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Até hoje continuo a perguntar por quê. Por quê?
Entre 1980 e 1987, as FP-25 de Abril fizeram 13 mortos.
Eu cheguei a fazer 14, 15 ações por mês.
Matou alguém?
Não, Deus sabe.
Tentaram parar o país com assaltos, balas e bombas.
Eu abro a primeira página e vejo uma fotografia enorme do hotel. Olha que músico! Estava pronto.
Como é que um herói de Abril se mete numa coisa destas?
A organização terrorista só foi travada por uma ação policial que prendeu mais de 50 pessoas num só dia.
Eu, logo, formulei a ideia que tinha que avisar o Ministro da Justiça de que o mandato ia ser cumprido no dia seguinte.
Durante cinco meses, uma equipa do Observador fez dezenas de entrevistas a agentes da Polícia Judiciária, procuradores, juízes, advogados, familiares de vítimas e antigos operacionais das FP-25.
Fui presa acusada de ser dirigente das FP-25 e condenada como tal.
Dirigente?
Sim.
Coisa que...
Nunca me ouviram confirmar isso.
O Observador teve acesso a milhares de páginas de documentos e visitou os locais onde tudo aconteceu.
E ele dizia: "Traz o menino". E eu disse: "O menino está morto".
Toda a história dos anos de chumbo das FP-25 de Abril, num trabalho especial multimídia, brevemente no Observador, na Rádio Observador e em podcast.