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Olá e sejam bem-vindos a mais um episódio de "Pela Sua Saúde", o podcast que põe a saúde em primeiro lugar e que procura analisar o estado da saúde em Portugal. Hoje falamos sobre as bolsas universitárias de mérito Apifarma, que tiveram a segunda edição este ano. Temos conosco José Miranda Coelho, diretor dos Serviços de Ação Social da Universidade do Porto e membro do júri das bolsas de mérito Apifarma. Bem-vindo, José Miranda Coelho, obrigado por ter aceitado este convite.
Muito boa tarde, obrigado. É com muito gosto.
Muito gosto também. Foram entregues recentemente as 10 bolsas da segunda edição das bolsas universitárias de mérito Apifarma. Como foi fazer parte do júri desta iniciativa?
Participar no júri de uma iniciativa desta grandeza é, naturalmente, por um lado, enriquecedor e, por outro lado, uma responsabilidade para os membros deste mesmo júri. E é assim que assumo a minha participação neste júri. A análise das candidaturas, que são muitas, é feita de uma forma criteriosa, com base quer no mérito, quer na situação econômico-financeira dos candidatos, garantindo, por isso, uma transparência de processo que é essencial num processo como este. Estas bolsas representam para muitos uma oportunidade essencial, nomeadamente para estudantes que enfrentam desafios muito significativos, desde logo de caráter econômico-financeiro, e permitindo assim uma continuidade de estudos e o alcançar do seu potencial e das suas ambições.
Há muitos candidatos a estas bolsas. O que vos chama mais a atenção nas diferentes candidaturas?
De facto, o número de candidatos é significativo, na ordem das centenas, o que reflete várias coisas. Por um lado, a necessidade de apoio que estes estudantes sentem e, por outro lado, também a sua capacidade de resiliência, porque são jovens que com desafios econômicos desta ordem de grandeza conseguem, apesar disso, alcançar resultados acadêmicos muito significativos, que aliás permitem depois fazer estas candidaturas.
E o que é que vos chama mais a atenção nas diferentes candidaturas?
O que está nestas candidaturas que é relevante é o facto de estes jovens, apesar de todo o contexto, conseguirem ter resultados extraordinários. Só para dar o exemplo, que estamos a falar, volto a frisar, de jovens em contexto socioeconômico não muito fácil. Temos uma das notas de candidatura que é 20.
Uau!
E por isso percebemos que são pessoas que se dedicaram, de facto, ao seu objetivo, um tempo muito adequado e conseguiram atingir, com a dita resiliência que há pouco mencionava, os seus objetivos.
São jovens com origens muito diversas.
Muito diversas. Eu dou só o exemplo, relativamente só dos 10 que acabaram por ser os selecionados. Estamos a falar de jovens desde o distrito de Bragança até ao distrito de Faro, passando por todo o país. E por isso há, de facto, uma abrangência muito grande relativamente à zona geográfica de onde vêm estes jovens e por isso também estas bolsas têm um impacto ainda, se me é permitido, mais efetivo e mais geral para todos estes jovens.
Devido à tal cobertura geográfica, é isso?
Exatamente, à dita cobertura geográfica.
José Miranda Coelho, os requisitos são ser alunos de excelência, e já percebemos que sim, que os há, há até um com nota 20, e com recursos financeiros reduzidos. É importante ter em conta o mérito acadêmico na atribuição destes apoios?
Eu acho que também é importante. É importante, pois serve até como incentivo para um trabalho árduo que tem que existir e a dedicação que é necessária para este tipo de enquadramento. Contudo, eu saliento que é muito relevante considerar o contexto econômico, uma vez que, de facto, é assim que se proporciona uma verdadeira oportunidade de mudança de vida a muitos jovens.
Muito bem. Enquanto diretor dos Serviços da Ação Social da Universidade do Porto, o SASUP, como é que vê este tipo de iniciativas? Faz sentido haver mais mecenato orientado para o apoio acadêmico?
Olha, eu vejo estas iniciativas de forma muito interessante e muito significativa. A aposta no mecenato acadêmico deve ser, na nossa opinião, uma linha de orientação muito efetiva. Representa, na prática, a forma como as instituições veem a sua responsabilidade social e permite ajudar de forma efetiva a combater desigualdades, mas também a promover desenvolvimento de talentos que de outra forma, muitas vezes, não tinham a oportunidade de brilhar e, por isso, de conseguir afirmar-se em termos das suas grandes ambições.
A Apifarma atribuiu 10 bolsas pela primeira vez em 2023 e mais 10 este ano. Sabendo que esta pode ser a oportunidade para 20 jovens prosseguirem os seus estudos superiores, é um contributo importante este?
Eu diria que é um contributo extraordinário. A Apifarma aqui está a dar um exemplo enorme de até onde pode ir a responsabilidade de uma organização deste género. Com a criação desta bolsa de mérito para o ensino superior, a Apifarma, isto é, a indústria farmacêutica, assume um compromisso de responsabilidade social, de facto, exemplar. E eu gostaria, com toda a franqueza, de ver refletido noutras instituições do gênero ou noutras entidades empresariais. Porque, de facto, cada uma destas bolsas acaba por apoiar jovens e deixar uma mensagem a toda a sociedade que é, na nossa opinião, essencial, de que a educação é uma prioridade e deve ser uma prioridade. E a educação é o melhor método para fazer o famoso, o tão falado e badalado, elevador social. E por isso a Apifarma aqui não só O afirma, como o demonstra em termos práticos, através da criação desta bolsa de mérito.
Portanto, vê com bons olhos-
Vejo com muito bons olhos
...a divulgação de mais iniciativas deste gênero.
Exatamente. Eu veria com muito bons olhos que estas iniciativas pudessem ser replicadas por parte da sociedade civil, para conseguirmos implementar novas áreas de apoio a jovens que são absolutamente decisivas para que eles possam afirmar-se naquilo que são as suas ambições, naquilo que é a sua capacidade que têm de evoluir e de ultrapassarem situações econômico-financeiras muito complicadas.
Este tipo de apoio, na sua opinião, poderia ser complementado com alguma forma de tutoria ou, por exemplo, um estágio?
Pode, de facto, eu acho que é uma evolução que eu rotularia de muito positiva. A junção, por um lado, do apoio financeiro, que é o que temos aqui, com iniciativas como estágios, tutorias ou até programas de mentoria, poderiam oferecer aos estudantes uma preparação mais robusta para a realidade profissional com que depois vão se ver confrontados. O complementar destas situações, creio que podia levar a um impacto ainda maior por parte destas bolsas.
Uma espécie de continuidade, é isso?
Exatamente, uma espécie de continuidade. E de apoio também ao longo da sua existência enquanto bolsa, enquanto estão em termos de ensino superior. Mas permitiria desde logo a passagem para a realidade profissional de forma mais consistente, provavelmente.
Em 2025 está prevista uma nova edição das bolsas universitárias de mérito Apifarma, será a terceira edição. José Miranda Coelho, tem alguma sugestão para os organizadores?
Como já até falámos aqui na pergunta anterior-
Sugira à vontade.
Vou dar nota apenas de que, de facto, o acompanhamento. Acho que é importante que agora possamos acompanhar o que resultou destes dois anos de atribuição e, principalmente, qual foi o impacto que eles tiveram na vida dos estudantes. Eu creio que é muito relevante, mas era importante que esse acompanhamento pudesse ser feito e creio que, naturalmente, a Apifarma o fará. E eventualmente, e para futuro, duas linhas de orientação, talvez um pouco esta de permitir avançar para a questão dos estágios e da continuação na vida da questão profissional. E, por outro lado, no momento em que tivermos já um conjunto de alumni das bolsas Apifarma, podemos criar uma espécie de rede desses alumni que podiam ser inspiradores para futuros candidatos, por um lado, e, por outro lado, apoiar os que entretanto fossem novos bolseiros.
Criando aqui uma espécie de comunidade em torno desta bolsa universitária de mérito.
Exatamente.
Muito bem, José Miranda Coelho, agradeço-lhe imenso. Muito obrigado.
Obrigado. Um bom dia para ti.
Voltamos daqui a 15 dias para continuar a falar de saúde. Até lá.