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As notícias com Carla Jorge Carvalho. O PS vai abster-se na votação da moção de censura do Chega ao Governo. A iniciativa é votada esta tarde na Assembleia da República, mas já tem o chumbo pré-anunciado, tal como se previa.

A proposta da abstenção foi feita ontem à noite, no início da reunião da direção do PS pelo secretário-geral do partido. É uma informação apurada pelo Observador. José Luís Carneiro fez vários contactos durante o dia e chegou à reunião já com esta decisão tomada. O Observador sabe que nenhum socialista discordou, apesar de haver alguns dirigentes que defendiam o voto contra para o PS se demarcar do Chega. Durante esta manhã, a bancada parlamentar do PS vai ainda reunir-se para discutir a orientação de voto, já definida pelo líder do partido. A moção de censura ao Governo, que foi apresentada pelo Chega no âmbito dos casos que envolvem o ministro da Administração Interna, é debatida logo à tarde. O PS já tinha decidido que não iria viabilizar esta moção, mas faltava decidir se iria votar contra ou abster-se. A escolha foi a abstenção.

Como disse, esta moção de censura é votada à tarde, mas antes, ainda durante a manhã, Luís Neves é ouvido em audição regimental no Parlamento. O ministro da Administração Interna deve prestar esclarecimentos sobre o período em que era director nacional da Polícia Judiciária.

E ser confrontado com as perguntas dos deputados. A audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias está marcada para começar daqui por duas horas, às 10h. O líder parlamentar do PSD volta a sair em defesa de Luís Neves. Hugo Soares considera que o foco da audição devia ser o trabalho do ministro no governo, e não os casos em que está envolvido.

Espero que possa falar sobre o aeroporto de Lisboa e aquilo que se fez no aeroporto de Lisboa, que acabou com o caos no aeroporto de Lisboa. Aquilo que está a fazer no combate aos incêndios, cujos resultados estão hoje à vista. É isso que eu espero que seja a audição do ministro da Administração Interna, porque, no mais, todas as explicações ele já deu. Temos é um problema todos. Uns querem ouvir, outros não querem.

O líder parlamentar do PSD, em declarações aos jornalistas ontem ao final da tarde, no Parlamento. Hugo Soares considera ainda que a moção de censura ao Governo serve apenas para dar palco ao líder do Chega. Diz que André Ventura é o deputado do caos.

E Carla, em causa estão polémicas que se arrastam há quase dois meses e desde aí os casos não pararam de surgir. Importa, por isso, recordar como aqui chegámos.

O procurador-geral da República revelou na semana passada que existem vários processos a envolver o nome do ministro. Está também a decorrer, a pedido do Ministério da Justiça, uma auditoria relativa aos mandatos de Luís Neves quando era líder da Polícia Judiciária. Carlos Pedro, podem ser levantadas muitas dúvidas durante a audição na comissão parlamentar desta manhã.

Até porque de todas as vezes que Luís Neves prometeu explicar os vários casos em que se viu envolvido, acabou por criar mais dúvidas, a começar pelas obras realizadas na casa de Odemira, com a ajuda de um amigo e empresário de Barcelos, que teve vários contratos com a PJ. Este é um dos casos cuja investigação é considerada urgente pelo Ministério Público e que continuou durante as férias judiciais. Em declarações aos jornalistas, o procurador Amadeu Guerra pediu celeridade no processo. Há também dúvidas se as obras estavam devidamente autorizadas, contratadas e declaradas. Também se houve ou não a utilização de recursos públicos ou da Judiciária para benefício próprio.

Seguiu-se depois o caso do atrelado apreendido pela PJ. Foi encontrado nas instalações da Constro Barcelos, a empresa do amigo e empresário de Luís Neves.

Este será o caso politicamente mais sensível. Também por isso já houve várias justificações de Luís Neves. Primeiro disse que a decisão serviu para poupar dinheiro à Judiciária, mas acabou depois a admitir que se fosse hoje, teria feito as coisas de forma diferente. Também neste caso, o Ministério Público já abriu inquérito. De resto, o trio PJ, Luís Neves e Constro Barcelos têm originado muitas perguntas, embora o ministro rejeite qualquer favorecimento ou violação da lei. Certo é que a Procuradoria Europeia também abriu uma averiguação preventiva aos contratos realizados pela Judiciária.

Mas os casos não ficam por aqui, Carlos. Há ainda o problema das declarações de rendimentos e património.

Algumas ficaram por apresentar durante o período de Luís Neves à frente da PJ. Também deixou por apresentar informações sobre a empresa da mulher do ministro, algo que estava legalmente obrigado a fazer. Desconhecimento nuns casos, razões de segurança noutros, foram as justificações apresentadas pelo ministro. Os trabalhos desta manhã devem ainda abordar a questão do carro que é utilizado por Luís Neves e que foi apreendido a um traficante de droga.

Carlos Pedro, com os casos que têm aumentado a pressão sobre Luís Neves. Já quanto ao Presidente da República, o Observador apurou que António José Seguro não fará nenhuma declaração pública sobre a moção antes de ela acontecer, embora seja possível que se pronuncie depois de ser confirmado o desfecho.

E pode acompanhar a audição de Luís Neves numa emissão especial que começa às 9h e que se prolonga ao longo da tarde para acompanhar o debate e a votação da moção de censura.

8:06. Já a seguir, há momentos de glória. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de terça-feira.

André Ventura reforça que a vitória do partido de extrema-direita AFD nas eleições regionais na Alemanha significa uma conquista importante para o Chega. Ao Observador, o líder do partido fala num sinal de que os ventos estão a mudar na Europa e considera que esta vitória valida as bandeiras do Chega. André Ventura considera também que o resultado da AFD dá esperança ao Chega de vir a bater os partidos tradicionais em Portugal nas próximas eleições. A Rússia voltou a atacar Kiev. Pelo menos duas pessoas morreram, 10 ficaram feridas. São os dados avançados pelas autoridades ucranianas. Os ataques são assim retomados depois do cessar-fogo de três dias por ocasião da visita dos enviados especiais de Donald Trump à Ucrânia e à Rússia. Trinta concelhos de seis distritos estão hoje em perigo máximo de incêndio rural. O alerta do IPMA abrange os municípios de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro. Há ainda mais de 50 concelhos em perigo muito elevado, sobretudo no Norte e Centro. O IPMA prevê que o risco se mantenha muito elevado em algumas regiões, pelo menos até ao fim de semana.