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Este é o som do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Quem é o teu bom, Miguel?
Hoje tu és uma surpresa, porque o bom é a nossa justiça. Nós passamos tantos dias, tantos dias infelizes. Estivemos aqui a sofrer tanto, mas podemos dizer que ontem as coisas correram relativamente bem. Esqueçam o relativamente. As coisas correram bem. Vamos ser otimistas. As coisas correram bem. O tribunal que está a julgar a Operação Marquês ouviu o arguido Gonçalo Trindade Ferreira, que trabalhou como advogado de Carlos Santos Silva, o melhor amigo de José Sócrates, e basicamente, se bem percebi, ele reconheceu os principais atos que lhe são atribuídos, mas recusou ter tido consciência de que estivessem em causa crimes. Reconheceu, por exemplo, que entregou um envelope com 10 mil euros a João Perna, ex-motorista de José Sócrates. Quem de entre nós nunca entregou um envelope com 10 mil euros a alguém? Quer dizer, por amor de Deus. E também reconheceu, e este é um dado importante em todo o processo, que o suposto contrato de arrendamento da Casa de Paris foi feito com uma data retroativa, lá por motivos deles. Houve estas coisas importantes e depois houve uma coisa cômica, e eu acho que a nossa justiça também precisa de coisas cômicas, da maneira como isto anda, porque para clamar inocência, Gonçalo Trindade Ferreira afirmou que na altura dos factos ele era, e vou citar: "Um miúdo. Um miúdo que estava deslumbrado por poder sair de manhã de Lisboa para ir a Paris e voltar ao fim do dia." Um miúdo. E o Ministério Público tosse, lembrou-lhe que na altura dos vários factos, porque aquilo foi ao longo de vários anos, Gonçalo Trindade Ferreira tinha 35 a 38 anos.
Isso muda tudo.
Uma criança.
Uma criança.
Um miúdo. Ele depois disse: "Não, o que eu queria dizer com miúdo é que não tinha experiência laboral." Olha que sorte chegar aos 35 anos sem grande experiência laboral. Que sorte! Quem me dera. Com 35 anos eu estava pronto pra me reformar, mas há pessoas que ainda não têm experiência laboral. Sabes que hoje amadurece-se mais tarde. É.
Ó Miguel, eu creio que tu deves ficar ao corrente que no quadro legal português se passa a considerar que se é jovem até aos 30 anos.
E como é que era, Helena?
E os agricultores?
Sim, tu que és do meu tempo. Eram até aos 40, os jovens agricultores. O jovem agricultor era até os 40? Aquelas polémicas no tempo do Cavaco Silva.
Exatamente.
Nos tempos do Independente.
Nos tempos do Independente.
Está bem, mas vamos ver. Mas há aqui uma distinção jurídica importante. É-se jovem até aos 40, mas é-se miúdo a que idade? Ele não disse que era um jovem, ele disse que era um miúdo. Até aos 38. Até aos 38, tá certo. E depois dá três anos ali até aos 40. Ok. Só assim pra minha informação pessoal, com 52 é-se um adolescente.
Sim, pode-se fazer as loucuras todas.
Muito bem.
Miguel, o teu mau continua a adiar.
Parece que sim, o mau é o Parlamento. O calendário pra eleição dos juízes em falta no Tribunal Constitucional já foi adiado n vezes. Primeiro porque não havia acordo, depois porque o Chega e também o PSD queriam mais tempo, depois por isto, depois por aquilo, depois porque afinal em vez de três juízes podiam estar em causa quatro, tendo em conta a renúncia iminente do presidente do tribunal, e agora foi adiado outra vez. O presidente do Tribunal Constitucional já anunciou a renúncia. O Tribunal Constitucional já divulgou um comunicado sobre a renúncia. Toda a gente sabe que houve uma renúncia, mas, e há sempre um mas nesta história, mas a renúncia ainda não foi publicada em Diário da República. Portanto, falta o Diário da República. Falta o papel. Falta o papel, esse papel. E portanto, por causa disso, faltando o Diário da República, o Parlamento não pode avançar com a eleição. E sendo assim, agora a próxima data é próxima quarta-feira. Ok? É desta. Não, calma, não é desta. Calma. A eleição não é na próxima quarta-feira. Na próxima quarta-feira, os partidos vão definir o calendário eleitoral e depois a seguir, logo se vê. Mas querias já a eleição na próxima quarta-feira, Paulo? Mas estás maluco ou o quê? Estas coisas precisam de tempo. Mas achas que isto é assim? A sério? Sou irresponsável. Ó Mari João, acalma aí o Paulo, se faz favor. Olha, pareço um miúdo a olhar pra essas coisas. Ora nem. Ó Paulo, quem me dera ter os 38 anos. Podes querer.
Miguel, o teu vilão fala com toda a gente.
Parece que sim. A UGT, a Central Sindical, andou, já sabemos, meses e meses supostamente a negociar o pacote laboral na concessão social, depois chumbou e agora está na fase de convencer os partidos a fazerem o mesmo no Parlamento, a chumbarem.Vale tudo. Imaginem que vale até elogiar André Ventura. Esta semana o Chega realizou as suas jornadas parlamentares e um vice-presidente da UGT, Rui Miranda, aceitou participar num painel sobre a reforma laboral lá naquilo que imagino que ele pense e julgo ser a Toca do Lobo. E então lá foi ele às jornadas parlamentares do Chega e a dada altura, comentando as palavras de André Ventura, afirmou isto: "Eu admirei as palavras do presidente do partido." Porque André Ventura tinha acabado de criticar o pacote laboral ou a proposta de pacote laboral do governo. E eu só queria deixar isto registado. Quando é do seu interesse, quando lhe convém, a direção da UGT fala com o Chega, senta-se com o Chega e até elogia o Chega. Atenção, está tudo muito bem. Só que depois não venham falar em linhas vermelhas, não venham falar em não é não. Quer dizer, quando convém, é sim, é sim. Vamos falar com o Chega, vamos convencer o Chega. Viva o Chega. É verdade. Viva o Chega. É, viva o Chega. Parece que sim. Parece que para muita gente aqui neste caso está do lado certo da história, não é? Ó Paulo, as pessoas fazem o que têm de fazer. Mas depois não digam que ai Jesus, os fascistas da AD estão a falar com o Chega para conseguirem aprovar o que querem. Pronto, é só isso.
Miguel, quarta-feira regressas depois do meio-dia para mais um Realpolitik com Sérgio Sousa Pinto. O que vão falar?
Olha, vamos falar, claro, sobre uma das grandes polémicas da política nacional esta semana, mas também vamos olhar um pouquinho lá para fora, porque esta semana, aparentemente, a China transformou-se no novo centro do mundo. E além disso, um tema que interessa muito aos portugueses, que é a guerra na Ucrânia. As coisas parece que estão a virar um bocadinho a favor dos ucranianos e aquilo que se percebe é que o conflito ali mudou a forma de fazer a guerra e vamos falar também um bocadinho sobre isso.
Realpolitik para ouvir então depois do jornal do meio-dia, quando ao Bom, Mau e o Vilão desta quarta-feira. O bom é a nossa justiça, o mau o Parlamento e o vilão de hoje é a UGT. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos fica disponível em podcast.