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Bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia.
Vamos a isto: quem é, na tua opinião, o bom desta quinta-feira?
O bom desta quinta é a Provedora de Justiça. Maria Lúcia Amaral fez uma recomendação para que o governo alargue o programa de manuais gratuitos, que neste momento só existe no ensino público, mas que o alargue para os alunos carenciados do ensino privado ou cooperativo. Obviamente, o Ministério da Educação sabe que não há alunos com problemas económicos apenas no ensino público. O Ministério da Educação sabe que também há alunos com problemas económicos no ensino privado e no ensino cooperativo. E a única razão para não alargar a distribuição de manuais gratuitos a esses alunos e a essas famílias é por uma espécie de punição ideológica. Este Ministério da Educação acha que tudo o que fique de fora da escola pública é um pecado sem perdão.
E vamos ao mau.
O mau de hoje é António Sousa Lara, que ontem decidiu deixar o seu cargo de porta-voz do Chega por não querer renunciar ao seu direito a receber uma subvenção vitalícia de € 1.343,00. Ora, como o Chega é violentamente contra a existência destas subvenções vitalícias, havia aqui uma contradição insustentável. É bom lembrar que António Sousa Lara construiu toda a sua carreira política com base numa decisão que foi tomada em 1992, como Subsecretário de Estado da Cultura. Atenção, não era secretário de Estado, era Subsecretário de Estado, e foi a decisão de afastar José Saramago de um prémio literário. Nos últimos tempos, seguindo essa senda de grande sucesso, António Sousa Lara estava a distinguir-se por ser um porta-voz que não se ouvia, porque o verdadeiro porta-voz do Chega é, como toda a gente sabe, André Ventura. Não há mais ninguém, não há espaço para mais ninguém. E agora António Sousa Lara entra para os manuais de teoria política por ter resolvido, finalmente, um dilema intemporal que nos acompanha desde a Grécia Antiga. Entre as convicções e a carteira, escolheu com inabalável determinação a carteira. Pois claro, sempre são € 1.343,00, Paulo. Diz lá quanto é que isso dá em escudos. Muito dinheirinho. Muito dinheirinho.
E manter aquele bigode.
E a barba, exato. Não é para qualquer um.
E só fica a faltar o vilão de hoje.
O vilão de hoje é Marta Temido. A ministra da Saúde insiste em mascarar a realidade sempre que fala sobre a urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta. Em dezembro, Marta Temido tinha dado a entender que havia todas as condições para as urgências poderem reabrir no início do ano, em janeiro. Não reabriram. E há dias deu uma entrevista em que deu a entender que havia todas as condições para as urgências reabrirem no primeiro trimestre deste ano, portanto, em março, e não vão reabrir. Hoje, em entrevista ao Observador, nós temos estado a ouvir os sons nos noticiários, o presidente do hospital diz expressamente que não se sabe quando é que as urgências vão reabrir. E mais importante do que isso, explica porquê. É uma coisa que já toda a gente sabe, mas convém agora ser explicado pelas pessoas que estão envolvidas. O problema não é dinheiro e o problema não são vagas. O hospital tem cinco vagas de pediatras que pode preencher, tem autorização para preencher, mas ninguém quer concorrer a elas porque o hospital simplesmente não tem boas condições de trabalho. Não é dinheiro, são condições de trabalho. Não há boas condições de trabalho para oferecer a quem queira ir para lá. Portanto, convinha que a ministra da Saúde começasse a explicar aos portugueses o que realmente se passa em alguns hospitais públicos, em vez de fazer dia após dia e semana após semana promessas que sabe que não se vão cumprir. A realidade atrapalha sempre, é uma chatice.
Sim, mas isto já começa a cansar um bocadinho, porque a ministra insiste nisto e, portanto, ou não percebeu, e então é mesmo complicado, é melhor sentá-la numa cadeira e fazer um desenho.
Ela percebeu.
Pronto, então está a iludir as pessoas.
Ela pensa que as pessoas não percebem.
Sim, mas já vamos em dois prazos e não vai ficar por aqui. Se calhar as pessoas não são tão estúpidas, os eleitores não são tão estúpidos como a ministra da Saúde parece pensar. Vamos então ao resumo da edição de hoje: o bom é a Provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral. No papel de mau temos António Sousa Lara e o vilão de hoje é a ministra da Saúde, Marta Temido. Miguel Pinheiro com o Bom, o Mau e o Vilão nas Manhãs 360 da Rádio Observador e sempre em podcast. Oito e 26, a seguir a Paul Weller com "Wild Wood" para ouvir aqui nas Manhãs 360, mas antes...
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