tâmara Carvalho, que está na fila desde as 3h, precisamente para tratar de um problema no visto de residência. Fala num descaso para com o imigrante, apesar de entender também as reivindicações da greve. Ainda assim, alerta que é preciso olhar também para quem está na fila desde madrugada.

É uma questão de direitos. Direitos humanos, vamos considerar dessa forma. É questão de direitos. Eu acredito que eu venho, eu contribuo, eu faço o melhor, mas é um direito que eu tenho.

Esta indicação de greve os desanimou um bocadinho?

Bastante.

Apesar de não ser...

A gente entende, talvez, a situação do lado deles, talvez da necessidade da greve, mas seria compreensível eles entenderem o lado do imigrante também.

O relato de uma das muitas pessoas que está nesta fila desde madrugada. Ainda não é possível perceber o impacto desta greve dos trabalhadores que exigem incorporação nos quadros da instituição e que denunciam a precariedade desta função. Entretanto, como dizia, os membros deste sindicato começam a chegar e são cada vez mais pessoas nesta fila também a tentarem ser atendidas esta manhã.

E Nadine Soares, agora que passam cinco minutos das 8h, ainda não abriram as portas da delegação da AIMA, nos Anjos, em Lisboa, onde estás esta manhã. Os mediadores culturais estão em greve. Vão também manifestar-se mais logo à tarde junto à sede do governo. Vai ser num protesto que está marcado para às 15h. O secretário-geral do PS responde aos críticos e justifica a polêmica visita à Venezuela. José Luís Carneiro explica que foi defender a comunidade portuguesa e os presos políticos. O líder socialista foi à Venezuela cerca de três meses depois da captura de Nicolás Maduro. Foi uma visita que mereceu críticas da oposição, também incômodo no próprio Partido Socialista. A entrevista ontem à noite no programa da SIC, Isto é Gozar com Quem Trabalha, José Luís Carneiro justifica a visita com uma resposta a quem o criticou.

Eu fui porque eu conheço bem a Venezuela. Fui lá 10 vezes e visitei a Venezuela em circunstâncias muito difíceis. E entendi que tinha o dever de ir à Venezuela com dois propósitos fundamentais: exigir a libertação dos detidos políticos e, por outro lado, garantir que continua a haver proteção à comunidade portuguesa, porque não tenho sido à Venezuela, tenho sido também noutros locais onde tenho visitado as nossas comunidades. E um líder político deve estar mais próximo de quem está mais distante, particularmente dos centros de decisão e que vive momentos muito grandes de incerteza. Essa é a diferença entre quem fica no conforto dos gabinetes e quem gosta de dar a cara e assumir as responsabilidades junto das pessoas.

José Luís Carneiro a dizer que deu a cara nesta visita à Venezuela. Já sobre as cartas a Luís Montenegro, às quais não obteve resposta, Carneiro diz que o primeiro-ministro podia aprender muito com essas propostas. O secretário-geral do PS esteve neste programa da SIC depois do congresso do partido, em Viseu, onde prometeu ser oposição firme ao governo, mas também disse que está disponível para convergir com Luís Montenegro. O congresso do PS está em destaque a esta hora no site do Observador. Donald Trump reforça as ameaças ao Irã. O presidente dos Estados Unidos afirma que quer ficar com o controle do petróleo do país, repete que pode facilmente tomar a ilha de Kharg e defende que a guerra já levou a uma verdadeira mudança de regime em Teerã. Donald Trump mantém a postura expansionista com novas ameaças e avisos ao Irã, numa altura em que a guerra no Médio Oriente entra no trigésimo dia. São os destaques de uma entrevista que o presidente dos Estados Unidos dá ao jornal Financial Times e que foi divulgada esta madrugada. Laura Figueiredo, Donald Trump não dá sinais de abrandamento e admite até expandir a ofensiva.

Sim, agora Donald Trump diz que quer ter o controle do petróleo iraniano, uma intenção expressa numa entrevista ao Financial Times, onde o presidente norte-americano admite também essa possibilidade de anexar a ilha de Kharg, diz que continua em cima da mesa, esta ilha que é responsável por 90% das exportações de petróleo. Donald Trump deixa a porta aberta a uma invasão, diz que a Casa Branca tem muitas opções.

E nesta entrevista, Laura, Donald Trump insiste também que a morte dos líderes iranianos se traduz numa verdadeira mudança de regime no país.

O presidente norte-americano considera que o facto de os Estados Unidos terem abatido algumas das principais figuras-chave do Irão significa por si só o colapso do antigo regime. Donald Trump diz que o primeiro regime foi dizimado, que o segundo está já praticamente morto. Quanto ao terceiro, diz que Washington está agora a lidar com pessoas muito mais razoáveis. No terreno, esta manhã está a ficar marcada por uma troca de ataques entre Israel e o Irão.

Sento que para hoje, Laura, estão também agendadas negociações entre quatro países, o Paquistão, a Arábia Saudita, o Egito e a Turquia.

São encontros que pretendem pôr fim ao conflito. O Paquistão já se ofereceu para mediar as negociações entre os Estados Unidos e o Irão. Já ontem houve também uma reunião em Islamabad com os quatro ministros dos Negócios Estrangeiros, o encontro que demorou horas e que terminou sem resultados conhecidos. E dar conta também, Carla, de que isto numa altura em que o preço do petróleo continua a subir. Nas últimas horas, o preço do barril do petróleo chegou aos 116 dólares.

Laura Figueiredo, com os destaques deste trigésimo dia de conflito no Médio Oriente.

Na análise, o especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner, descreve estas declarações de Donald Trump como fantasiosas.

Nesta entrevista ao Financial Times, o presidente norte-americano afirmou também que o cessar-fogo com o Irão pode ser alcançado em breve. Ora Miguel Baumgartner discorda, diz que o Irão não tem necessidade de seguir o plano de 15 pontos de Trump, plano esse que considera ser apenas uma maneira do presidente dos Estados Unidos se salvar.

Essas afirmações são profundamente fantasiosas, como tem sido fantasiosa toda esta operação no Irão, uma vez que nem os países da NATO vieram em seu auxílio. E uma vez que nós estamos, porque o Irão escalou esta guerra para a questão económica, o Irão não vê a necessidade de negociar naqueles termos, porque aqueles termos seriam uma capitulação do regime, em que politicamente, o regime ainda não está nessa fase. Portanto, estes 15 pontos é mais uma fantasia de Donald Trump para tentar justificar em casa, onde está a ter problemas políticos internos no seu partido, mas também naquilo que são as sondagens.

É a análise do especialista em Política Internacional, Miguel Baumgartner, no Gabinete de Guerra desta manhã. Entretanto, a Guarda Costeira dos Estados Unidos vai permitir a passagem de um navio de crude russo com destino a Cuba. O país está há meses com falta de energia, é atingido por apagões regulares devido a um bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos.

São agora 08h10, Carla. Antes dos Momentos de Glória, que outras notícias marcam esta manhã?

Uma nova atualização no Médio Oriente. Israel recuou na proibição de entrada no Santo Sepulcro à mais alta autoridade católica da Terra Santa, o patriarca latino. O primeiro-ministro israelita diz agora que o patriarca pode realizar serviços religiosos como desejar. A polícia israelita impediu o patriarca de aceder à Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos, uma celebração católica que se realiza uma semana antes do domingo de Páscoa e que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém. Tel Aviv encerrou ontem todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, invocando razões de segurança, uma decisão que foi criticada pelo governo português e também pelo presidente da República. Agora chega a decisão de Israel de recuar nessa proibição. O advogado Pedro Delito está a ser investigado em mais um processo disciplinar no âmbito da Operação Marquês. É o oitavo processo no histórico do profissional. O advogado já foi punido com multas e censura em três dos casos. Outro dos processos foi arquivado e os outros três foram arquivados na sequência da anistia papal aplicada em 2023, à altura da visita do Papa Francisco a Portugal. Agora, o novo processo surge na sequência da participação do Juízo Central Criminal de Lisboa, onde decorre o julgamento da Operação Marquês. O Observador tentou contactar Pedro Delito, mas até agora não obteve resposta. A obra de José Saramago pode vir a ficar de fora dos conteúdos obrigatórios da disciplina de português do 12º ano. A proposta consta da revisão das aprendizagens essenciais para o ensino básico e secundário, que está em fase de consulta pública. A ideia é acrescentar aos dois romances de Saramago, atualmente no programa, "Memorial do Convento" e "O Ano da Morte de Ricardo Reis", uma terceira opção do livro de Mário de Carvalho, "Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde". A Páscoa vai ser de sol e de temperaturas altas. Amanhã e quarta-feira estão previstas máximas que podem chegar aos 26 graus. As noites serão, no entanto, mais frias. São estas as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.