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Não sei se voluntariamente ou involuntariamente, havia um sinal físico muito evidente disso, que era a presença da sua esposa, da sua mulher, que habitualmente aparece em campanha eleitoral. Não me recordo de ser uma figura muito presente em atos oficiais, nomeadamente ali no Palácio de São Bento, não me recordo, pode falhar-me a memória. Agora, relativamente à substância, fica claro que todo o episódio do dinheiro de Vitor Escária criou um problema grande a António Costa e ele nisso cortou cerce. Eu diria que ele devia ter cortado na véspera, devia ter logo dispensado Vitor Escária antes de esperar pelo perceber do dinheiro, face àquilo que já se sabia nessa altura. Agora, no que respeita à questão central, que é a questão de isso tudo ser normal, porque nós estamos a tratar de trazer investimento para Portugal. Vamos um pouquinho mais devagar. Por quê? Porque é normal que os governos se preocupem com o investimento internacional. É normal que os governos procurem que venha investimento internacional. É menos normal que os governos tratem de torcer a lei para que esse investimento internacional venha. E o que nós sabemos deste processo é que em vários momentos isso terá acontecido e por isso é que aqui há problemas. Tentar compatibilizar, como ele deu exemplo, um novo bar no Bairro Alto com o sossego dos moradores, não é exatamente a mesma coisa do que procurar aqui e acolá, em vários domínios. Estava muito a dizer que para trazer investimento estrangeiro ou nacional, o importante é ter regras que são iguais para todos, que permitem concorrência e não investidores com acesso privilegiado a gabinetes do governo. Há um ponto em que António Costa tem razão. Menos burocracia são menos oportunidades para os governos intervirem. E, por exemplo, boa parte do investimento que houve na área do turismo nos últimos anos foi porque, naquele governo que ele não gosta nada de falar, que foi o governo da Troika, houve muita burocracia, muito red paper, como dizem os ingleses, muita papelada que era necessária, que foi abolida. Vamos ver se na habitação, que é a única coisa que eu entendi do pacote, que é menos regulamentos para construir a habitação, o mesmo vai acontecer. Estamos para ver. Se acontecer, eu estou cá para aplaudir. Agora, não podemos é ter grupos que ainda por cima não se sabe exatamente quem são, a terem acesso privilegiado ao poder para conseguirem forçar um pouquinho as leis, porque as leis não são bem as ideais, porque há ali uma zona protegida, porque há ali uma espécie que está em vias de extinção, ou porque há o lobo, ou porque há isto, ou porque há aquilo. Aliás, porque neste processo, também não esquecer, o processo do lítio não começou por causa de um lobo no Barroso. O processo do lítio, as suspeitas do lítio começaram porque havia dúvidas sobre a legalidade, ou melhor, a viabilidade de uma empresa poder concorrer àquele concurso, poder ir àquele concurso naquele quadro, porque enfim, desde o princípio que é discutido, por que uma empresa, ainda por cima com capital social tão baixo, se abalançava por um investimento tão alto. Eu recordo que muitas destas coisas que são feitas, ainda há pouco a Raquel estava a recordar isso. Muitas das coisas que foram feitas para viabilizar investimentos, por exemplo, o da Autoeuropa, foram feitas com muita transparência. Quer dizer, eu não sou capaz de dizer que foi com total transparência hoje em dia. Não acompanhei o suficiente o processo, já era jornalista, não acompanhei o suficiente o processo para dizer que não houve nada que tivesse menos transparência. Não sou capaz de dizer isso. Mas tenho ideia que foi um assunto muito discutido, polêmico, deu discussões no Parlamento, temas políticos, devia ou não se devia dar as isenções fiscais, aquilo era ou não era beneficiar um grupo internacional. Depois havia uma coisa que também era muito importante.

Zé, vou ter que te interromper outra vez. Conclui que depois teremos a ouvir o Bloco de Esquerda.

Ter a Ford e a Volkswagen é diferente de ter investidores que ninguém sabe bem quem são