Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Bem-vindos ao primeiro "Porque sim, não é resposta" da semana. Hoje vamos falar de uma história muito curiosa. Eduardo, olá, boa tarde. Ainda não tivemos um caso destes. Duas irmãs muito próximas de idade, uma tem seis, a outra tem quase cinco anos, portanto, há aqui uma diferença de um ano e meio. A mais nova está sempre a querer ser como a mais velha, como a irmã, e diz: "Quero ser a minha irmã, porque ela faz tudo bem." E esta mãe escreveu um pouco angustiada, porque não quer ver a filha a sofrer e quer tentar explicar que ela não precisa de ser igual à irmã. Como é que isto se faz, Eduardo?

Olá, Judite. Para começar uma semana não podia ser melhor.

Exato.

Estamos a falar de duas gêmeas com um ano de diferença.

É isso.

Uma coisa desse tipo. Acima de tudo, eu acho que é uma ternura, começando pelo princípio, que se tenha como ídolo alguém que tem mais um ano do que nós. Ou seja, é uma coisa tão rara, mas ao mesmo tempo tão fascinante, que eu acho que é uma ternura sem fim. E depois, eu acho que há aqui também um pormenor, que é: se de fato esta irmã mais velha fosse muito privilegiada aos olhos da mais nova, ela quereria ser tudo menos igual à irmã mais velha. Ou seja, esta mãe tem feito um trabalho incrível, que é de conseguir ter duas filhas que têm quase a mesma idade, quando uma é referência para a outra e não há aqui uma rivalidade que acabe por estar sempre a fazer com que andem ali num choque frontal. Acima de tudo, eu acho que esta mãe tem que ficar muito orgulhosa daquilo que tem estado a fazer. E, sobretudo, eu não vejo mal nenhum que a mais pequenina tenha como grande referência uma cidadã que tem mais um ano do que ela. Não vejo mal nenhum, porque acho absolutamente ternurento que uma menina tão pequenina tenha como referência tudo aquilo que ela reconhece, não o que os grandes fazem, não o que os adolescentes podem fazer, não. Aquilo que uma irmã um ano mais velha consegue fazer. E, portanto, eu não vejo mal nenhum que isto aconteça, nem acho que seja preciso que uma mãe passe o tempo a dizer: "Não, por favor, tens que ser tu" e outras coisas do gênero. Porque ela é ela, começando pelo princípio, e de cada vez que tente replicar alguma coisa da irmã, vai fazê-lo com uma tão clara impressão digital que não há como elas se baralharem uma na outra. E, portanto, que bom quando se pode crescer com referências assim.

Mas isto passa, não é?

Claro, evidentemente. Repare quando ela sentir que tem que ir para a cama uma hora mais cedo só porque é um ano mais nova, de repente começa a achar que há ali certas pessoas que têm alguns privilégios muito questionáveis e, portanto, isto depois vai dar um ou outro episódio, nem sempre tão cor-de-rosa. Mas neste momento, significa que aquela mãe tem feito um trabalhão magnífico e que aquela irmã mais velha, tendo um conjunto de características que são manifestamente admiráveis, ainda assim, tem sido bondosa o suficiente a ponto da mais nova dizer: "Mas por que não ser igual a ela?" Que coisa bonita.

Há uma questão que esta mãe põe, que é: o que a mais nova vê a irmã fazer é, por exemplo, a desenhar melhor, a pintar dentro das margens. Há algo que é natural na mais velha, porque está numa fase de desenvolvimento mais avançada. Isto tem um impacto muito significativo na mais nova. Há aqui uma necessidade de perfeição?

Não, de todo, Judite. Não, há qualquer coisa que devia estar presente nas nossas vidas e que muitas vezes não está desta forma como devia ser, que é por que não nós aprendermos com os melhores para podermos um dia ser melhor que eles. E, portanto, não há problema nenhum. Agora, eu percebo que haja esta diferença. Quantas vezes isso não acontece em todas as nossas famílias, quando um dos nossos filhos já sabe ler e o outro consegue admirar as imagens e mais nada que isso. E, portanto, é tão estimulante perceber que se nós crescermos, se fizermos um pequenino esforço para crescer mais, conseguimos fazer coisas tão admiráveis, que é isso que no fundo nos obriga a crescer. Eu acho que às vezes nós não nos damos conta que primeiro ficamos assim um bocadinho invejosos em relação às coisas que os outros são capazes de fazer, que nós não somos. Mas se formos pessoas muito inteligentes, transformamos a inveja em ambição. E acho que às vezes nós temos muita vergonha de assumir a nossa ambição. "Eu um dia quero ser igual à minha irmã" não significa que se anule completamente, nem significa que esteja roída de inveja por aquilo que a irmã faz. Significa que se eu pudesse ser um dia igual à minha irmã, e já para não ir mais longe, também um bocadinho igual à minha mãe Replicando tudo aquilo que ela está a fazer de muito bom. Se eu for capaz de ser igual às duas, à medida que for crescendo, sou bem capaz de ser melhor que elas. E é esse o caminho que no fundo todos tomamos, às vezes sem nos darmos conta do que estamos a fazer.

É curioso dizer isso, porque esta mãe vê na mais nova um desenvolvimento superior, exactamente porque ela tenta ser melhor e imita a mais velha. Mas isto normalmente acontece entre dois irmãos?

Sempre. Invariavelmente, sempre. Agora, lá está, às vezes há idades em que as coisas complicam. Porque às vezes, quando se tem um irmão de seis ou de sete e se tem 13 ou 14, dá-se aspiado ao miúdo, mas entretanto o miúdo vai ao quarto mexer nas coisas do mais velho e portanto, de repente, começa a haver ali algumas arestas que não correm bem. Mas de facto, quando se tem irmãos mais velhos, eles são enciclopédias absolutamente fantásticas em relação àquilo que se mexe e portanto, é natural que os mais pequeninos queiram copiar a maneira como ele anda de bicicleta, ainda mal são capazes de pôr os pés no chão, e a forma como desenha, e a mode como sabe ler. E depois as festas em que de repente o mais velho vai e o mais pequenino vai só acompanhar, mas fica na expectativa de alguém o convidar para ficar também. E estes aspetos ajudam-nos a perceber que os irmãos, quando são bem geridos pelos pais, são tão indispensáveis, tão insubstituíveis, que depois geram isto, os mais pequeninos a querer crescer com os mais velhos e às vezes os mais velhos a terem alguma ciumeira pelos mais novos terem qualidade de mãe, de pai, atenções e mimos, que às vezes os mais velhos fazem de conta que não são indispensáveis, mas que ao mesmo tempo ficam ali ceios de inveja por não poderem merecer o mesmo só porque são mais velhos.

Estamos perto do fim, mas quando esta mãe acha que esta criança pode estar em sofrimento, pode apaziguar esse coração de mãe?

Claro que sim! Meu Deus, temos acima de tudo uma mãe de uma bondade fora do lugar. Só uma mãe com esta bondade é que é capaz depois, em piloto automático, de criar duas filhas que funcionam em comprimentos de onda diferentes, mas que ainda assim estão ali avidamente a aprender uma com a outra. Agora, ela não precisa de se preocupar com mais nada, não precisa de ler livros, blogs e outras coisas, só precisa de continuar a ser tão intuitiva como tem sido, porque se ela ao fim destes anos já conseguiu fazer isto com elas, as duas, agora imagine quando elas crescerem.

Eduardo, hoje ficamos por aqui. Já sabe, continue a escrever-nos para eduardo@observador.pt com estas e outras dúvidas que são sempre tão enriquecedoras para este programa. E já sabe também, continue a ver-nos em podcast ou no site do Observador. Eduardo, um grande abraço, obrigada e até amanhã. E amanhã vai ser um episódio especial. Podemos revelar?

Claro que sim.

Então, dou-lhe a palavra.

Tem havido uma série que tem tido milhões e milhões de visualizações na Netflix sobre a adolescência. E tem tido um impacto tão significativo nos pais, sobretudo porque eu acho que com ela os pais perceberam finalmente os perigos que os filhos podem correr, nomeadamente com as redes sociais. Mas essa série trouxe tantas outras questões sobre a adolescência que a Rádio Observador decidiu fazer um programa especial sobre isso. Amanhã às 16:00, não é, Judite?

Exatamente, às 16:00.

E vamos estar ali um bom tempo a falar sobre a adolescência.

Está combinado. Um grande abraço, Eduardo. Obrigada e até amanhã.

Obrigado por existir e até amanhã.