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E já aqui temos a jornalista da seção do Desporto do Observador, Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bom dia.

Olá, bom dia.

Começamos pela UEFA, que tomou uma posição inédita e deu um conselho explícito aos clubes que fazem parte da organização.

Sim, e nos últimos anos tem sido cada vez mais comum ver não só a UEFA como a FIFA tomarem posições em relação ao racismo, ao fair play e à discriminação. É um sinal dos tempos, mas também é um sinal que lhes dá jeito, depois dos escândalos todos de corrupção, tentar limpar a imagem e dizer que afinal as coisas estão bem. Desta vez é uma atitude que chega depois de tudo o que se tem passado em relação à proibição em alguns países de as mulheres irem aos estádios de futebol, principalmente no Irão, e agora foi a UEFA, na pessoa do presidente, o Aleksander Čeferin, a aconselhar todos os clubes que fazem parte da organização a não jogarem nos países que proíbem a presença de mulheres nos estádios de futebol.

Mariana, mas isto foi apenas um conselho, não se tornou uma regra?

Não, por agora ainda não, porque ele diz que não pode. Isto aconteceu depois da reunião do comitê executivo da UEFA. O presidente da organização explicou que recomenda aos 55 países que integram a UEFA e a todos os clubes europeus que não aceitem jogar nestes países, e explica que a UEFA não pode castigar ninguém se os clubes decidirem jogar nestes países, no Irão, principalmente, já que essas decisões não são da jurisdição da UEFA, mas sim da FIFA, portanto passou a bola e a responsabilidade para a FIFA, mas que isso não significa que a UEFA não tenha nada a fazer e tenha de se calar. É um conselho explícito e foi a primeira vez que aconteceu a UEFA tomar uma posição clara em relação a este assunto, e agora a bola fica do lado da FIFA.

Abriu a porta.

Mais vale isto do que nada, não é?

É verdade.

Mariana, e em Espanha, num casamento já habitual, política e futebol voltaram a cruzar-se.

É cada vez mais normal nos últimos anos, principalmente com a questão da Catalunha, que capitalizou os sentimentos de toda a gente, incluindo os jogadores de futebol. O Guardiola sempre foi muito a favor da independência da Catalunha. O próprio Barcelona tomou sempre posições muito ativas pró independência da região. E agora foi o Xavi, um antigo jogador do Barcelona e da seleção espanhola, a dar uma entrevista, ele que está a viver no Catar há alguns anos, é agora treinador do Al-Sadd, e a dizer que prefere viver no Catar do que em Espanha, porque o sistema funciona melhor naquele país.

Essa foi forte. Porque o Catar também não é o país mais democrático que nós conhecemos.

Exatamente. Ele diz isso, ele reconhece, diz que sabe que vive num país que não é democrático, mas que prefere isso a viver em Espanha, porque se sente mais tranquilo e mais seguro. Comentou ainda que as eleições antecipadas espanholas, que vão ser em novembro, disse que terá de votar, porque quer o melhor para o futuro dos filhos, mas que lamentavelmente, Espanha não funciona da melhor maneira.

Tendo em conta essas declarações, já houve reações, seguramente.

Claro, até porque estamos a falar de Espanha, em que as coisas acontecem um pouquinho rápido.

Muito vivido.

Um dos primeiros a reagir foi o Albert Rivera, o líder do Ciudadanos. Uma opinião que ganha aqui principalmente mais força, porque o Rivera é um conhecido adepto do Barcelona, entrou aqui num conjunto de forças. Escreveu no Twitter que sempre admirou o Xavi, mas que não podia estar mais em desacordo, que a maior prova de que o Catar é uma ditadura é o fato de o antigo jogador dizer barbaridades sobre Espanha, mas não se atrever a criticar o Catar.

Tem o seu ponto.

Bem visto.

Ficou um a um.

Mariana, e a terminar, duas histórias rápidas que mostram que está muita coisa a mudar no desporto.

Temos aqui uma edição das outras histórias do desporto, assim um pouquinho ligada ao ativismo.

São as breves.

Primeiro, nos Estados Unidos, os Toronto Raptors, a equipa que na temporada passada conquistou o título da NBA, tornou-se a primeira a comercializar hijabs, um tipo de burca com o símbolo da equipa. A partir de agora, sempre que uma mulher, neste caso muçulmana, vai a uma loja dos Toronto Raptors, além de comprar uma camisola, uns calções, um casaco, pode também comprar um hijab e apoiar a equipa dessa forma. Na Argentina, aconteceu ontem o primeiro superclássico feminino, o primeiro jogo entre Boca Juniors e River Plate em futebol feminino. O Boca Juniors goleou por 5x0, o que também mostra qual das equipes está a investir um pouco mais. Mas depois de um ano, do ano passado, que ficou marcado pela violência em jogos entre as duas equipes, na final da Libertadores, que foi adiada, que teve de se realizar em Madri, porque as coisas estavam muito complicadas em Buenos Aires, a verdade é que o superclássico só com coisas boas para contar é bastante bom.

Mariana Fernandes com outras histórias do desporto. Amanhã há mais, sempre à mesma hora contamos consigo. Até já, Mariana.

Até já.

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