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Tudo pronto para o "Porque SIM não é resposta". Eu sou a Ana Filipa Rosa. Já estão em estúdio o Ricardo Conceição e o Eduardo Sá.
Mas não parece.
Bem-vindos.
Por que que estás-
Não sei, eu tenho conta que nunca digo meu nome no início.
Por que que estás vestida de dama antiga?
Não estou, não. Isso é só amanhã, Ricardo Conceição.
As miúdas já não se vestem de dama antiga, quer não?
Eu quero muito falar do carnaval, Eduardo. Nós amanhã fazemos-lhe a vontade.
Pois é. Sabe, se isto parecesse aqueles grupos de encontro, tipo alcoólicos anônimos e coisas do gênero, eu responderia: "Olá, Ana Filipa Rosa."
Pois é. Tudo bem? Bom.
Olá, meu nome é Ricardo.
Boa semana.
Olá, Ricardo Conceição.
Quer dizer, tenho vários, mas isso agora não interessa nada.
Não vou acrescentar por aí, que tens pouco tempo. Mas, Eduardo, hoje-
Deixa-me só tirar o cinto de caubói que eu trouxe.
Com certeza, vai fazer barulho.
Este alguém ponha ordem nisto.
Alguém segura a Ana Filipa Rosa.
É a folia, eu sinto-me contagiado.
Eu sei, é porque é segunda-feira, pronto.
Exatamente.
E à segunda-feira temos todos mais energia.
É Carnaval, sempre contagiados.
Sim, vamos lá.
Amanhã falaremos sobre isto, mas hoje temos aqui uma pergunta da Isabel Oliveira, que escreve: "Socorro!" Numa mensagem, começa assim: "Socorro." Ora, a Isabel quer saber qual é a idade, nos tempos que correm, para considerarmos que uma criança entra na adolescência. Tudo porque a Isabel tem três filhos, portanto, duas raparigas e um rapaz. A mais velha tem 30 anos, o mais novo tem 12, e a Isabel diz que ele acha que já é homem, o mais novo acha que já é homem, que pode tudo aos 12 anos, e que diz à mãe: "Ó mãe, dá-me um desconto que estou na idade da parvalheira." Isto é genial, Isabel. Obrigada por ter partilhado este momento conosco. Ora bem, então, o rapaz está na adolescência aos 12 anos?
Não, Ana Filipa Rosa, há uma diferença entre a adolescência e a idade da parvalheira.
Então, vamos esclarecer tudo isto.
A idade da parvalheira, que é uma designação que eu acho deliciosa. A idade da parvalheira é um argumento de uma habilidade absolutamente sem fim, que um filho que percebe que tem um tempo de antena muito querido da parte daquela mãe, utiliza muitas vezes para, usando linguagem de adolescente, meter a mãe no bolso. Portanto, é como quem diz: "Pronto, dá-me o devido desconto e, no entretanto, eu vou faturando com a tua condescendência." Gosto desse miúdo.
É verdade, mas é engraçado que a Isabel diz que as raparigas foram meninas até muito tarde. Por volta dos 15, 16 anos é que a Isabel começou a sentir que elas estavam ali a entrar na adolescência. Mas ele é esperto, não é, Eduardo? Já está a puxar.
Ó Isabel, um rapaz que aos 12 anos diz que está na idade da parvalheira, felizmente, ainda é muito menino. Por mais que diga que é homem, claro, fico muito contente com isso. Mas não sei o que é que se pode dizer mais. Eu acho que quando uma mãe vacila, às vezes não precisa de abrir a boca, é só vacilar. Perante um argumento desta ordem de grandeza, pronto, ele já pode tudo e a seguir a Isabel vai se deixando conduzir.
Mas isto é muito típico dos irmãos mais novos, não é? Independentemente de serem rapazes ou raparigas, vão ali pegando nas estratégias que foram vendo ao longo do tempo com os mais velhos.
Sim, os pais, entretanto, aprenderam a ser pais e são mais bonitos como pais. São muito mais bonitos como pais, é só vermos as vezes em que os pais ralham um filho mais velho e um filho mais novo. Ralham menos os filhos mais novos, nem que seja uma palmada simbólica. Se deram uma palmada simbólica em toda a vida de um filho mais novo, já é uma sorte. Ponham a sorte entre aspas, por favor. E portanto, sim, os filhos mais novos têm este lado de uma adoração sem fim. E portanto, Isabel, ninguém nos está a ouvir, mas este rapaz na idade da parvalheira, espero que as suas filhas não oiçam, se não vai ser um desastre, meu Deus. Pronto, ninguém nos ouve. É definitivamente o seu filho querido. Que sorte para ele.
E deve ter as manas também a mimar o menino, claramente.
Sim, de vez em quando a dizer: "Ah, sim, ele pode tudo e nós era o que se sabe."
O menino pode tudo.
Sim.
Não, mas isso também, pronto, é normal. Lá está.
Eu acho uma ternura.
Porque a vida foi muito mais difícil para os mais velhos, em muitas coisas.
Nós os três estamos aqui a escutar a filha mais velha.
Exatamente.
Claramente.
Muito mais difícil, Ana Filipa.
Muito mais, muito mais injusta.
Sem dúvida nenhuma.
Queres dizer mais alguma coisa?
Não, por mim está bom. Mas é, não é?
Se não é, por que os filhos mais velhos são os certinhos oficiais de todas as famílias? Porque os pais são muito mais exigentes em relação a eles. Os filhos mais novos são sempre os rebeldes encartados, sempre. É porque sentem que depois, mesmo quando as mães e os pais zangam, zangam-se com um brilhozinho nos olhos, do gênero: "Aquele meu pimpolho, tem mesmo mau feitio, é uma delícia."
Tem muita graça, não é?
Exatamente.
Mas o engraçado é quando os irmãos mais velhos depois também se tornam muito protetores em relação ao mais pequeno, precisamente por isso.
Aliás, toda a gente a trabalhar para isto. E depois temos aqui um rapaz que tem reivindicações que sobram todos os dias.
Mas há uma idade oficial para entrar na adolescência? O que dizem os livros, Eduardo?
Isso aí é diferente. Os livros dizem que a adolescência é, no fundo, definição.
Definição.
É o conjunto de transformações psicológicas de adaptação à puberdade.
Ora bem, esclarecedor.
Não diria melhor.
Ou seja, o corpo anda ali aos solavancos, as hormonas dão uns empurrõezinhos e, meu Deus, uma pessoa está a rir-se, mas é uma dor de cabeça permanente. E, portanto, se não for antes, ali pelos 12, 13 anos, cá temos a adolescência como deve ser. Aos 14, os solavancos são muito maiores, porque de repente a adolescência bate na cabeça. As fibras nervosas passam a ter muito mais bainhas de gordura e, portanto, o impulso nervoso ganha uma velocidade fenomenal. E as crianças que são certinhas para aí até aos 13 ou 14, de repente acordam um dia e querem mudar o mundo. E insurgem-se, interpelam os pais e põem críticas, têm opiniões políticas e filosóficas e preocupam-se com a morte. E de repente aquilo é a uma velocidade tão estonteante que os pais que pareciam estar num clima de alguma bonomia, sentem-se numa montanha-russa permanente e esse lado é um lado muito bonito.
E os pais que sabem que isso vai acontecer, mesmo assim nunca estão bem preparados para esse momento.
Nunca estão preparados.
Eles próprios já esqueceram também que viveram isso, não é?
Sim, porque de repente, até a determinada altura, os filhos acatam a autoridade dos pais. E a partir de um determinado momento, às vezes é quase de um segundo para o outro, começam a pôr tudo em causa. "Mas quem és tu para me dizer estas coisas?" Ou a chutarem para canto, como só os filhos são capazes de fazer. Os pais chamam para qualquer advertência e os filhos respondem com "sim", com muitas reticências, "já vou" e outras coisas do gênero, e vão estourrando completamente a paciência dos pais, a paciência das mães, sobretudo. Porque eu acho que as mães deste país, não fiquem zangadas, mas acho que as mães às vezes não aprendem, porque as mães são tão transparentes que reagem com efeitos especiais, se for preciso, a qualquer provocaçãozinha. Portanto, a coisa acaba sempre desta maneira: "Não me falas assim porque eu sou tua mãe", como se eles tivessem dúvidas.
"Respeita-me que eu sou tua mãe."
Como se eles tivessem dúvidas em relação a isso. Mas sim, são muitas modificações estonteantes. A questão aqui é quando é que se sai da adolescência, talvez. Porque formalmente sai-se aos 18, eu prefiro empurrar as coisas ali para os 30, na Filipa.
54, neste caso.
Só estava a meter-me com ela.
Mas há aqui uma diferença entre os rapazes e as raparigas nesta fase de entrada na adolescência, depois também na saída.
Os rapazes são mais bonitos.
Então. Discordo, mas sim.
Estou-me bem agora, não estou enganado. Mas eu, por acaso, tinha a ideia contrária. Achava que as miúdas são mais pondaradas.
Entram mais cedo, não é?
São mais maduras. E eles, às vezes, como é a expressão do filho da Isabel?
São mais dados à parvoeira.
São à parvalheira.
Ora bem. Vamos lá ver.
E aquele buço também.
Coitados.
É uma desgraça.
E a primeira vez que se faz o bigode.
É verdade, Eduardo.
É um momento tão solene.
Estou a adorar esta troca de experiências.
Ora bem, depende da maneira como são criados, e da maneira como nós lhes damos espaço ou não. Muitas vezes, o crescimento das raparigas não é tão compenetrado como à primeira vista pode parecer. Às vezes, parece mais compenetrado do que de facto é. Às vezes, os pais ficam até mais preocupados quando uma filha de 13 anos é capaz de se preocupar com namorados e ao mesmo tempo tem todos os pelos meticulosamente alinhados. E, portanto, é esta assimetria que faz a saúde. E, obviamente, os rapazes, o que faz uma grande diferença, sobretudo, são os grupos dos rapazes e os grupos das raparigas, porque não são iguais. Os grupos dos rapazes, a partir dos 12, passam a ter uma linguagem imprópria para o ouvido dos pais. Eu acho que até é bom que os pais às vezes não vejam as mensagens escritas, porque em cada 10 palavras se arriscam a ver 12 palavrões. É mais desengonçada. Dão aqueles palmadões ao homem, que é uma maneira de dizer "gosto de ti", que uma pessoa até se engasga. Fazem competições entre eles que mais valem nem conversarmos em direto na rádio.
Exato.
Insultam-se, agridem-se. Às vezes agridem-se. Bom, as fúrias de adolescentes. Então, de irmãos adolescentes. Está a ver o que é uma parvoeira ou uma parvalheira ao quadrado. Aquilo é mesmo uma coisa feia, tipo a Aleia de Gauleses quando o outro decide começar a cantar. Mas depois aquilo corrige mais, as raparigas são mais esquinas, é diferente nalguns aspetos. Eu acho uma delícia quando não tenho que conviver com eles todos os dias.
É muito giro ver de fora.
De manhã temos a nossa filha com a sua melhor amiga, à hora do almoço já se incompatibilizaram para toda a vida, a seguir reconciliam-se ao meio da tarde com muitas lágrimas de por meio, a seguir já estão a barafustar. Todos os dias, é uma canseira. E portanto, são um bocadinho diferentes, mas também depende da maneira como nós colocamos expectativas e exigências e daquilo que eles de alguma forma sentem, é o espaço que nós lhes damos, é isso que faz a diferença.
"Porque senão é resposta" acontece de segunda a sexta-feira. Amanhã teremos um episódio especial sobre o Carnaval, Ricardo Conceição.
Boa!
Fiquem preocupados, vai acontecer.
Deixe-me só dizer à Isabel.
Amanhã temos corso. Desculpa, Eduardo.
Não. Só dizer à Isabel uma coisa que é mesmo verdade. Um miúdo que aos 12 anos pode ter esta parvalheira toda com a mamãe, é um miúdo tão descaradamente amado. Aliás, acho que foi por causa disso que a Isabel escreveu, não é? Que a Isabel deve estar superorgulhosa por ter amado tão descaradamente um filho assim. E essa é a verdade. E vamos ao Carnaval.
Obrigada, Isabel, pela sua pergunta, pela sua participação. Amanhã cá estaremos. Até amanhã.
Num carro alegórico.
Talvez. Até amanhã.
Até amanhã.
Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM, na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada!