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Sim, iniciou a sua defesa pública. Eu concordo com o que eu vi o Miguel e o José Manuel Fernandes dizerem e, portanto, não os vou repetir. Nem quanto ao fato de fazer uso da residência oficial e do seu lugar de primeiro-ministro quando já é demissionário para fazer isto. Aliás, a gente pergunta se era para dizer isto, por que não disse antes ou por que não diz daqui a uma semana, como aliás acho que foi André Ventura que referiu. Mas o que eu acho que foi mais significativo, do meu ponto de vista, tem a ver com alguma coisa que o Miguel dizia agora no fim, e que me parece que fica claríssimo: é que António Costa utilizou isto para fazer a sua defesa pessoal. Não sei se só com base no que leu nos jornais, mas se não terá tido já acesso ao processo, e se isto não é uma declaração a conselho dos seus advogados, está claro que vai deixar cair toda a gente à sua volta, seja o seu melhor amigo, seja o chefe de gabinete, seja o ministro, seja quem for. Aquilo que se lê desta intervenção inusitada e inopinada do primeiro-ministro esta noite, é que ele foi fazer a sua defesa pessoal e foi, sobretudo, dizer, entre aspas, ou para quem o quis entender: "O que aqueles senhores fizeram, eu não tenho nada a ver com isso. Eu, da minha parte, não fiz nada de mal." Foi aquilo que eu li daquilo que ele disse. O tema mais complicado do seu chefe de gabinete e dos envelopes de dinheiro, começou logo por matar esse assunto com aquele pedido de desculpas no início da sua intervenção, mas também não era para isso que ele fazia esta conferência de imprensa, porque ele já o disse naquele passeio a que assistimos esta semana, a caminho do Largo do Rato. Já estava dito o que achava e já estava feito o pedido de desculpas. Portanto, isto foi uma estratégia de defesa, do meu ponto de vista, já terá sido aconselhada por um advogado, mas onde fica claro que se vai afastar completamente de todos aqueles que estão neste momento a ser interrogados.