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Está na hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro. Começa agora a nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Bom dia, Miguel.

Bom dia.

Bem-vindo ao estúdio. Bom dia.

Muito obrigado.

Quem é o teu bom hoje?

É tão bom estar aqui.

É, sempre. Neste calorzinho. Perguntava de quem era o bom.

O bom é a PJ, porque ontem os jornalistas puderam consultar o processo da morte de Odair Moniz e há uma coisa que fica muito clara: a Polícia Judiciária investigou este caso da mesma forma que investigaria qualquer outro. O facto de o suspeito ser um agente da PSP não levou a nenhum tipo de tratamento preferencial. A PJ apontou as contradições, as tentativas de criar dúvida e as versões diferentes. Quando um agente da PSP está envolvido num caso como este, as autoridades têm de ser irrepreensivelmente rigorosas, porque só assim é que se consegue manter a confiança no Estado de Direito e a polícia cumpriu escrupulosamente a sua obrigação. Ainda bem que a Polícia Judiciária fez isso, porque ali na PSP parece-me que as coisas não correram propriamente muito bem.

Pois, e daí também a importância desse trabalho da Polícia Judiciária.

Sem dúvida.

Não só o trabalho, como o ter permitido o acesso ao processo também. Também de tirar o chapéu a isso, à transparência.

Aqui não pode ficar na cabeça de ninguém que uma polícia tentou ajudar a outra, que há aqui um conluio para esconder seja o que for.

Miguel, o teu mau é alguém que se demitiu.

E em boa hora! Podemos hoje reafirmar, porque o mau é o ex-secretário de Estado da Administração Local. Ernani Dias esteve no Parlamento a dar explicações sobre o fato de ter decidido abrir duas empresas quando estava sem grande coisa para fazer no governo. Eu percebo, o homem estava ali, tinha umas horas livres, decidiu abrir duas empresas e aproveitou também para mostrar à nação todo o seu maravilhoso empreendedorismo. Ernani Dias ontem veio dizer-nos que antes de constituir a primeira empresa, até pediu a opinião da Entidade da Transparência, que segundo ele lhe terá dito em que condições é que podia fazer isso. Não vale a pena agora entrar nos detalhes desse processo, até porque a Entidade da Transparência já o desmentiu, já disse que aquele contacto de que ele falou não existiu. Se calhar, ligou para lá, alguém lhe atendeu o telefone, alguém que ia passar, atendeu-lhe o telefone.

Está aqui o tecero.

"Amigo, diga-me aí se eu posso fazer uma empresa." E do outro lado disseram: "Força, este país precisa é de empresas." Enfim, qualquer coisa assim.

Gente empreendedora.

É. Mas o meu interesse aqui é outro, porque mais à frente Ernani Dias jurou aos deputados que não tinha informado dos seus planos empresariais, nem o seu ministro, Manuel Castro Almeida, nem Luís Montenegro. E eu vou citá-lo: "Ninguém sabia daquilo que eu estava a fazer." Quando estamos a fazer coisas normais, é isto que nós fazemos. Ninguém sabe de nada. Enfim. O ex-secretário de Estado quer nos convencer que se deu ao trabalho de falar com a Entidade da Transparência, mas já não lhe passou pela cabeça falar com o ministro para quem trabalha, nem com o primeiro-ministro. Obviamente, num governo onde houvesse autoridade política, só por causa disto, Ernani Dias nunca teria tido a oportunidade de se demitir, porque antes de se poder demitir, teria sido sumariamente despedido. Mas o que nós tivemos aqui foi: o senhor pôde demitir-se, ainda teve um louvor do primeiro-ministro e por isso, depois temos figuras destas.

E agora temos a Entidade da Transparência a dizer que não validou nada. Ainda vamos puxar o fio.

Sabes o que é bom? É que, felizmente, regressaram os debates quinzenais ao Parlamento.

E eu já mais não.

Hoje, Luís Montenegro terá que estar no Parlamento e terá de responder a perguntas sobre isto, imagino eu, e sobre um assunto sobre o qual ainda vamos falar.

Não sei se está ligado, mas o PSD é o teu vilão.

É a hora, nem mais, muito bem.

Ainda bem que piscaste o olho.

Está tudo ligado.

Isto é uma máquina bem oleada de jornalismo.

Tudo ligado aqui. Umas transições fantásticas.

Sim, senhora, o vilão é o PSD, que ontem passou uma grande vergonha por causa da acusação no processo Tutti Frutti, porque estão lá todos. Está lá Sérgio Azevedo, Luís Newton, Rodrigo Gonçalves. O Rodrigues Gonçalves não está, esse não foi deputado, mas o Rodrigo Gonçalves está. E estão lá todos aqueles que há anos controlam o PSD de Lisboa. Eles mandam em juntas, mandam em listas eleitorais, trabalharam muito de perto com líderes do partido. Ó, se trabalharam de perto com líderes do partido, não puxem por mim. E alguns até chegaram a deputados, como o Luís Newton. O PSD sabe quem eles são, sempre soube quem eles são, mas nunca ninguém teve a força, nuns casos, ou a coragem, noutros casos, de lhes tirar o poder. Agora a bomba rebentou, os estilhaços estão em todo lado, no Parlamento, na Câmara Municipal de Lisboa, nas Juntas de Freguesia. O PSD está a fingir-se muito chocado, mas não há surpresa nenhuma e isto vai deixar uma mancha no PSD e é muito bem feito.

E era bom que o silêncio terminasse.

Por amor de Deus, ó Paulo.

Se não terminar tarde.

A sério, não me faças falar. Vamos ver o que o Luís Montenegro diz hoje à tarde. Espero que não diga que isto é um problema da Justiça. Eu só espero que não diga: "A Justiça o que é da Justiça, a política o que é da política", porque ele sabe muito bem o que tem dentro de casa. Enfim, vamos ver.

Vamos ao resumo: o bom desta quarta-feira é a Polícia Judiciária, o mau é Ernani Dias e o vilão de hoje é PSD. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360", um episódio disponível em podcast.