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As famílias dos seis jovens que morreram durante uma praxe na praia do Meco pedem indenizações no valor total de 1.300.000 €. Na primeira sessão deste julgamento, o antigo líder da praxe e único sobrevivente, João Gouveia, prestou declarações sobre o que aconteceu naquela noite de dezembro de 2013. E a jornalista do Observador, Carolina Branco, esteve acompanhando também esta sessão, tem estado acompanhando este caso. Muito boa tarde, Carolina. O que disse, afinal, João Gouveia nestas declarações em tribunal?

Boa tarde, João. Esta é a primeira vez que João Gouveia fala num tribunal, porque o processo penal nunca chegou a ir a julgamento, o que vai agora é o processo cível. Portanto, é a primeira vez que João Gouveia, 60, enfrenta um juiz para explicar o que aconteceu naquela noite. E foi isso mesmo que ele fez. Do essencial, fica que aquela atividade na praia não era qualquer atividade sequer planejada, os estudantes saíram apenas de casa para ir dar um passeio e não estava sequer planeado que o passeio fosse na praia, tudo aconteceu de forma espontânea, segundo explicou João Gouveia, e acabaram então por ir parar à praia, onde se sentaram, ainda longe do mar, apenas a conversar. O antigo duque explicou à juíza que um dos estudantes, Tiago Campos, chegou mesmo a levantar-se e sugerir que fossem embora porque estava a ficar demasiado frio e ele próprio, João Gouveia, também se levantou com a mesma ideia do colega e terá sido então nesse momento que surgiu uma onda que os levou aos sete. João Gouveia faz até uma comparação, disse que parecia uma máquina de lavar o que estava a acontecer, que estava preso nas ondas e não conseguia sair. Ainda viu uma das colegas a gritar socorro, ainda conseguiu agarrar a mão de outra para tentar salvá-la, mas não conseguiu, deixou de os ver e acabou então por conseguir sair do mar, explicando até que tem alguma experiência em bodyboard e por isso conseguiu nadar contra a corrente e acabou então por sair ileso.

Carolina Branco, deixa eu perguntar também uma coisa: como é que foi exatamente a postura e também o comportamento de João Gouveia enquanto prestava estas declarações sobre o que aconteceu nessa noite?

João Gouveia foi ouvido durante muitas horas, mas isto não significa que tenha falado muito. Ele estava com uma postura muito descontraída, braços cruzados, com o pé em cima do joelho, e foi falando de forma muito descontraída, não desenvolvendo muito as ideias, respondendo por vezes com sim ou não, e mostrando até sinais de impaciência quando o advogado que representa as famílias fazia algumas perguntas que ele próprio considerava que não deviam ser feitas e, por vezes, questionando ele a própria advogada se deveria ou não responder. Advogada essa que estava sempre a mandar alguns sinais a João Gouveia enquanto respondia às perguntas da juíza e dos advogados intervenientes.

Carolina, só mesmo para terminar, para quando é que estão agora marcadas essas novas sessões em tribunal, neste caso?

A próxima sessão acontece já amanhã. Vão continuar a ser ouvidos os pais das vítimas. Dois deles já foram ouvidos hoje, mas há mais para ouvir. Vão ser ouvidos amanhã e há sessões marcadas praticamente todas as semanas, por vezes duas por semana, até junho, pelo menos.