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"Operação Stop" na Rádio Observador, todas as semanas as melhores novidades sobre o mundo do automobilismo, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, seja bem-vindo. Como é que estás? Tudo bem? Como é que foi essa semana?

Desta vez não temos muito boas notícias para partilhar com os nossos ouvintes. Mas eu que se arranje.

Vamos falar sobre os radares e sobre se são ou não a melhor forma de reduzir acidentes e mortos na estrada. Portugal está entre os piores da Europa no que diz respeito a mortos e feridos em acidentes rodoviários. Nas cidades morre-se mais do que na estrada e a dúvida reside em saber se os radares de velocidade são ou não a solução. É este o ponto de partida para esta "Operação Stop" e, Alfredo, Portugal está mesmo muito acima da média dos países europeus quando o tema é acidentes rodoviários e mortes na estrada, apesar de todas as campanhas das autoridades para tentar inverter esta situação. Por que acontece então, Alfredo?

Essa é a pergunta de 1 milhão de euros ou mais. Para já confirmar aquilo que tu acabaste de partilhar com os nossos ouvintes, lamentavelmente, Portugal sai mesmo muito mal desta fotografia dos mortos em acidentes rodoviários. Para quem nos ouve perceba a gravidade da situação, porque é sempre bom colar números à coisa, a União Europeia possui um organismo denominado Conselho Europeu de Segurança nos Transportes, que analisa tudo o que é transportes e tudo o que é acidentes, tudo o que é problemas, e compara a percentagem das mortes por milhão de habitantes em cada país da União. Nota-se que isto não é uma novidade, ou seja, já há muito tempo que se está a tentar reduzir o número de mortes em acidentes rodoviários. Atenção, quando falo mortes, é mortes e feridos graves, mas vamos só concentrar-nos nos mortos para ser mais fácil de analisar. E a média europeia, de momento, em 2024, estava nos 45 mortos por milhão de habitantes. Lamentavelmente, o nosso país figura naquele ranking, entre os piores, porque é um dos que está com mais de 60, uma vez que morreram 634 pessoas em 2024 e nós somos apenas 10,4 milhões. Mais grave do que isso, este Conselho Europeu apontou, há muito tempo, como objetivo reduzir em 50% o número de mortes na estrada. E a maioria dos países está a conseguir reduzir consideravelmente este valor, mas não Portugal, uma vez que morriam 638 pessoas em 2014 e agora, 10 anos depois, em 2024, apenas conseguimos que morressem menos quatro indivíduos. Uma redução marginal que efetivamente nos envergonha.

Alfredo, e confirma-se também, pergunto eu, se o excesso de velocidade é a principal causa para estes acidentes que provocam mortos e feridos.

Olha, José Rafael, eu acho que o excesso de velocidade é a explicação para as autoridades sempre que acontece um acidente. Mas a verdade é que para as autoridades a definição de excesso de velocidade é muito abrangente, é demasiado abrangente, se quiseres. Uma vez que basta que o veículo não consiga parar no espaço livre e visível à sua frente. Mesmo que o automobilista circule dentro dos limites de velocidade. Logo, não vai em excesso de velocidade. Se ele vai distraído, se o peão por acaso sai a correr para atravessar a rua entre dois carros estacionados em segunda fila, o culpado é sempre o excesso de velocidade. Logo, é importante ter presente que o excesso de velocidade é um problema, mas temos que relativizar esta informação, uma vez que tudo depende das condições em que se realizou o acidente. Mas é um facto, o excesso de velocidade, se o carro tivesse parado, não atropelava ninguém.

E vamos continuar a olhar para este tema. No teu entender, Alfredo, é isto que justifica a crescente presença de radares para controlar a velocidade nas estradas e também nas autoestradas nacionais? É uma tentativa de dissuadir os condutores de abusarem do acelerador?

É, e funciona. Deixa-me contar-te rapidamente duas histórias. Tenho amigos que andam depressa. Não são malucos, já passei essa idade, só tenho amigos que são pouco auditas na estrada, mas andam sempre ali um bocadinho no limite, mais aquela margem de segurança, etc. E eu conheço-os, eles vão muitas vezes aos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, são uns príncipes da estrada. Por quê? Porque nos Estados Unidos, se ultrapassares o limite de velocidade, e não é preciso muitos números de milhas lá, vais preso, dormes na prisão. Aquela noite está garantida. E isto desincentiva qualquer um. Mas a verdade é que a presença dos radares ajuda. As multas são cada vez mais pesadas, como tu bem sabes. Não estou a dizer que tenhas sido multado, mas estás a par das leis nacionais e do valor das multas. Agora, há um problema aqui: está-se a concentrar muito o esforço para reduzir os acidentes nas estradas e nas autoestradas, quando, na realidade, o maior número de mortes e feridos graves é gerado em acidentes dentro das localidades, nos arruamentos. E aí há muito pouco trabalho realizado. Ou seja, todos nós circulamos na cidade, sabemos que continuam os carros parados em segunda fila, seja porque estão a descarregar, seja porque não há lugar para estacionamento, etc. Mas a verdade é que estão em segunda fila e isso complica muito a vida dos peões.

É uma situação que efetivamente é preciso ter muita atenção quando se anda na estrada. Alfredo, essa realidade recomenda o quê para as autoridades? No que é que elas podem concentrar para evitar mais mortes na estrada, englobando aqui também a questão dos atropelamentos e acidentes com veículos de duas rodas?

Vamos lá ver. Não estou a dizer que há aqui uma bala mágica que transforme isso tudo numa maravilha, mas nós assistimos todos à instalação de novos radares na Segunda Circular, em Lisboa. Desculpem os ouvintes do Porto, mas conheço menos bem a realidade do Porto, apesar de adorar a cidade. Mas eu não me lembro de grandes acidentes por atropelamento que tenham resultado em mortes na Segunda Circular. Porém, já nas laterais da Avenida da República ou da Avenida Liberdade, não sei se será a mesma situação. Duvido. Acho que há ali muitos mais casos e acidentes do que nos outros sítios. Mas eles têm que concentrar os esforços onde o risco existe. Os radares ajudarão, claro que sim, mas sobretudo, o que ajuda certamente é alterar a forma como a cidade é planeada. Nós continuamos a ter passadeiras de peões imediatamente a seguir a cruzamentos, em que o peão vê a passadeira, atravessa livremente, caramba, está na passadeira e acaba por levar com o carro em cima, porque depois do carro fazer a curva, uma curva cega, porque há ali uma esquinas de um prédio, ele não tem tempo suficiente para ver o peão e travar. Lá está, um excesso de velocidade, mas que efetivamente não é exclusivamente culpa do peão.

E há alguma solução milagrosa?

Aí é que tu acertaste na muche, como sempre. Existe e vem da tecnologia. Agora, em plena época da inteligência virtual. Aliás, até te digo mais, isto apareceu em 2022, antes desta moda da IA. Existe um equipamento que já está disponível na maioria dos carros novos produzidos a partir de 2022. Está disponível, não quer dizer que esteja equipado em todos, porque é um equipamento caro e a bem que se torna obrigatório, o que eventualmente poderá elevar o preço do carro, ou então o automobilista tem que escolher porque quer usufruir do seu serviço. Mas trata-se de um controlador inteligente de velocidade. Essencialmente, funciona assim: o veículo sabe, porque está ligado ao GPS e sabe a que velocidade é que se desloca o veículo, o carro sabe qual é o limite para aquela via, ou seja, sabe quando é que se aproxima de uma passadeira, sabe quando é que entra numa cidade e agora, de momento, apenas avisa o condutor que está em excesso de velocidade. Em breve, vai limitar a velocidade do carro, ou seja, queira o condutor ou não, o carro vai travar. E eu acho que isto vai ser uma chatice, porque vamos começar a andar muito mais devagar, mas, por outro lado, é uma coisa boa, vamos deixar de atropelar pessoas e ciclistas, etc., o que é bom. Mas atenção, isto não resolve tudo, porque continuam a existir as bicicletas no passeio, as trotinetes elétricas no passeio e continuam a atropelar pessoas. Ou seja, temos que democratizar aqui as condições e impedir que haja excessos, não só nos carros, mas também nos outros veículos que andam por aí.

E é desta forma que fechamos a operação Stop desta semana. Alfredo, marcamos encontro de novo para a próxima semana. Até lá.

Um abraço.

Um grande abraço.

Grande abraço.