Com 381 votos a favor, num universo total de 561, o Parlamento Europeu aprovou uma proposta de estratégia a adotar para “combater o entrismo islâmico e a influência da rede da Irmandade Muçulmana” na Europa. A moção passou, no início de outubro, mas gerou, nas redes sociais, uma grande discussão sobre os 167 eurodeputados que votaram contra esta resolução.

“A socialista Marta Temido e os seus restantes camaradas de esquerda, como a Catarina Martins do BE, votaram hoje no Parlamento Europeu contra o declarar a Irmandade Muçulmana uma organização terrorista”, escreve um utilizador nas redes sociais. O post, datado de 9 de outubro, anexava uma imagem da distribuição dos votos da resolução B10-0424/2026.

Em primeiro lugar, esta proposta não visava apenas classificar a Irmandade Muçulmana como uma organização terrorista, mas incluía também um conjunto de medidas a adotar para reduzir a presença desta rede no continente europeu. Era, de facto, um dos pontos da resolução, que apelava à inclusão das entidades e indivíduos ligados a esta rede na lista de organizações terroristas da União Europeia. Mas, para tal acontecer — mesmo com a proposta aprovada —, será sempre necessário que uma autoridade competente de um Estado-membro determine a abertura de uma investigação ou condenação de alguém por terrorismo.

Vamos então olhar para as votações. Segundo a publicação, a grande maioria dos eurodeputados do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (S&D, Socialistas e Democratas), onde se inserem os eleitos pelo PS, votou contra a resolução. Porém, dos 135 eurodeputados, apenas 87 estavam presentes na votação. É o caso de Francisco Assis, por exemplo, que votou a favor. Mas, de acordo com a ata nominal da sessão de dia 8 de outubro de 2026, em que foi votada a proposta, a socialista Marta Temido não esteve presente e, por isso, não votou — nem contra nem a favor da proposta.

Já Catarina Martins e João Ferreira, os eurodeputados portugueses no grupo da Esquerda europeia, votaram contra a moção, tal como sugere a publicação. Mas a antiga ministra da Saúde, que é visada na publicação, não chegou a votar.

Conclusão

Marta Temido não votou contra a classificação da Irmandade Muçulmana como grupo terrorista. Aliás, a eurodeputada socialista não esteve presente no dia em que foi votada a resolução B10-0424/2026, que procurava “combater o entrismo islâmico e a influência da rede da Irmandade Muçulmana” na Europa e que não configurava uma proposta para classificar o grupo como uma organização terrorista.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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