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Por um lado confirma-se, António Costa usou a residência oficial do primeiro-ministro para explicar ao país a tese da defesa num processo judicial. É a tese de que não se passou nada de mal, os governos fazem estas coisas todos os dias, o que está em causa aqui apenas é a defesa do interesse nacional, conseguir criar milhares de empregos. E portanto, esta é a tese dos advogados de defesa. E António Costa veio aproveitar o facto de ter o poder de falar ao país às 20h da residência oficial do primeiro-ministro para desenvolver essa teoria e convencer os portugueses dessa teoria. Aliás, ele próprio confessou que decidiu falar hoje na sequência daquilo que tem lido nos jornais sobre o processo judicial. Mais clarinho era impossível. E portanto, confirma-se aquilo que se temia. Esse é o primeiro ponto. Em segundo lugar, o António Costa passou da frase "a culpa é do Passos" para "a culpa é do Marcelo Caetano". Então agora foi desde 1971, quando Marcelo Caetano decidiu que Sines ia ser o grande polo industrial, aí é que está a raiz de todo o problema e daí para cá, tudo o que foi feito foi na sequência dessa decisão. E depois tivemos esta parte final das declarações do primeiro-ministro, em que há dois pontos. O primeiro ponto é a confirmação de que há coisas no processo estranhas, porque o primeiro-ministro distancia-se delas. Se as coisas que estão no processo fossem todas normalíssimas, o primeiro-ministro só tinha que dizer: "Bem, do que vi até agora, o professor Vítor Escária..." agora é professor, não é? Portanto, o professor Vítor Escária fez tudo bem. Mas não, o que António Costa disse foi: "Alguns factos reportados são do meu mais absoluto desconhecimento." Portanto, António Costa afasta-se de alguns factos reportados que foram protagonizados por Vítor Escária. E também se distanciou de Diogo Lacerda Machado, porque António Costa diz que o que quer que Diogo Lacerda Machado tenha feito ou não neste processo, nunca o fez com o meu conhecimento, autorização ou interferência. Portanto, António Costa cria uma bolha de isolamento entre ele e o seu colaborador mais direto. António Costa deu gás e deu força à figura de Diogo Lacerda Machado, dizendo que ele era o seu melhor amigo e chamando-o para lugares de confiança política e pessoal. António Costa ao longo dos anos colocou Diogo Lacerda Machado como o seu representante para resolver uma série de problemas que surgiam desde a banca até à TAP. E a força de Diogo Lacerda Machado nessas missões públicas sempre foi a proximidade com o primeiro-ministro. Não foi a sua capacidade técnico-política ou o seu poder político no PS. Não, foi a sua proximidade com o primeiro-ministro. Isso é que lhe deu força para agir na questão dos lesados do BES, para agir na TAP. Foi isso, não foi mais nada. E esse poder foi-lhe dado diretamente por António Costa. E portanto, António Costa não pode agora, que a coisa correu mal, agora que está evidente para toda a gente que pelo menos Diogo Lacerda Machado invocou e usou o nome de António Costa para os seus assuntos empresariais, não é agora que António Costa vem dizer ao primeiro-ministro: "Não tem amigos." Isso sabemos nós. Isso foi-lhe dito na altura por várias pessoas. E no entanto, António Costa o que fez? Fez o seu sorriso e seguiu em frente. Continuou a utilizar Diogo Lacerda Machado