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Oito e um. As notícias na sua rádio, com Carla Jorge Carvalho. O Tribunal de Contas perdoou algumas infrações financeiras a Luís Neves quando era director nacional da Polícia Judiciária. Em causa estão sobretudo dois contratos para a compra de combustíveis e viagens.

O Tribunal de Contas concluiu uma auditoria feita em 2023, quando Luís Neves era director da Judiciária, que estes contratos não respeitaram as regras de contratação pública. Foram ainda levantadas dúvidas em relação a situações irregulares, como por exemplo, na utilização do cartão de crédito ou a atribuição de telemóveis. A ex-directora nacional adjunta Luísa Proença também é visada, mas por outra irregularidade: a não constituição de um fundo de viagens e alojamento. De acordo com o relatório da auditoria a que o Observador teve acesso, o veredicto sobre as contas da PJ foi favorável, com reservas. Quer isto dizer que o Tribunal de Contas aprovou a gestão financeira, mas com reparos à actividade e à forma como foi gerida a Judiciária.

Carla, as infrações foram comprovadas, mas o Tribunal de Contas perdoou Luís Neves com base num mecanismo previsto na lei.

Um mecanismo de perdão que pode ser utilizado mediante três condições, aqui resumidas pelo jornalista João Paulo Guedinho.

Quando há negligência, quando nunca tinha havido uma recomendação anterior e quando se trata da primeira falha, por assim dizer, do visado. Em suma, se não havia uma falha prévia, nós deixamos passar esta a primeira. É um pouco esse o espírito da lei. E com isso, tendo em conta que esta também foi, se eu não me engano, a primeira auditoria do Tribunal de Contas e até de um órgão de controle sobre a PJ, pelo menos durante o mandato do Luís Neves, estava sempre salvaguardado esse ponto de vista. Porque ele não tinha sido ainda fiscalizado, digamos assim, por esta entidade. Nos argumentos, eles próprios invocam isso, que era a primeira vez que a sua conduta estava a ser questionada e que só isso já atestava a sua boa fé, a sua probidade e o seu rigor na gestão.

As explicações do jornalista João Paulo Guedinho na História do Dia. Nestas irregularidades estão também incluídas as verbas pagas à Constro Barcelos, do empreiteiro amigo do Luís Neves. O Tribunal de Contas formalizou ao todo cerca de duas dezenas de recomendações. Sugere, por exemplo, uma revisão das normas e procedimentos internos na Judiciária.

Esta é a notícia que faz manchete. É a história no site do Observador e também o tema em análise na História do Dia. André Ventura sugere que pode ter sido Luís Neves, enquanto era director da Polícia Judiciária, a enviar a António Costa a pen com dados de espiões, pen que foi encontrada no gabinete de Vitor Escária, no âmbito da Operação Influencer.

André Ventura admite que não tem provas do que diz, mas considera que o caso deve ser investigado. A pen foi encontrada dentro de um saco de plástico, guardada num cofre no gabinete de Vitor Escária, então chefe de gabinete do primeiro-ministro. Terá sido uma das várias pens apreendidas no âmbito da Operação Influencer. O inquérito foi entretanto arquivado, mas André Ventura sugere agora que o caso pode ter estado na origem do afastamento da Judiciária na investigação ao caso Influencer.

Eu junto isso ao que sei agora, à pen que António Costa tinha com os nomes dos espiões e de inspetores, etc.

Mas como é que isso está relacionado aqui? Onde é que a pen está relacionada com Luís Neves?

Porque a informação que foi dada ao primeiro-ministro por alguém que sabemos que era muito próximo dele, que era o Luís Neves. E, portanto, toda a gente sabe isso.

Mas tem provas de que foi Luís Neves que deu essa pen?

Não tenho provas, mas acho que deve ser investigado. Por isso é que há uma CPI, porque hoje há elementos muito sérios que estão à nossa frente, que mostram que Luís Neves se deixou levar por cumplicidades políticas na gestão de uma instituição que tem que estar acima de toda a suspeita.

André Ventura, em entrevista ao canal NOW, a levantar novas suspeitas sobre Luís Neves.

E a crise migratória em Ceuta também foi tema. O presidente do Chega acusa Luís Montenegro de cobardia política.

Cobardia na reação à chegada de milhares de migrantes ao território espanhol. O líder do Chega diz que tanto o primeiro-ministro como a União Europeia não lidaram bem com a situação e acusa Montenegro de querer agradar a Pedro Sánchez.

Acho que a Europa esteve muito mal e acho que o nosso primeiro-ministro esteve muito mal, francamente. Mais uma vez, por cobardia política. Mostra-se que não é um primeiro-ministro com força, com capacidade de decisão. Para agradar aos espanhóis, vem dizer: "Não, isso não se justifica ainda, etc". Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni, que não faz fronteira com Espanha, veio imediatamente dizer que quem trata assim as fronteiras não merece estar no espaço Schengen e que Itália não se vai sujeitar a isso. Devido à Espanha.

As críticas de André Ventura a Luís Montenegro sobre a crise migratória de Ceuta nesta entrevista ao canal NOW. O número de mortos em Ceuta voltou entretanto a subir. O mais recente balanço dá conta de 79 vítimas mortais. Ao todo, foram mais de 70 mil as pessoas que tentaram passar a fronteira espanhola, a maioria proveniente de Marrocos. A Espanha garante que a grande maioria destes migrantes já voltou aos países de origem.

Esta crise migratória em Ceuta veio chamar a atenção para a chamada Lei do Retorno, que está em Belém para a apreciação do Presidente da República, mas, Carla, ainda não há uma decisão de António José Seguro.

Nos últimos meses, o governo de Luís Montenegro tem tentado aprovar esta nova lei, com novos prazos para retenção nos centros de acolhimento e para expulsão de quem entra ilegalmente no país. A proposta da AD foi aprovada no Parlamento, com os votos a favor de PSD, CDS e Iniciativa Liberal. Teve a abstenção do Chega e a oposição de toda a esquerda. O jornal Eco conta que o diploma chegou a Belém na semana passada, a 30 de julho. António José Seguro tem agora até a próxima semana para enviar o documento ao Tribunal Constitucional, se tiver dúvidas, ou então terá 20 dias para vetar ou promulgar.

Entretanto, o PSD aproveita este caso para criticar o governo espanhol e as políticas do governo de António Costa para a imigração.

Se num primeiro momento o executivo do Luís Montenegro não se juntou às críticas de outros países europeus para pressionar Pedro Sánchez, os sociais-democratas começaram pouco a pouco a defender as medidas adotadas pela AD, por oposição aos oito anos da governação de António Costa. Num vídeo publicado nas redes sociais do PSD, Hugo Soares diz que durante a governação PS, entraram em Portugal mais de um milhão de pessoas, sem regras, e afirma que é o atual executivo que está a regular as entradas no país.

Provoca-nos a reflexão de como andou bem o nosso governo em regular a sério, com responsabilidade, a imigração em Portugal. Durante oito anos, o governo do Partido Socialista fechou os olhos a uma grave crise migratória que estava a acontecer em Portugal. Nós sentimos isso na pressão que houve na habitação

No Serviço Nacional de Saúde, na educação. Hoje está demonstrado que foram cerca de mais de 1 milhão e meio de pessoas que entraram em Portugal sem regra. Isso não pode voltar a acontecer. Este legado do Partido Socialista, que nós voltamos a denunciar e que condenamos, foi por nós resolvido. Chama-se regular a imigração com responsabilidade, segurança e humanismo.

O que se acha, depois de já no final da manhã de ontem, sem nunca nomear o presidente do governo espanhol, Luís Montenegro ter criticado quem não consegue regular os fluxos migratórios na Europa. Luís Nepas também seguiu a mesma linha na reunião de ministros da Administração Interna europeus.

Destaque agora para o conflito no Médio Oriente. Donald Trump diz que as negociações com o Irão estão a avançar muito bem.

O presidente dos Estados Unidos antecipa que nas próximas 48 horas pode haver novidades, mas em declarações aos jornalistas, deixa também um aviso: vai voltar a atacar se as negociações pararem. O historiador António José Telo considera que a única forma de negociação com o Irão é através da chantagem e da pressão exercida pelos Estados Unidos.

Está mais que provado que uma negociação sem pressão sobre o Irão não funciona absolutamente nada. O Irão nisso tem grande prática de negociações e, por isso, simplesmente só cede sob pressão, não cede de outra maneira. Quando os Estados Unidos falam nisso, é uma possibilidade real e é uma possibilidade que tem a potencialidade de paralisar o país, sobretudo paralisar em termos da sua capacidade de defesa e da sua indústria de defesa e da sua produção.

Análise do historiador e antigo professor catedrático António José Telo. Atenções também viradas para a Ucrânia. Pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas em novos ataques da Rússia. O ataque desta madrugada foi feito com recurso a mísseis balísticos. Rússia e Ucrânia têm intensificado a troca de ataques desde o início desta semana.

E falamos agora do eclipse da próxima semana. Depois de terem esgotado, estão novamente disponíveis os óculos gratuitos e obrigatórios para observar o fenômeno a 12 de agosto.

E para conseguir os óculos, basta ir ao site clubedavisão.pt, fazer um registo individual, reservar e levantá-los depois num ponto do país à escolha. É possível também comprar os óculos em farmácias, supermercados e em algumas lojas online. Custam cerca de €3. Yvonne Fachada, da direção da Ciência Viva, deixa um alerta para quem quiser comprar estes óculos.

É importante que os óculos, por exemplo, não tenham furos, riscos, não estejam danificados, que tenham uma marca da Comunidade Europeia visível, de preferência as lojas que forem na União Europeia ou em Portugal, e que mencionem também o regulamento da União Europeia 2016/425, além da norma ISO 12312-2, que também tenham esta norma presente.

Yvonne Fachada explica ainda o impacto que a não utilização de óculos certificados pode ter na visão.

Podem ficar com queimaduras na retina permanentes, podem ficar com uma visão distorcida durante algum tempo e até podem ter, no pior dos casos, uma perda permanente da visão. E o mesmo se aplica, atenção também aos aparelhos eletrónicos. Câmaras e telemóveis também ficam danificados pela luz solar direta, se não forem utilizados com os filtros apropriados.

Os alertas deixados por Yvonne Fachada, da direção da Ciência Viva, em relação ao eclipse que vai acontecer na próxima quarta-feira de hoje, uma semana, entre as 18h30 e as 20h30.

Da tarde, sim. A Rádio Observador tem uma emissão especial preparada para acompanhar este momento. Hoje pode ouvir novo episódio de guia para o eclipse, logo a seguir ao jornal das 17h, na tarde política. São agora 08h12. Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

Os maiores bancos portugueses lucraram 2,4 mil milhões de euros no primeiro semestre deste ano, depois de o Novo Banco apresentar os resultados do início de 2026. Já é possível fazer uma conta aos valores dos cinco maiores bancos em Portugal. BPI, BCP, Caixa Geral de Depósitos, Santander e Novo Banco lucraram mais de meio milhão por hora. O lucro da Caixa foi o que mais cresceu, enquanto o BCP lidera no resultado líquido. Hoje arranca mais uma edição da Volta a Portugal em Bicicleta. É a edição número 87, que vai para as ruas até dia 16 de agosto. A primeira etapa começa hoje, quando forem 15h20, em Lisboa, termina no Porto. Este ano são 119 os ciclistas que vão participar na Volta, 44 são portugueses.