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São 8:01. O secretário-geral do PS reforça que só vai começar a olhar para a proposta do Orçamento do Estado quando o governo esclarecer quatro questões relacionadas sobretudo com a revisão constitucional e as pensões.
José Luís Carneiro volta a não fechar a porta à viabilização do Orçamento do Estado de 2027, em nome da estabilidade, mas repete que há quatro condições que o Primeiro-Ministro tem de garantir, de forma a poder contar com o Partido Socialista.
Ele tem publicamente de se comprometer com o PS de que não haverá alterações à Constituição, relativamente às quais os dois partidos fundadores da democracia não estejam de acordo. Em segundo lugar, e aqui o Primeiro-Ministro já deu essa garantia, não se pode mexer nas pensões. E há duas outras questões: como é que se vão financiar os investimentos previstos em escolas, hospitais, centros de saúde e equipamentos sociais depois do plano de recuperação e de resiliência, na medida em que o governo deixou por executar muitos desses projetos? Por outro lado, como é que o governo vai responder às tempestades, nomeadamente nos apoios que prometeu às empresas, às famílias e às autarquias?
José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas ontem à noite, durante uma visita às Festas das Vindimas, em Palmela, e isto depois do debate e votação da moção de censura. O líder do PS avisa que só depois de haver uma palavra clara do Primeiro-Ministro sobre estas matérias é que os socialistas vão olhar para a proposta de Orçamento do Estado.
O Ministro da Presidência anuncia que nos próximos dias o governo vai começar a reunir-se com os partidos para apresentar precisamente as ideias do Orçamento do Estado.
O anúncio é feito por António Leitão Amaro, em entrevista ontem à noite à CNN Portugal, depois do debate e da votação no Parlamento da moção de censura. Neste debate, o Primeiro-Ministro anunciou uma redução do IRS e um bónus nas pensões. O Ministro da Presidência rejeita a ideia de eleitoralismo e, sobre a eventual pouca margem para as negociações do Orçamento do Estado, deixou uma questão à oposição.
Se alguém quiser impor alguma dessas outras medidas, tem que dizer qual é o imposto que não desce. Designadamente, se quer prescindir da redução de IRS ou se não quer dar o suplemento aos pensionistas. Nós acreditamos nesta receita. Baixar o custo sobre o trabalho, valorizar as pensões e baixar o preço dos combustíveis através da redução dos impostos nesta medida. Quem quiser outras medidas, que nós achamos que não funcionam, não são tão boas economicamente, não valorizam o trabalho, mas tem que explicar, porque a resposta à sua pergunta essencial é: se há, na nossa conta, margem para trocar aqui e para acrescentar outras medidas sobre os combustíveis em cima dessas, nós, com a informação que temos, neste momento, entendemos que não e, portanto, teria que ser não baixar o IRS.
António Leitão Amaro, em entrevista à CNN Portugal, o ministro da Presidência defende que as medidas surgem numa altura em que as contas públicas e os números da economia permitem devolver dinheiro aos portugueses.
E essa ideia é acompanhada pelo ministro das Finanças. Joaquim Miranda Sarmento garante que 2026 vai terminar com as contas públicas equilibradas, mesmo com as medidas anunciadas ontem pelo Primeiro-Ministro. Foi em entrevista à Sic Notícias. Joaquim Miranda Sarmento explica que o governo apenas tomou estas medidas graças ao equilíbrio das contas, que o executivo acredita que vai continuar.
É óbvio que se dissermos assim, se em novembro ou em dezembro houver uma nova tempestade da dimensão daquela que aconteceu em fevereiro ou houver um cataclismo muito grande, obviamente que isso altera o panorama. Mas não acontecendo, e com a confiança com que sempre dissemos em 2025, o país teria um superávit robusto e teve um superávit de 07, nós manteremos as contas públicas equilibradas, a redução da dívida, que é o mais importante, e a dívida continuará a descer, e apesar destas duas medidas que tomamos. Aliás, só tomamos estas duas medidas exatamente porque agora temos a confiança dos números da execução orçamental que nos permitem dar este passo.
O ministro das Finanças defende ainda que o governo faz uma escolha política ao apostar em dar mais rendimento aos portugueses, em vez de baixar mais o imposto sobre os combustíveis, e explica que estas medidas vão começar a ser sentidas no bolso dos portugueses a partir de novembro.
No Médio Oriente, a noite volta a ficar marcada por uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irão.
Os Estados Unidos atacaram cinco petroleiros ligados à Guarda Revolucionária Iraniana. Teerão retaliou com o ataque contra a base aérea norte-americana na Jordânia. Esta troca de ataques tem feito disparar o preço do barril de petróleo. Na análise, o militar Francisco Prensa Garcia antecipa que este aumento do custo de vida, que se sente em todo o mundo, vai acabar por obrigar os Estados Unidos e o Irão a ceder nas negociações.
Nenhum quer ceder, mas ambos vão ter que ceder, porque senão o petróleo continua a disparar. Já se fala em chegar acima de US$ 120. Vejam o impacto que isso vai ter na carteira dos norte-americanos. Na nossa já está a ter. Esta semana tivemos mais um aumento da gasolina e vai continuar. O impacto que isto tem em toda a cadeia de produção, em toda a logística. E eles vão ter eleições intercalares, de maneira que penso que o presidente Donald Trump tem que mostrar que está a fazer alguma coisa e que não está a obter resultados. Serve de desculpa estes bombardeamentos. Por outro lado, tem que negociar, porque senão não encontramos uma solução para o estreito e para o preço dos combustíveis.
Análise de Francisco Prensa Garcia, militar, investigador e professor catedrático, em mais uma edição do Gabinete PR, edição desta manhã. Entretanto, noutra frente, Donald Trump anunciou novas tarifas ao Canadá. Na reação, o governo canadiano diz que mantém a porta aberta ao diálogo comercial com Washington.
São 8:07, já a seguir nova edição dos Momentos de Glória. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
A Entidade Reguladora da Saúde aplicou quase meio milhão de euros em multas apenas no primeiro semestre do ano. É o número referente a 143 processos de contraordenação, é o que indica o relatório divulgado hoje. Estes dados representam uma diminuição face aos números do ano passado, quando foram registados mais de 180 processos num valor superior a €600 mil de coimas. Na Liga dos Campeões, o Futebol Clube do Porto perdeu em casa contra o Manchester City por 2 x 0. É a primeira derrota da temporada da equipa portuguesa. Agora no regresso à Liga dos Campeões, hoje é a vez do Sporting entrar em campo. Vai receber, às 20h, o Galatasaray. Já para o campeonato nacional, o Benfica vai acertar calendário, joga contra o Moreirense, partida que arranca às 20h45. Dois jogos com relato e comentários na Rádio Observador.