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Está no ar o "Domínio da Guerra", da Rádio Observador, sempre com o major-general Geronimo Moreira. Bem-vindo.
Olá, muito bom dia a todos.
Recordo que também nos pode acompanhar com imagem nas nossas redes sociais e também no YouTube. Depois do encontro entre Steve Witkoff e Vladimir Putin, na sexta-feira passada, ficou no ar a possibilidade de estarem reunidas as condições para um telefonema entre os presidentes dos Estados Unidos e da Federação Russa, o que aconteceu nesta terça-feira. Durou cerca de duas horas. Depois, na quarta-feira, tivemos outro importante telefonema entre Trump e Zelensky. General, o que é que fica de todas estas conversas?
Esta foi a semana dos telefonemas. E os dois telefonemas foram importantes, mas não tiveram a mesma importância, e é isso que eu vou procurar mostrar. Vamos começar pelo telefonema feito entre Donald Trump e Vladimir Putin. Este telefonema suscitou enorme apreensão. Suscitou uma apreensão antes e depois. Antes, porque Witkoff tinha estado em reunião com Vladimir Putin e tinha regressado, era essa a nossa convicção, com um conjunto que nós chamámos de "os trabalhos pra casa", que era uma lista enorme de exigências por parte da Federação Russa para que se desse início a este processo de negociação do cessar-fogo. E, portanto, ficou-se com a ideia de que isto iria exigir, por parte dos Estados Unidos, um enorme processo de reflexão sobre este conjunto de condições. Mas, na verdade, o telefonema ocorreu muito pouco tempo depois. Houve claramente uma pressa em fazer este telefonema. Não ficou, para mim, claro se a pressa era de Trump ou a pressa era de Vladimir Putin. Trump tem pressa, porque precisa de um resultado visível para mostrar como está a liderar este processo e está a liderá-lo-
E cumpre o prometido na campanha
...e cumpre o prometido, e que tem sucesso, e que é um homem forte na cena internacional. Portanto, era natural que Trump tivesse alguma pressa em não deixar morrer este assunto. Putin teria um outro tipo de pressa. Putin parece-me um bocadinho enfadado com esta questão dos negociadores que Trump manda para lá.
Aliás, o general tinha dito aqui que ele queria falar era com o Trump.
Ele quer falar diretamente é com o chefe do comboio, é com Trump, e é com ele que ele quer resolver as coisas. Portanto, esta apreensão era uma apreensão que tinha a ver com o timing deste telefonema estar tão perto daquilo que era a visita do Witkoff. Mas, por outro lado, havia uma outra apreensão, que aliás eram duas, que tinha a ver com o assunto desse telefonema. Os telefonemas têm que ter um assunto, não são telefonemas nesta escala que envolvem os presidentes dos Estados Unidos e da Federação Russa, não são telefonemas de cortesia. Tem que haver aqui um assunto, eventualmente, resultados. Tem que haver aqui a produção de resultados. Ora, sobre o assunto, Trump iludiu-nos relativamente com as suas declarações, porque ele veio até sugerir que iriam ser discutidas a repartição dos ativos energéticos. Ficamos com a sensação que nós já estamos numa fase tão avançada do processo, que já estávamos até a discutir os detalhes de quem fica com o quê. Estávamos a pensar, naturalmente, na central nuclear de Zaporizhzhia. Isto é, afinal, as negociações não estão naquele ponto em que nós pensamos que estava depois da reunião de Witkoff, mas estavam numa fase muito mais avançada. Isto é, nós estávamos à espera que as conclusões do telefonema se traduzissem num conjunto absolutamente extraordinário de revelações sobre o que tinha passado e os acordos a que tinham chegado. Ora, havia ainda mais uma questão que era importante aqui. Os Estados Unidos tinham, por sua iniciativa, alterado a proposta ucraniana do cessar-fogo parcial. Este aspecto é importante. Os Estados Unidos propuseram à Ucrânia que o cessar-fogo não fosse parcial, que houvesse um cessar-fogo total em todas as áreas, durante 30 dias. Portanto, os Estados Unidos, antes deste telefonema, tinham subido aquilo que era a parada e o desafio a Vladimir Putin. E portanto, nós esperávamos ver algum reflexo desta proposta dos Estados Unidos naquilo que depois foi a transcrição feita pela Casa Branca, quer pelo Kremlin, dos resultados desse telefonema. Ora, zero, nada. Nada daquilo que estava anunciado apareceu ali. Nem apareceu a tal linha divisória de cessar-fogo que Trump tinha anunciado com a repartição dos ativos estratégicos, nem sequer uma referência ao fato de Vladimir Putin ter recusado a proposta dos 30 dias e se ter limitado a avançar com uma proposta absolutamente de valor bastante inferior àquilo que nós estávamos à espera. Mas vamos então a essa concessão. Vamos falar um bocadinho dessa concessão da Federação Russa. Trump foi obrigado, para já, a dizer que foi uma enorme vitória, o que revela também da minha parte, que Trump não apenas se satisfaz com pouco, como está disposto a passar por um conjunto de humilhações públicas e internacionais para prosseguir o seu aspecto, que é a negociação da normalização das relações entre os Estados Unidos e a Federação Russa, o que é realmente muito complicado. Ora, que concessão era esta do não ataque às infraestruturas energéticas? Primeiro, ficamos logo na dúvida, porque as duas transcrições não eram iguais. As transcrições da conversa feita pela Casa Branca e pelo Kremlin eram diferentes. Uma falava em infraestruturas energéticas, a outra falava em energia e infraestruturas. Há aqui uma diferença muito grande de entendimento. Isto pode ter sido um problema de tradução, mas nós ficamos sem saber qual era a tradução correta. Eu vou dar aqui apenas um exemplo. Se não estiverem incluídas as infraestruturas, a ponte da Crimeia é um alvo legítimo. A diferença é só esta. Então, a ponte da Crimeia continua a ser um alvo legítimo por parte da Ucrânia. Mas se são apenas infraestruturas energéticas, bom, então a questão é diferente. Mas por que a Rússia cedeu nas infraestruturas energéticas? Porque a Rússia já não pretendia atacar infraestruturas energéticas. A partir de março, a Rússia já não ataca infraestruturas energéticas.
Isso parece haver acontecido nas últimas horas.
Os ataques às infraestruturas energéticas são, sobretudo, uma arma de natureza política contra o povo ucraniano. Não ficou também claro, em lado nenhum, qual é a data para isto. Eu, pelo menos, não vi no comunicado.
Sim, não tinha efeitos imediatos. Não lemos em lado nenhum.
Não lemos em lado nenhum que houvesse uma data. Normalmente, há uma data para isto, para evitar exatamente estas questões de saber se isto ainda foi a tempo ou se eram ordens que já estavam acumuladas e que foram executadas. E, portanto, normalmente, quando um cessar-fogo entra em vigor, há uma data. Essa data não ficou clara. E agora presta-se a este conjunto de confusões de quando é que isto entra em vigor, se já entrou em vigor. Foi a ideia com que ficamos. Ou se afinal ainda não entrou em vigor e só vai entrar em vigor daqui a uma semana. Ficamos sem saber isto. Ora, o que houve aqui, nestes processos negociais, é muito importante o caminho que fazemos. É natural que nós não sejamos capazes de prosseguir em todos os campos do acordo à mesma velocidade, mas devemos fazê-lo de forma que haja um certo equilíbrio nesse progresso que resulte de benefício para as duas partes. Ora, neste caso, o que nós estamos a fazer é o seguinte: nós concedemos um benefício imediato à Federação Russa, que foi aquilo que é o grande sucesso das operações estratégicas de bombardeamento por parte da Ucrânia na profundidade estratégica do território russo, que é a parte que é mais embaraçosa para gerir politicamente por Putin, pois isso já acabamos. E o que demos à Ucrânia foi proteger os seus ativos energéticos numa altura em que esses ativos energéticos são agora menos importantes e em que as importações de eletricidade a partir da Europa podem compensar também essas necessidades energéticas. Isto é, é claro que tem valor aquilo que nós muitas vezes dizemos, que até ser finalizado o acordo, não há acordo. Isto é, se nós temos que progredir para o acordo, temos que progredir de maneira que ambas as partes, em cada uma das fases da implementação do acordo, sejam tratadas de forma igual. Ora, parece que houve aqui um tratamento desigual. Isto é, naquilo que era muito complicado para a Rússia, já está despachado. Aquilo que é muito complicado para a Ucrânia, que é a situação terrestre, ainda está a zero. Portanto, este é o problema que nós identificamos deste processo de acordo. Saudamos o processo, certamente que saudamos o processo. Mas parece-me que ele deveria ser acompanhado de maneira que à medida que vão sendo introduzidos novos passos dentro deste processo, eles possam refletir de alguma maneira um tratamento equidistante daquilo que são as preocupações de um lado e do outro. Bom, depois temos o segundo telefonema.
Mais curto.
Mais curto e só no dia seguinte.
Ia dizer que estava à espera que fosse no próprio dia.
Eu estava à espera que fosse no próprio dia. O outro telefonema foi feito logo de manhã, houve um dia inteiro para telefonar a Zelensky e não houve oportunidade de o fazer. Bom, eu acho que o telefonema a Zelensky se calhar nem estava previsto, foi um bocadinho a pressão internacional de: "Mas já telefonou a Zelensky?"
Então, Zelensky não é tido nem achado.
E então no dia seguinte houve o telefonema a Zelensky. Enquanto o primeiro telefonema teve uma grande decisão sobre a pequena concessão, o telefonema a Zelensky foi apenas de natureza informativa Ele basicamente disse aquilo que se tinha passado na conversa com Putin. Não sabemos se com todos os detalhes ou não, e ouviu serenamente, pelo menos da parte de Zelensky, um conjunto de pedidos em que a Ucrânia tem repetidamente afirmado, que é a necessidade de ver reforçado o seu sistema de proteção antiaérea. E, portanto, não houve mais nada em relação a isto. Houve, no entanto, uma evolução mais interessante neste processo todo. É o que se vai passar agora no início da próxima semana. Uma delegação da Ucrânia, chefiada pelo seu ministro da Defesa, Umerov, vai para a Arábia Saudita. A Federação Russa, em princípio, também estará presente na Arábia Saudita e provavelmente vamos ter aquilo que é a diplomacia de corredor, que é: há um corredor onde anda a delegação americana e duas salas onde estará a delegação ucraniana e a delegação russa. Portanto, não está previsto aqui um encontro entre delegações ucranianas e russas. E vai haver aqui uma diplomacia de corredor produzida pelos Estados Unidos entre as duas salas. Bom, último aspecto que me parece importante. Isto tem a ver com todo este processo negocial. Que é pra mostrar a minha visão, que é um bocadito diferente sobre isto. Nós temos estado a olhar para um processo, que dizemos que é o processo negocial, em que os Estados Unidos são o mediador entre duas partes, a Federação Russa e os interesses da Ucrânia. Mas isto não é verdade. Este processo não é verdade. Este processo não é este processo. É que há dois processos de negociação. Um é este processo de mediação, mas há uma outra negociação a decorrer simultaneamente, que é o processo da normalização das relações entre os Estados Unidos e a Federação Russa. Isto é, o mediador resolveu introduzir simultaneamente um outro processo, que desvirtua o processo de isenção do processo da mediação, porque introduziu ao mesmo tempo, e não havia necessidade de o fazer, porque nas mediações que faz entre Israel e o Hamas, não restabeleceu relações diplomáticas com o Hamas. Primeiro, tratou do processo da mediação e só depois é que se verá o que é que vai acontecer. Os Estados Unidos resolveram introduzir simultaneamente, ou resolveram, ou deixaram que a Federação Russa introduzisse simultaneamente um outro processo de normalização das relações diplomáticas. Ora, isto altera tudo, porque um processo está ligado ao outro e tem implicações no outro. E, portanto, é muito importante que nós sejamos capazes de, com alguma distância em relação a isto, estar a ver que estão a decorrer não um processo de negociação, mas dois processos de negociação. Um é um processo de mediação clássica, o outro é um processo de aproximação, normalização das relações entre os Estados Unidos e a Federação Russa.
Até vão jogar golfe, não é?
E vão jogar hockey. Boas notícias para quem gosta do hockey no gelo, mas na verdade, más notícias para todos nós, que esta confusão dos dois processos vai contaminar o processo de negociação.
Entretanto, no Médio Oriente, acabou o cessar-fogo entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Esteve em vigor desde meados de janeiro para permitir a troca de reféns, israelitas por prisioneiros palestinianos, a entrada de ajuda humanitária, a retirada das forças da IDF, mas, sobretudo, para permitir a negociação entre as partes. General, a enumerar, o que aconteceu para que se tenha interrompido este processo?
Nós, aliás, não temos estado a falar do processo das negociações em Gaza, exatamente porque se viveu aqui um período de trégua de natureza militar e porque se abriu, com essa trégua, espaço ao processo de natureza política. Portanto, acabou a fase militar e começou um processo de natureza política. Para perceber por que regressamos, digamos, outra vez, ao processo de natureza militar, é preciso compreender as dificuldades que já tinha o processo anterior. O processo anterior tinha começado a ser implementada a trégua a 19 de janeiro. Portanto, desde 19 de janeiro, que havia uma trégua de natureza militar entre Israel e o Hamas. Recordamos que esse processo iniciado a 19 de janeiro contemplava três fases. Uma primeira fase que tinha ganhos imediatos para ambas as partes, porque Israel, por um lado, retirava ou concentrava as suas forças em zonas de reunião e, portanto, dava liberdade de ação estratégica ao Hamas dentro da Faixa de Gaza. Por outro lado, Israel iria recuperar um número significativo de reféns e iria entregar também um conjunto muito significativo de 2 mil prisioneiros palestinianos. Ou seja, a primeira fase tinha ganhos visíveis para os dois lados.
E nós falámos sobre isto aqui, que a partir da segunda fase seria pior.
Depois, o problema é que a segunda fase já não estava detalhada e a segunda fase era a da negociação, da administração, durante esta fase transitória, e a terceira fase era mais de natureza técnica, tinha a ver com o processo de reconstrução de Gaza. Acontece que essas duas fases nunca estiveram detalhadas. Por quê? Porque se via desde logo à partida que o processo iria encalhar na passagem da primeira fase pra segunda fase. A passagem da primeira para a segunda fase tinha um conjunto de dias para ser feita. Ao fim de 16 dias da primeira fase, deviam ter começado a segunda fase. Não começou essa segunda fase. Israel procurou também, juntamente com os Estados Unidos, que este acordo fosse revisto e que a primeira fase fosse prolongada durante mais tempo. Mas isto contou também com o Hamas, que não concordou com essa extensão da primeira fase. E então chegamos a esta fase em que não há um único motivo para o retomar das operações israelitas em Gaza, mas há um conjunto de motivos, não há apenas um único. Eu vou passar muito brevemente em revista estes três motivos. O primeiro é de natureza interna. Tem a ver com a solidez da coligação política que suporta o governo Netanyahu. Há membros, há partidos nesta coligação que foram sempre contra o cessar-fogo. Para os trazer outra vez para o empenhamento político dentro da coligação, o retomar das ações militares tem consequências políticas internas. Portanto, há também uma gestão política interna em Israel. O segundo aspecto tem a ver com o facto de as negociações de natureza política estarem encalhadas, não saem do sítio. Isto é, a oportunidade que foi dada à política não está a resultar e, portanto, há uma tentativa de voltar outra vez à solução militar, uma vez que a solução política não está a avançar. E depois há uma terceira razão. Esta terceira razão tem a ver com o facto de o Hamas ter aproveitado esta trégua para mostrar poder. Isto é, transmitiu em toda aquela cenarização da entrega dos reféns, que é uma força armada invencível e que está disponível para se manter à frente de Gaza e dos destinos de Gaza. E isto certamente também preocupou Israel. Isto é, o grau de destruição ou de degradação da infraestrutura militar do Hamas, pelo menos do ponto de vista da cenarização, não ocorreu, o que significa que Israel sentiu que ainda há, do ponto de vista militar, um conjunto de resultados que podem ser conseguidos. É por causa destas três razões, não apenas de uma única razão, que regressamos outra vez à guerra em Gaza. As melhores iniciativas neste momento são as que são conduzidas pelo Egito à procura da interrupção e do retomar do tal processo político que entretanto se calou.
A nossa cortina de fumo de hoje envolve tempos de espera. De acordo com relatos que vieram ao público, o enviado especial de Trump a Moscovo, Steve Witkoff, teve de esperar várias horas até ser recebido por Putin. General, o que aconteceu de facto e que sinal pretendeu o Kremlin enviar com isto? Fazer esperar o senhor.
É extraordinário. Esta cortina de fumo é absolutamente extraordinária. Esta cortina de fumo chama-se Lukashenko. Lukashenko é a cortina de fumo disto. O que é que aconteceu? Trump estava com muita pressa em que o Witkoff fosse recebido por Putin e marcou o envio de Witkoff a Moscovo pouco tempo depois daquela reunião que houve entre os Estados Unidos e a Ucrânia, na Arábia Saudita. Putin não gostou que lhe marcassem agenda e que lhe mandassem um enviado especial para ser recebido por Putin.
Portanto, esperas aí que eu é que sei quando é que te quero receber.
E então ele chegou por volta do meio-dia e foi recebido já era noite escura. Esteve oito horas à espera de ser recebido. Isto é, do ponto de vista diplomático, uma afronta e uma humilhação aos Estados Unidos e ao delegado Trump. Como é que isto pode ser feito, então? Como é que isto pode ser gerido pelo Kremlin? Isto é para percebermos os meandros desta coisa toda. Dois dias antes, quando já se sabia que Witkoff ia aparecer.
Arranjou-se uma reunião de última hora.
Putin telefonou a Lukashenko a dizer: "Vem já para Moscovo, eu preciso falar contigo". Lukashenko deve ter pensado: "Nós não temos nada para discutir". Ele deve ter dito: "Trazo um baralho de cartas, porque temos que nos entreter durante oito horas". E basicamente foi isto, quer dizer, para ter uma justificação oficial para fazer esperar durante oito horas o enviado de Trump, foi buscar Lukashenko à Bielorrússia para ter um encontro de alto nível com o presidente de um Estado soberano e, portanto, não ter tempo para receber um emissário. Isto é de uma afronta absolutamente extraordinária. E mais uma vez, Trump, o que vem dizer? Fake news, fake news. Ele esteve lá em Moscovo, foi fazendo um conjunto de outras reuniões importantes. Está sempre disposto à humilhação perante Trump, mas isto foi um ato de enorme humilhação. E ainda há mais um, muito rapidamente. No dia do telefonema de Trump, em que Putin e Trump telefonaram, Peskov disse que o telefonema era às 09:00. Às 09:00 estava Putin numa reunião com oligarcas. Ficou toda a gente convencida que estava a fazer esperar Trump pelo telefonema. Afinal, a Casa Branca veio dizer que não, que o telefonema não era às 09:00, era só às 10:00. Mas a ideia que se passou para o público russo é que o presidente da Rússia não ia falar com Trump à hora, ia fazer esperar durante uma hora, porque tinha um encontro com oligarcas russos que era mais importante. Isto, portanto, é para ver o que temos aqui nesta cortina de fumo.
Colocamos hoje o nosso ponto de mira sobre a tentativa de silenciar as emissoras Rádio Voz da América e Rádio Liberdade. O que está a passar-se aqui, General Arnaut Bara?
Isto passou-nos completamente despercebido, não foi alvo de comentários, ninguém falou nisto, mas esta é a maior alteração que existe naquilo que é o soft power dos Estados Unidos desde 1942. Em 1942, os Estados Unidos criaram uma emissão de rádio com uma emissora chamada Voz da América. A Voz da América era a voz da liberdade no mundo. Era a maneira como as notícias vistas pela perspectiva das democracias ocidentais podiam ser comunicadas para trás da cortina de fumo e para trás de todos os regimes autocráticos que suspendem a liberdade de informação. Portanto, a Voz da América era a voz da liberdade em todas as autocracias que não gostavam da liberdade de expressão. Ora, a Voz da América foi silenciada por Donald Trump. Por quê? Isto é uma coisa absolutamente extraordinária. Não apenas a Voz da América, mas também a Rádio Europa Livre, que se especializava, sobretudo, no Leste Europeu e na Ásia Central. De repente, foram suspensos por Donald Trump.
Do que Trump tem medo?
Houve um júbilo fantástico no Kremlin e em Pequim, porque de repente, aquilo que era o instrumento que o Ocidente utilizava para mobilizar populações politicamente no interior desses Estados, deixou de existir por vontade de Trump. Isto é uma coisa absolutamente extraordinária. E eu, só para terminar, digo aquilo que Margarita Simonyan, que é a chefe da Russian TV, disse: "Hoje é um dia para todos os meus colegas da Russian TV, Sputnik e outros media russos, porque inesperadamente, Trump anunciou que iria fechar a Rádio Europa Livre e a Voz da América, e agora estão fechadas. Esta é uma fantástica decisão tomada por Donald Trump." E assim estamos nós a destruir todos os instrumentos de soft power que desde 1942 tínhamos andado a criar.
Isto é muito preocupante.
É muito preocupante. Devíamos falar mais disso.
General Arnaut Bara, muito obrigada por mais um Domínio da Guerra.
Um bom fim de semana a todos. Muito obrigado.