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O mau e o vilão. Bom dia, Miguel Pinheiro. Como sempre, começamos pelo bom.
Bom dia. Vamos ao bom de hoje, que é o Conselho de Jurisdição Nacional do PSD. Rui Rio queria punir os sete deputados que votaram contra o fim dos debates quinzenais com o primeiro-ministro, mas o Conselho de Jurisdição Nacional recusou fazer isso. E o argumento é simples: o grupo parlamentar nem sequer discutiu previamente o assunto e Rio não impôs a disciplina de voto. Pelos vistos, Rui Rio quer ter deputados completamente obedientes aos seus desejos, mesmo que esses desejos não sejam discutidos com ninguém e mesmo que não queira pagar o preço político de ter que transformar esses desejos em ordens. Mas convém que Rio perceba, até porque foi líder deste grupo parlamentar, que um grupo parlamentar não é um quartel das Forças Armadas. Ainda.
Ainda. Vamos ao mau desta sexta-feira, Miguel.
O mau é a Segurança Social, a nossa Segurança Social, a nossa maravilhosa, admirável, notável, magnífica e competentíssima Segurança Social, que já foi salva milhares de vezes nos últimos cinco anos. Em junho, o governo decidiu criar um apoio excepcional de €438,81 aos trabalhadores informais que tiveram uma quebra da atividade no verão. Isto em junho. Depois, entretanto, como sabemos, conhecendo como funciona o calendário, passou-se a seguir julho, depois veio o agosto, a seguir setembro, passamos para outubro e estes trabalhadores que são tão desprotegidos que precisam de um apoio excepcional, receberam o valor redondo em euros, atenção que eu estou a falar em euros, receberam zero. E isto aconteceu porque a Segurança Social, coitadinha, não consegue dar seguimento ao processo. Isto é tudo demais. O governo diz que não sabe quando é que vai pagar este dinheiro, mas o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, atenção, deixou uma nota de otimismo, nem tudo é mau, e disse isto, vou citar: "Estou convencido de que essa prestação será paga nos próximos tempos." Ora, nos próximos tempos talvez seja um bocadinho vago, admito, pode ser um bocadinho vago, mas habituemo-nos, é o que temos.
É o que temos. A máquina fiscal é um Ferrari.
Ou neste caso não temos, Paulo.
Não temos. A máquina da Segurança Social é uma espécie de Trabant.
É verdade.
É, exatamente. É isso. Mas a culpa não é minha.
Foi substituída por Ferro Rodrigues, não é?
Sim, veio substituir Ferro Rodrigues.
É verdade.
Precisamente. Parece que combinaram estas coisas. Primeiro houve aquela suposta conferência de imprensa abstrusa aqui há uns dias, e eu chamo de suposta porque Marta Temido, vamos lembrar, apenas permitiu que estivessem presentes no Ministério da Saúde órgãos de comunicação social do Estado, a Lusa e a RTP. E hoje a ministra vai à região do Tâmega e Sousa, onde o Hospital de Penafiel esteve perto da rutura e, no final, vai fazer declarações à comunicação social, mas apenas permite que estejam presentes a RTP, a Lusa e uma televisão privada. Marta Temido invoca razões de segurança, mas eu sinceramente não percebo. O governo quer que os portugueses continuem a ir ao teatro e quer também que os portugueses continuem a ir às lojas fazer compras de Natal, mas esse mesmo governo, pelos vistos, não consegue organizar uma conferência de imprensa em condições de segurança para estarem vários jornalistas. Não sei, a mim parece-me evidente que consegue. Por isso, estas razões de segurança não são para levar a sério. Eu só gostava de saber se a ministra tem medo das perguntas dos jornalistas.
Vamos ao resumo de hoje. O bom é o Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, o mau, a Segurança Social e o vilão, a ministra da Saúde, Marta Temido. Foram as escolhas desta sexta-feira do Miguel Pinheiro no Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Miguel, bom fim de semana.
Obrigado. Até segunda.
E são nesta altura 08h32. Carla Jorge Carvalho, vamos a uma síntese de notícias.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM 98.7, na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.