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Em direto, junta-se a nós neste jornal o editor de desporto do Observador, o Bruno Roseiro. Muito boa tarde, Bruno. Esta é uma saída com sabor amargo de Mourinho, não conquistou qualquer título pelo Tottenham.

Independentemente destes últimos dois, três meses, onde os resultados claramente quebraram e houve uma quebra anímica na equipa, sobretudo em janeiro, mas naquela derrota em Anfield, que eu acho que é o ponto viragem da época do Tottenham, porque o Tottenham podia sair líder da Premier League e sofre o gol no minuto 90 do Firmino. E a única competição que José Mourinho podia ganhar e que tem a final no domingo, Daniel Levy entende que esta é a altura ideal para substituir José Mourinho. Esta é a única dúvida que eu tenho. Ou seja, se me perguntares se é normal Mourinho ser despedido, mediante o contexto, mediante o plantel e mediante as ambições do Tottenham, diria que sim. Se é normal ser despedido nesta altura, diria que não, porque das duas, uma: o presidente do Tottenham ou tem medo que José Mourinho ganhe um título e a partir daí seria muito mais complicado poder abdicar dele, ou então não está a valorizar a Taça da Liga, porque com certeza que em termos teóricos, não será mais fácil ganhar o City com um treinador interino que vem das camadas jovens do que com o treinador que tem trabalhado com esta equipa desde o início e que já fez 17 meses com estes jogadores. Portanto, surpreendido pelo timing, não tanto pela decisão. Suspeito que provavelmente a questão da Super Liga Europeia também terá alguma coisa a ver com esta decisão do Tottenham.

Mas a verdade é que, entretanto, esta questão da impossibilidade da Liga dos Campeões também deixou de ter tanto significado com esse aparecimento da Super Liga Europeia, em que o Tottenham é um dos clubes fundadores que quer avançar com essa competição.

Sim, o Tottenham é um clube rico, sem história, sem currículo, mas que acha que está ao nível dos maiores. Este é o resumo do Tottenham, porque nós olhamos pro currículo do Tottenham e perguntamos: mas por que o Tottenham faz parte de uma Super Liga Europeia e está entre os 12 do topo? Mas a verdade é que a partir do momento em que entra nesse barco, e a partir do momento em que fecha os olhos e os clubes ingleses vão pagar muito caro aquilo que estão a fazer, muito mais do que o Real Madrid e do que o Barcelona, porque esses dois, sobretudo esses dois, sabem muito bem aquilo que estão a fazer e sabem muito bem que esta nova competição é a única maneira de esconder os exercícios falhados em termos financeiros que têm vindo a acumular. Os clubes ingleses não, não têm propriamente esse problema. E, portanto, o Tottenham provavelmente aproveitou esta questão da Super Liga para dar um abanão na equipa, aproveitar para despachar já aquilo que achavam que não teria futuro e começar já a preparar esse futuro, a pensar na Super Liga Europeia. Mas tem aqui vários problemas. Primeiro, não é fácil encontrar agora um treinador que queira agarrar na equipa até ao final da temporada, tendo em conta os objetivos ou os parcos objetivos que existem. Ponto número dois, vamos ver se a Super Liga Europeia arranca. E é um risco muito grande aquele que o Tottenham está a tomar, até porque acaba por ser um contrassenso. Quando nós ouvimos as palavras do presidente do Tottenham a falar da despedida de Mauricio Pochettino como se fosse uma das decisões mais difíceis da vida dele e, afinal, José Mourinho, num clube e numa competição que é valorizada por dar mais tempo aos treinadores do que é normal, não chega sequer a dois anos, houve ali alguma coisa, há algum problema. Muito provavelmente durante a semana vamos saber mais em relação a estes bastidores do Tottenham. Agora, parece-me que o Tottenham continua a dar passos maiores do que a perna. E a culpa também é de quem acha que o Tottenham merece pertencer a uma Super Liga Europeia que junta os 12 teóricos melhores clubes da Europa.