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Começa agora o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom desta segunda-feira?

O bom é Paulo Rangel, porque concordando ou não com a ação política de Mariana Mortágua na flotilha, o Ministério dos Negócios Estrangeiros fez tudo direitinho e cumpriu as suas obrigações. Os diplomatas portugueses acompanharam permanentemente os portugueses que iam a bordo. O embaixador de Portugal na Tunísia, por exemplo, até foi ao hotel vê-los quando disseram que o barco onde seguiam tinha sido alvo de um ataque de um drone israelita durante a paragem em Túnis. A embaixadora em Israel acompanhou-os na cadeia. O ministério pediu explicações ao governo de Netanyahu quando ouviu queixas de violação dos direitos dos portugueses e um diplomata veio com Mariana Mortágua todo o tempo na viagem de regresso a Portugal. Em Lisboa, nem Francisco Louçã conseguiu fazer qualquer acusação quando lhe perguntaram sobre a atuação do governo e até a líder do Bloco de Esquerda, à chegada, afirmou que não tinha nenhuma crítica a fazer. Foram dias imprevisíveis e uma situação delicada, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros não podia ter feito mais, nem podia ter feito melhor e por isso saiu muito bem disto.

Saiu bem, até porque o tema era delicado, não é? A vários níveis.

Sem dúvida. Conseguiu o equilíbrio.

Exatamente, qualquer falha ia ser apontada.

Miguel, o teu mau gosta assim de um bom drama.

Se gosta!

Drama king.

Meu Deus! O mau é Mário Centeno. Hoje o ex-ministro das Finanças de António Costa deixou o cargo de governador do Banco de Portugal e como o Observador revelou ontem, os últimos dias têm sido tensos. Como nós contamos, numa das últimas reuniões do conselho de administração, foi discutida a hipótese de passar Mário Centeno, que é funcionário do Banco de Portugal, do estatuto de diretor-adjunto, que era o que tinha antes de passar a governador, para o estatuto de diretor, o que seria, aliás, perfeitamente legal. Como estavam em causa os seus próprios interesses, Centeno abandonou momentaneamente a reunião, mas quando voltou e percebeu que os seus colegas tinham decidido, numa votação renhida, adiar a decisão para ser tomada pelo novo governador, Mário Centeno ficou muito insatisfeito. O almoço de despedida, que estava marcado entre todos, foi cancelado. E tem sido assim com Mário Centeno. O Banco de Portugal viveu permanentemente em estado de melodrama. Pode ser que agora volte à normalidade. Esperemos.

Pois, e a normalidade também nos indica que o correto nessas coisas é que seja a próxima administração ou o governador a tomar a decisão.

Faz sentido. Atenção, seria perfeitamente legal.

É legal, absolutamente.

Não haveria nenhum problema.

E o próprio saiu da sala também para não entrar na discussão sobre ele próprio, como é evidente.

Perfeitamente. Mas sim, diria que foi prudente.

Miguel, o teu vilão são novamente os manifestantes pró-Palestina.

Pois, porque na primeira grande ação que tomaram na sequência da flotilha, na semana passada, eles impediram a saída dos candidatos à Câmara de Lisboa do debate da RTP. Depois forçaram a paragem do Metropolitano de Lisboa ao saltarem para a linha. No sábado, entraram na estação do Rossio e impediram por um tempo a circulação dos comboios. No final, uma das ativistas que eu imagino que tenha participado na ação, avisou numa televisão que isto estava a ir em escalada e que a escalada ia continuar, porque, queixou-se ela, ninguém os está a ouvir. Ora, em democracia, quem quer ser ouvido pode recorrer a muita coisa, pode manifestar-se pacificamente e seguindo a lei. Pode marchar nas ruas, pode fazer discursos, pode falar a televisões, pode escrever artigos em jornais, pode organizar campanhas, até pode votar. Imagine-se que até é possível votar nos partidos que defendem as nossas ideias. Agora, aquilo que não se pode fazer em democracias é organizar manifestações ilegais, não se pode intimidar candidatos a eleições e não se pode impedir a circulação dos transportes públicos. O Bloco de Esquerda tem de controlar os seus manifestantes pró-Palestina e tem de fazer isso já ou então vai ter mais problemas nas urnas. Eu diria que era preferível tomar um pouquinho conta disto.

E a ideia de que ninguém os está a ouvir também não tem grande aderência à realidade, porque se há assunto que nos últimos anos se tem falado é de Gaza, precisamente.

Certo. Aqui há um ponto: as pessoas podem estar a ouvir e não concordar.

É claro.

Já agora, se for possível ouvir e não concordar, as pessoas agradecem.

Vamos ao resumo. O bom de hoje é Paulo Rangel, o mau desta segunda-feira é Mário Centeno e o vilão são os manifestantes pró-Palestina. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360, que também pode ouvir em podcast.