Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Operação Stop" na Rádio Observador. Todas as semanas falamos sobre as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com a ajuda do Alfredo Lavrador. Alfredo, seja muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?
Igualmente, José Rafael. Está bem. Este verão já de média temperatura, ameno.
Alfredo, nesta "Operação Stop", queres falar de um tema delicado, das mortes relacionadas com automóveis. Os carros modernos estão cada vez mais pesados, cada vez mais caros, o que em parte se deve à adoção de dispositivos que visam melhorar a segurança. Há um teste que permite perceber quanto, já falaremos dele. Antes disso, importa talvez trazer para aqui e recordar quem nos ouve, como é que Portugal tem evoluído ao longo dos últimos anos em termos de acidentes, mortos e feridos graves. O que achas de começarmos por aí?
Eu acho que é uma excelente proposta. E para tal, recorremos aos dados da ANSR, a Associação Nacional de Segurança Rodoviária, que afirma que em 2020 registaram-se em Portugal cerca de 44 mil acidentes com mortos ou feridos graves. Vamos fitar este número, porque em 2024 este valor caiu para 36 mil, o que supõe uma redução de 18%. É bom, mas não é fabuloso, como diria eu. Ok, podemos atenuar isto se tivermos em conta que houve mais carros a circular, houve mais quilómetros percorridos, mas a realidade é que 18% não é brilhante. Mas o que é muito interessante é que nestes mesmos anos, em 2020 morreram 1629 pessoas na estrada. E em 2024, este valor caiu para apenas 424. Eu sei que ainda é muito isso, concordarás comigo, mas trata-se de uma redução de 74%. Ou seja, com uma redução de 18% de acidentes, tivemos uma redução de 74% no número de mortes, o que é importante. O mesmo aconteceu com os feridos, não de uma forma tão expressiva, mas houve 4200 feridos graves em 2020 e este valor caiu para apenas 2600 em 2024. São menos 38%. Mais uma vez, uma boa notícia. E atenção, esta boa notícia é conseguida, não exclusivamente, obviamente, mas em grande parte à conta das melhorias introduzidas nos automóveis modernos, que passaram a ser bastante mais seguros, não só ativamente, evitando o acidente, como passivamente, protegendo melhor quem vai lá dentro.
Alfredo, ninguém contesta que os carros estão cada vez mais pesados, também estão cada vez mais caros, mas que dispositivos são esses de que estás a falar e que justificam este aumento verificado, não só no peso, em quilos, como também no preço, em euros?
O incremento do peso é sobretudo devido à necessidade de, por um lado, com superestruturas mais rígidas, para proteger a integridade do habitáculo, de forma a garantir que existe espaço lá dentro para as pessoas que estão lá sentadas. Mas, por outro lado, dotá-lo com estruturas deformáveis capazes de absorver a energia do embate, reduzindo assim o esforço e a desaceleração a que expõe o corpo dos ocupantes. Também estão presentes cintos de segurança cada vez mais eficientes, com pré-tensionadores e limitadores de esforço. Enquanto isso, o incremento do preço é sobretudo devido à obrigação, pelo legislador europeu, de montar nos veículos modernos uma série de novos sistemas de segurança, e enumero alguns, só para as pessoas saberem do que estamos a falar: o sistema de travagem de emergência, que trava mesmo quando o condutor está distraído; o sistema de manutenção da faixa de rodagem, para evitar que, por distração, alguém possa bater no carro do lado ou no carro que vem de frente; o sistema que avisa quando está a ser ultrapassado, basicamente garantindo vantagens do mesmo tipo; o avisador de aproximação de veículos, de peões ou bicicletas durante as manobras em marcha atrás, e muitos outros que eu podia estar aqui a enumerar sem fim. E obviamente, tudo isto tem um preço, são sistemas eletrónicos sofisticados, com muitos sensores e a atuar nos travões, na direção e tudo o resto, logo, alguém tem que pagar.
Vamos então falar do tal teste com que iniciámos esta "Operação Stop". Alfredo, é feito por um organismo independente alemão, o objetivo é determinar a evolução proporcionada pelos veículos modernos no que diz respeito à segurança. Ora, isto diz-nos o quê e quais são as conclusões desse tal teste?
É um teste muito curioso. Foi realizado pela DEKRA, que é um especialista e muito conceituado na indústria automóvel europeia, e que organizou, não os tradicionais crash testes, que todos os carros têm que cumprir para serem comercializados na Europa, mas um crash test muito curioso, que envolveu um carro de 1989 e outro de 2024, separados por 35 anos de tecnologia. E o objetivo era perceber até que ponto é que esta tecnologia concede uma maior proteção a quem está lá dentro, aos ocupantes. Já agora, um pormenor: o teste a realizar foi essencialmente aquilo que era obrigatório até 2020, era o teste punido pelo Euro NCAP, o organismo europeu que controla a segurança rodoviária, e consiste num embate frontal contra um muro de betão A 60 km/h. Como essa barreira de betão está protegida por uma estrutura deformável que se destina a simular um outro veículo, a sua capacidade também de absorver energia, este crash equivale à simulação de um embate frontal entre dois veículos de peso similar, que se deslocam entre 50 km/h e 55 km/h.
Alfredo, vamos a mais conclusões, por exemplo, dos crash tests dessas duas gerações que estão separadas por mais de três décadas.
O resultado foi no mínimo assustador. Se tens um carro, ou se estavas a pensar comprar um carro de 89, isso não te dava ideias, porque a coisa não está famosa. Segundo a DEKRA, os ocupantes do Golf de 1989 teriam muito pouca probabilidade de sobreviver ao embate, uma vez que a estrutura, e isto são palavras deles, uma vez que a estrutura do veículo colapsou, o espaço do habitáculo foi consideravelmente reduzido e houve uma grande intrusão a bordo de elementos como o volante, os pedais, além do tablier e até os próprios pilares A, aqueles da frente, que seguram o para-brisas. Igualmente importante são os esforços demasiado elevados aplicados na cabeça e no tórax dos ocupantes, no momento da desaceleração, de que resultariam danos muito graves e provavelmente a morte, porque é esta desaceleração violenta que provoca derrames no cérebro e que normalmente são fatais.
Que evolução é que houve aqui, Alfredo?
Efetivamente, o fundamental é a deformação do habitáculo e a sua capacidade de absorver energia, uma vez que há pouco não te disse que no Golf novo todos os ocupantes saíram ilesos, no limite poderiam ter ferimentos ligeiros. Mas este teste da DEKRA permitiu igualmente reunir outros dados interessantes, como por exemplo, o carro de 89 necessita, em média, de mais 30% de distância para parar, se travar a fundo a 100 km/h. Isso significa parar ao fim de 100 metros num carro moderno ou percorrer mais 30 metros o Golf antigo, o que equivale a cerca de sete comprimentos. Imagina-te a travar perante um caminhão que se atravessou à tua frente, tu travas em 100 metros e o outro carro percorre mais sete comprimentos do mesmo automóvel. Era bom que passasse por baixo do caminhão, porque efetivamente nunca conseguiria parar antes dele.
E é com este aviso que fechamos esta Operação Stop desta semana. Para a semana há nova edição, sempre com o Alfredo Levrador e sempre a trazer todas as novidades do mundo automóvel. Alfredo, é sempre um gosto. Até para a semana.
Abraço, Ravel.