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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Os professores têm até hoje para concluírem a correção dos pedidos de recurso e dos exames nacionais da segunda fase. As notas devem sair na sexta-feira. O Ministro da Educação garantiu ontem que todas as datas previstas vão ser cumpridas. E voltou a garantir também que nenhum aluno vai ser prejudicado no acesso ao ensino superior. De acordo com Fernando Alexandre, ontem à tarde já estavam classificadas 97% das provas da segunda fase e cerca de metade das reapreciações. Junta-se agora a este jornal das 8 horas a porta-voz do movimento Missão Escola Pública, Cristina Mota. Bom dia, obrigada por estar conosco. Hoje temos esta data importante para os professores classificadores e relatores de encerrar trabalho. Parece-lhe, e até com os vários casos que tem denunciado nos últimos dias, parece-lhe que isso vai mesmo acontecer?
Bom dia, agradeço o convite para estar convosco. Infelizmente, não nos parece que seja possível. Aliás, temos confirmação que nem todos os relatores têm condições para terminar o seu trabalho no dia de hoje. Portanto, as escolas já indicaram o prolongamento do prazo para o trabalho desses professores até dia seis. Temos informação, inclusive, que ontem chegaram convocatórias para mais professores conseguirem fazer a reapreciação de provas que estão em falta e também no que diz respeito aos classificadores que estão a classificar os exames da segunda fase, também ontem ainda tivemos indicação que alguns vão receber mais itens, portanto, consideramos impossível o trabalho estar concluído no dia de hoje. Aliás, à semelhança do que aconteceu na primeira fase, em que, ao contrário do que Fernando Alexandre dizia, o prazo foi sendo prolongado até o dia 17, dia da afixação das pautas, dia inclusive onde muitos classificadores estavam ainda a trabalhar. Acreditamos que o mesmo vai acontecer com quer a segunda fase, quer as reapreciações e no que diz respeito principalmente a estas, consideramos muito difícil termos as pautas no dia 7, portanto, sexta-feira. Acreditamos que possa acontecer o mesmo que aconteceu na primeira fase, em que são afixados alguns resultados e depois posteriormente esses resultados serem atualizados.
Mesmo no caso da segunda fase dos exames nacionais, ontem o ministro disse que 97% das provas já estavam corrigidas ontem à tarde. Ainda assim, parece-lhe que nem nos exames nacionais isso vai ser possível.
Entendemos que apesar de ser um número muito menor que na primeira fase, portanto é cerca de um terço dos exames, mas lembramos também que os 90% foram apresentados muitas vezes no discurso de Fernando Alexandre e de outros elementos do governo no que diz respeito à primeira fase, até mesmo no próprio dia da afixação dos resultados, deu a certeza no Parlamento que todas as classificações estavam concluídas e depois verificámos que não. Portanto, o fato desse número ter surgido no dia de ontem não nos tranquiliza relativamente ao trabalho que já está concluído e que está em condições de ser afixado na sexta-feira, infelizmente. Acreditamos que ainda vamos ter constrangimentos na segunda fase e garantidamente vamos ter vários no que diz respeito às reapreciações.
E, portanto, Cristina Mota, nem a tranquiliza o fato de o ministro ter ontem dito que esta fase está a correr muito melhor do que a primeira?
Nós entendemos que os relatos efetivamente estão em menor número devido à dimensão dos-
O universo é menor.
Exatamente. Mas tendo em conta inclusive o investimento que foi apontado, 2,5 milhões de euros para se corrigir os problemas da primeira fase, entendemos que nesta fase não deveria de existir qualquer problema e entendemos que foi de alguma forma irresponsável o avançar para esta fase nos mesmos moldes da primeira que já tinha dado problemas, ficando impossível concretizar a principal frase dita por Fernando Alexandre que é: "Nenhum aluno será prejudicado." Entendemos que neste momento já é impossível tal acontecer e que era muito importante que Fernando Alexandre tivesse acatado a indicação do parecer da Ordem dos Advogados para parar todo o processo enquanto os problemas da primeira fase não estavam concluídos, porque certamente com a afixação de quaisquer resultados na sexta-feira, vamos acumular mais problemas e trazer ainda a agravar mais a falta de equidade nos alunos que vão aceder ao ensino superior este ano, que garantidamente não vai ser um sistema equitativo como temos tido nos últimos anos.
E é por isso que mesmo sem esta segunda fase estar concluída, como diz, deveria ser na sexta-feira, vamos ver como será. É por isso que já se pensa na próxima fase, na época especial de setembro. Ontem ficámos a saber que os professores do terceiro ciclo não vão participar na fase da classificação destas provas. Já é possível perceber que impacto é que esse processo pode ter. Provavelmente aqui estaremos a falar de um universo ainda mais reduzido de alunos.
É certo, mas é um universo que vai fazer com que todo o trabalho de início de ano letivo fique comprometido. Portanto, mesmo que os professores de ensino secundário, que também lecionam terceiro ciclo, fiquem dispensados da classificação, lembramos que não estão dispensados de todo o trabalho de preparação do ano letivo, quer das reuniões para se iniciar o ano letivo, quer de todo o outro trabalho que vai ter lugar, professores esses que não tiveram, certamente, o período de férias e descanso necessário. Era importante haver aqui um adiamento do início do ano letivo para o terceiro ciclo, porque depois ainda vamos ter aqui uma outra questão, já no final do ano letivo, quando terceiro ciclo e secundário tiverem a conclusão do ano letivo em semanas distintas e têm os dois de realizar as provas finais de ciclo e os exames do próximo ano letivo, cuja data poderá ser condicionada justamente por esta discrepância a nível do início do ano letivo. E lembramos que nas escolas não é só o que diz respeito aos exames, ao início do ano letivo, que vai estar em causa nas primeiras semanas de setembro. Lembramos, por exemplo, até a recolha dos manuais ou dos kits digitais, que é feita por assistentes operacionais, também poderá estar condicionada pelo fato de termos uma época especial de exames que condiciona toda a logística da escola. Não é possível existir barulho, portanto, existem aqui uma série de logísticas que têm que ser preparadas e que vai condicionar. E era importante começarem todos ao mesmo tempo para tentar, dentro da anormalidade, termos a maior tranquilidade possível.
Cristina Mota, muito obrigada por ter estado conosco em direto neste jornal. É a porta-voz da Missão Escola Pública, com esta indicação. Já avisar que será muito difícil que se cumpra a data de 7 de agosto, a próxima sexta-feira, para a fixação total dos resultados, quer dos exames nacionais da segunda fase, quer também das reapreciações que foram pedidas pelos alunos. Recorde-se também que ontem, na Comissão Permanente, o ministro da Educação revelou que das provas que já foram sujeitas a recurso, 70% dos alunos melhoraram nota, 20% pioraram e 10 mantiveram resultados. Diz o ministro que este é um padrão semelhante a anos anteriores.
A Procuradoria Europeia está a investigar contratos feitos pela Polícia Judiciária durante a liderança de Luís Neves, atual ministro da Administração Interna.
Em causa estão contratos para remodelações e empreitadas que a Judiciária estabeleceu com a Constru Barcelos, a mesma empresa responsável pelas obras na casa do antigo diretor nacional da PJ. Esta empresa faturou mais de € 2 milhões com obras na Judiciária entre 2019 e 2025. A notícia foi avançada ontem pela CNN Portugal, que refere que a Procuradoria Europeia iniciou um processo de verificação destes contratos, ou seja, uma espécie de averiguação preventiva. O procedimento não foi comunicado ao Procurador-Geral da República, mas já há uma reunião marcada com o atual diretor nacional da Judiciária, Carlos Cabreiro. O ministro Luís Neves reagiu à CNN, saúda a investigação, diz também estar inteiramente disponível para colaborar com as autoridades.
A Ordem dos Médicos Dentistas saúda a promulgação do diploma que prevê a criação da carreira de dentista no SNS, mas deixa também alertas ao governo. Ou cumpre o prazo de três meses para a implementação da medida ou deve sofrer consequências políticas.
É o aviso de Miguel Pavão, feito aqui na Rádio Observador, depois de ontem o Presidente da República ter promulgado o diploma que reconhece a carreira especial de médico dentista no SNS. A medida, aprovada na generalidade no Parlamento, pode agora avançar. O bastonário espera, por isso, rapidez do Ministério da Saúde na implementação.
Estamos com uma expectativa muito elevada, que realmente um governo, que é um governo que executa, execute desta vez também esta criação da carreira do ponto de vista da sua operação, que a implemente. Por isso, caso não venha a ser feito, eu julgo que deve ser feito um apuro político e também de chamar à responsabilidade. Obviamente, não há sanções sobre não ser cumprido este prazo, mas há, sob o meu ponto de vista, sempre um preço político a pagar.
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, diz que esta é uma luta antiga da classe. Lembra que a primeira proposta para a criação da carreira de dentista no SNS foi feita há 40 anos. Nunca chegou a ser implementada, por isso pede agora eficácia ao ministério de Ana Paula Martins.
Vamos ainda à crise migratória em Ceuta. Hoje há uma reunião de emergência dos ministros da Administração Interna da União Europeia e do espaço Schengen.
O encontro foi convocado pelos 22 líderes europeus depois de terem pedido, no sábado, uma reunião para avaliar e responder à entrada ilegal de dezenas de milhares de pessoas no enclave espanhol. Alguns deles, como Itália, Finlândia, Dinamarca e Chéquia, chegaram a pedir a suspensão de Espanha no espaço Schengen. Portugal não fez esse pedido, nem subscreveu a carta a pedir o encontro, mas Luís Neves vai participar na reunião por videoconferência. Neste encontro participam também países do espaço Schengen que não pertencem à União Europeia, casos da Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, além de entidades como a Europol, Frontex ou a Agência Europeia para o Asilo.
E ontem à noite, Carla, Espanha e Marrocos voltaram a trocar acusações.
O governo marroquino diz que a decisão do Supremo Tribunal de Espanha, que proíbe o repatriamento imediato de um imigrante que entre por via marítima em Ceuta ou Melilha, enfraqueceu um elemento crucial na cooperação bilateral. A fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Marrocos falou numa responsabilidade partilhada em declarações citadas pela Agência EFE, diz que avisou o governo de Madrid de que uma situação destas poderia vir a acontecer. Na resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha emitiu um comunicado em que assegurou que o acórdão do tribunal não abre qualquer via de entrada de imigrantes para o país. Na mesma nota, o governo de Pedro Sánchez garante que praticamente todos os imigrantes que chegaram a Ceuta já foram repatriados para Marrocos.
São agora 08h13. Antes dos Momentos de Glória, Carla, que outras notícias marcam a atualidade?
Seis pessoas morreram e nove ficaram feridas em ataques ucranianos em território russo nas últimas horas. De acordo com a agência Reuters, a Ucrânia atacou armazéns perto das cidades de Moscovo e de São Petersburgo. Donald Trump diz que o Irão tem agora a última oportunidade para conseguir um bom acordo. Declarações ontem à noite na Casa Branca. Teerão continua a negar estar em conversações com os norte-americanos. A investigação ao espião português que vendia segredos à Rússia está no centro do novo podcast Plus do Observador. O segundo episódio já está disponível.
Revela toda a vida dupla do espião do SIS que a investigação acabou por descobrir.
Descobrir num processo que era complexo.
Tínhamos que explorar todas as hipóteses. Uma investigação, quando é aberta, não pode ser: "Vamos apostar." Nós temos que pôr tudo em aberto e daí, se calhar, temos que ir mesmo ao fundo da questão em matéria de conhecer aquela pessoa, quais são os seus hábitos, com quem é que se relaciona. Todos os aspectos podem ser importantes num caso como este. Portanto, nós tivemos que lançar mão todos os meios especiais de obtenção de prova, as interceções telefónicas, as vigilâncias, a informação bancária, enfim, toda essa panóplia de dados que depois têm que ser trabalhados, analisados, cruzados para se chegar a alguma coisa.
A investigação encontra uma dificuldade acrescida. Como membro do SIS nas reuniões da Unidade de Coordenação Antiterrorismo da PJ, Carvalhão Gil conhece muitos dos inspetores que o estão a investigar.
A narração está a cargo do ator Ivo Canelas, a música original é de Bruno Pernadas e a investigação, do jornalista Pedro Reino.
Todas as semanas há um novo episódio, mas se for assinante Standard ou Premium do Observador, já tem neste momento acesso a todos os seis episódios.