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Começa agora mais uma edição das Outras Histórias do Desporto das manhãs 360, hoje com a jornalista do Observador, Mariana Fernandes. Olá, Mariana. Bom dia.
Olá, bom dia.
Esta quinta-feira começamos em Inglaterra.
Sim, começamos em Inglaterra e começamos no futebol feminino. E um dos grandes problemas, digamos assim, do futebol feminino europeu foram sempre as transmissões televisivas. Não só porque a visibilidade da modalidade era obviamente mais reduzida, porque não aparecia na televisão, porque era difícil ver os jogos, porque era sempre preciso estar à procura de um stream na internet ou de algo do gênero, mas a verdade é que também porque essa fatia de receita das transmissões televisivas seria importante para o desenvolvimento da modalidade. É um mercado cada vez mais valioso, cada vez mais milionário, também cada vez mais competitivo, e muitos clubes por toda a Europa sobrevivem, principalmente graças às transmissões televisivas, neste caso, do futebol masculino. É tudo isto e muito mais, que torna histórico e muito importante o acordo que a Liga de Futebol Feminino Inglesa assinou esta semana com a BBC e com a Sky para a transmissão dos jogos dos dois principais campeonatos de futebol feminino do país. É um contrato válido pelas próximas três temporadas, portanto, a partir da próxima e até 2024, e vale € 9 milhões por ano, um valor que há uns anos era impraticável no futebol feminino.
Sem dúvida. Já é um valor que se veja, € 9 milhões por ano. Mas depois sobra aquela questão: como é que ele vai ser distribuído?
Parte do dinheiro fica para a própria liga, que já anunciou que o vai investir principalmente no desenvolvimento das equipas de arbitragem, enquanto que o restante será distribuído pelos clubes das duas principais ligas inglesas, portanto, 75% para os da primeira e 25% para os da segunda, que é normalmente chamado de championship. O acordo prevê, basicamente, que a BBC, a televisão pública inglesa, transmita 22 encontros por temporada, com um mínimo de 18 em canal aberto, e que a Sky transmita os outros 44 com os que sobram, portanto, os que não são selecionados nem por um canal, nem por outro, a passarem no FA Player, a plataforma de streaming da Federação Inglesa. Mas a verdade é que, números à parte, a grande diferença que irá existir nas próximas épocas em Inglaterra será dentro de campo e o país será o primeiro, claramente, a aproximar, ainda que com muita distância, os campeonatos feminino e o masculino.
Razão para nos explicares por que o dinheiro vai fazer assim tanta diferença? Bom, imagino que sim.
Sim, exatamente. Porque a verdade é que qualquer dinheiro no futebol feminino, nesta altura, faz diferença. E para termos uma noção, a jogadora mais cara da história do futebol feminino chama-se Pernille Harder e custou € 350 mil ao Chelsea para contratá-la ao Wolfsburg. Portanto, muito longe, por exemplo, dos 200 milhões que o PSG pagou por Neymar ao Barcelona. Segundo os dados da FIFA, o futebol feminino só movimentou € 1 milhão em transferências na época passada, o que também revela a ausência de fundos para a modalidade. Este acordo com a BBC e com a Sky, aliado também ao acordo de 20 milhões com o Barclays, que dá nome à primeira liga inglesa, vai fortalecer as equipas com poder de compra, vai valorizar jogadoras e vai dar aos clubes ingleses um fundo de maneio que nunca tiveram até aqui. A Inglaterra já estava a tornar-se o place to be, o sítio para estar no futebol feminino na Europa, as melhores jogadoras estavam a ir para lá, até as norte-americanas. As condições das equipas já só têm mesmo paralelo nos Estados Unidos, onde tudo está um degrau acima no futebol feminino. Mas agora, e com tudo isto, a verdade é que Inglaterra pode tornar-se definitivamente o polo mais importante do futebol feminino europeu.
E de Inglaterra passamos para o Brasil e para uma nova regra.
Sim, uma regra que teria importância em todos os países, mas que no Brasil será quase revolucionária. Segundo a comunicação social brasileira, a Confederação Brasileira de Futebol aprovou, em conjunto com os clubes, um limite máximo de dois treinadores por temporada para todas as equipas do Brasileirão, já a partir da próxima época. Além disso, aprovaram ainda a limitação de duas equipas que um treinador, o mesmo treinador, pode orientar na mesma época. A proposta foi apresentada por Rogério Caboclo, presidente da Confederação, e foi aprovada com 11 votos a favor entre os 20 clubes, portanto, com nove votos contra. Caboclo já tinha apresentado esta ideia antes, mas tinha sempre acabado chumbada até agora, até porque isto é uma bomba que rebenta no futebol brasileiro, que, como sabemos, é pautado por muitas mudanças na equipa técnica ao longo da época. Não há muita paciência para esperar por resultados, para aguentar treinadores, para falar em projetos a longo prazo. Se não há resultados a curto prazo e de forma imediata, esse treinador sai, entra outro. E vimos isso recentemente com treinadores portugueses, com Augusto Inácio no Avaí, com Josual de Ferreira no Santos, Ricardo Sapinto no Vasco da Gama. Mas ainda assim, a verdade é que os clubes brasileiros poderão já ter encontrado uma pequena brecha na lei.
A sério? Para poderem fazer mais chicotadas psicológicas? O que descobriram?
Basicamente, a lei indica que quando é o próprio treinador que pede a demissão, essa substituição não conta para esta contabilidade, não conta para o limite de dois técnicos. Só conta quando é o próprio clube a despedir o treinador. Está previsto também o cenário de um clube despedir dois treinadores, ou seja, não é obrigatório que o clube termine a temporada com o segundo treinador que contratou porque não pode ir buscar outro. A lei indica que tudo que tem de acontecer é que o clube, se despedir um segundo treinador, tem de terminar a época com um funcionário previamente contratado e não pode ir contratar outro. Ou seja, pode acabar a temporada com um adjunto que já estava na equipa, com o treinador da equipa B, que sobe à equipa principal ou com qualquer outra solução que encontre.
A jornalista do Observador, Mariana Fernandes, com as Outras Histórias do Desporto nas manhãs 360. Mariana, agora é até segunda, não é?
É verdade, até segunda. Um bom fim de semana para vocês.
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