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Porção, nove horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Pela primeira vez desde o início das negociações, a UGT não hesitou em rejeitar o pacote laboral. "O Observador" sabe que na reunião de ontem, Mário Mourão foi inequívoco e as propostas da CIP nem sequer foram mencionadas.

E isto apesar da Confederação Empresarial de Portugal ter mostrado cedências à UGT no dia da véspera da reunião. Da concertação social não saiu nenhum acordo e, por isso, o projeto de revisão laboral vai avançar agora para o Parlamento, porque, na realidade, Miguel Gato, no encontro de ontem não houve negociação real.

Nem a ministra do Trabalho, nem a UGT se referiram às propostas da CIP quando os parceiros sociais se sentaram ontem à mesa da concertação. O tema nunca foi abordado. Um dos presentes na reunião conta ao Observador que, pela primeira vez em todo o processo, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, foi inequívoco a dar um não ao acordo para a reforma laboral e os patrões também assumiram que já era tempo de seguir em frente e a proposta seguir para a Assembleia da República. "O Observador" sabe que boa parte do encontro de ontem, que durou cerca de uma hora e meia, acabou não por ser uma negociação real, mas sim uma homenagem a João Vieira Lopes, que está de saída da presidência da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.

E agora, Miguel, a grande dúvida é o teor da proposta que vai ser apresentada.

Sobre isso, ontem, em conferência de imprensa, após a reunião, a ministra disse o seguinte:

O governo vai, naturalmente, votar e aprovar algo parecido com o projecto que decorre do grande projecto inicial, mas obviamente enriquecido com os contributos que considera úteis e que retirou deste processo e dos nove meses de muitos contributos que também fora da CPCS nos vieram chegar.

A ministra promete levar ao Parlamento a versão que deu a conhecer ao país em julho do ano passado, com alguns acrescentos que resultaram destas negociações, mas não concretiza.

E Miguel, depois de mais de 200 horas de reuniões, contando as formais e as informais, e apesar de não haver acordo em concertação social, a ministra diz que não se demite.

Diz que não se demite e nega uma derrota pessoal ou política.

Eu acho que uma derrota seria não levar esta proposta. O governo tem que cumprir o seu programa e é esse o seu compromisso para com os portugueses.

A ministra do Trabalho explica que já está concentrada na próxima fase do processo, entregar a proposta de reforma laboral a Luís Montenegro, aprová-la em Conselho de Ministros e depois levá-la à Assembleia da República.

Miguel Gato com os bastidores da reunião de concertação social que ditou o fim das negociações para a reforma do pacote laboral. O projeto de lei segue agora para a Assembleia da República sem a garantia de aprovação, nem pelo PS, nem pelo Chega.

E a ministra do Trabalho vai ser entrevistada aqui na Rádio Observador já a seguir a este jornal no Sob Escuta. Continuamos a ouvir reações. O antigo secretário de Estado do Emprego, Pedro Silva Martins, considera que o chumbo da reforma laboral é uma derrota para o governo e aponta culpas não só à UGT, como ao presidente da República.

Pedro Silva Martins foi convidado da Vici e Suave desta semana da Rádio Observador. Ele esteve no governo de Pedro Passos Coelho, participou na reforma laboral aprovada em 2014, além de falar de uma derrota para o governo. Explica que a reforma laboral estava condenada ao insucesso desde o início, por várias razões.

Parece-me que grande parte das medidas propostas nestas diferentes alterações à legislação laboral eram medidas num sentido oposto àquele que a UGT, para não falar da CGTP, entende como sendo, digamos assim, os aspetos prioritários das alterações à legislação laboral.

Desprotegia em demasia os trabalhadores, é isso que está a dizer?

Exato. Todas as medidas, penso que não estou a ser injusto ou não suficientemente rigoroso, mas todas as medidas vão no sentido de introduzir maior flexibilidade na legislação laboral.

Pedro Silva Martins, a entrevista na Vici e Suave, aponta responsabilidades não só ao governo, mas também à UGT e até ao presidente da República.

Considerei essa intervenção do então candidato à presidência da República como sendo um pouco infeliz, porque estava, de alguma forma, a dar um poder de veto à UGT nesta matéria. E dessa maneira, tornou ainda mais difícil, empoderou a UGT de uma forma muito significativa e tornou ainda mais difícil que pudessem ser desenvolvidas convergências nesta área. Penso que em declarações mais recentes, o atual presidente da República tem procurado rever um pouco a sua posição, ganhar maior equidistância em relação às diferentes posições, mas enfim, o impacto ao nível da UGT já aconteceu e não pode ser revertido.

O antigo secretário de Estado do Emprego de Passos Coelho defende ainda que independentemente do desfecho das negociações, que vão seguir agora no Parlamento, a ministra do Trabalho tem condições para continuar no cargo. Ministra do Trabalho que vai estar já a seguir no Sob Escuta da Rádio Observador. Primeiro, tempo ainda para as outras notícias que marcam a atualidade.

Destaque para a morte do histórico dirigente do PCP, Carlos Brito, tinha 93 anos. O PCP recorda o percurso antifascista do antigo dirigente e a contribuição na Revolução de Abril, apesar de sublinhar também as conhecidas diferenças e o distanciamento político. Recorde-se, em 2002, Carlos Brito foi suspenso do partido pela direção do PCP, ao ter fundado a Ala Renovadora. O presidente da República reage com profunda tristeza à morte de Carlos Brito. António José Seguro recorda um homem de convicções firmes e de coragem cívica. Volodymyr Zelensky acusa a Rússia de violar o cessar-fogo do Dia da Vitória. O presidente ucraniano afirma que esta manhã foram registados mais de 140 ataques na linha da frente ucraniana. Numa publicação no Telegram, Zelensky diz que não houve por parte do Kremlin sequer uma tentativa simbólica de cessar-fogo. Cessar-fogo também muito instável no Médio Oriente. Foi mais uma noite de ataques entre Estados Unidos e o Irão. Donald Trump relativiza a troca de agressões, afirma que o cessar-fogo continua em vigor, mas ao mesmo tempo repete as ameaças de novos ataques caso o Irão não aceite um acordo de paz em breve.