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Relatório de jogo na Rádio Observador, hoje com o Augusto Inácio. Nos próximos minutos vamos falar do Benfica-Estoril, que terminou com o triunfo encarnado por 3 x 1. Jogo a contar para a 17ª jornada do campeonato. Pavlídis em destaque, fez um hat trick para a equipa do Benfica. O gol do Estoril foi marcado por João Carvalho. Ainda, nota de destaque neste encontro, a estreia de Sidney ao serviço do Benfica, o reforço que chegou vindo do Estrela da Amadora. Augusto Inácio, antes de mais, que notas é que há a retirar deste encontro entre o Benfica e o Estoril? O que é que te chamou mais a atenção?

Acima de tudo, a capacidade que o Benfica tinha neste jogo para reduzir a desvantagem em relação ao Sporting, porque o Benfica está numa situação muito difícil.

Fica agora a três pontos da equipa leonina.

E depois está atrás dois, está atrás do Sporting. Estava a cinco, está atrás do Porto, que está a sete agora.

Sendo que o Porto joga-

Joga amanhã no Santa Clara. Diria que o Benfica tinha aqui uma grande oportunidade para reduzir essa desvantagem em relação ao segundo classificado, que é o Sporting, e acaba a primeira volta a três pontos, o que não deixa de ser bom para o Benfica, até pelo empate que teve na semana passada. Diria que este jogo foi um bom jogo, em primeiro lugar, mas diria que as primeiras partes da primeira parte e da segunda teve um figurino completamente diferente daquilo que foi depois desse tempo, o jogo por si realizado, neste caso, o Benfica. Um Estoril muito atrevido, um Estoril muito perto do gol, um Turrini que apareceu em grande nos primeiros minutos a salvar o Benfica de não sofrer gols. E já se sabe, se o Benfica sofre um gol com o Estoril em casa, as coisas podiam se tornar muito complicadas, muito difíceis.

O guarda-redes ucraniano tem uma intervenção decisiva logo ao segundo minuto.

Teve. O Estoril teve muito bem a dizer que iria ali discutir o resultado, mas passado esse tempo, de repente o Benfica percebeu como é que tinha que jogar contra este Estoril. Pressionar mais, pressionar o homem que tinha a bola e aqueles que não tinham a bola, reação à perda muito mais eficaz. O Estoril ficou incomodado com essa pressão, já não saía a jogar com aquela facilidade com que saía nos primeiros minutos e o Benfica foi se acercando da baliza do Estoril, ao ponto de fazer um gol através de uma grande penalidade. E depois mesmo a acabar a primeira parte, o Benfica ainda faz um segundo gol e curiosamente e estranhamente, o Benfica ainda sofre um gol nesses minutos de desconto e o Estoril ainda reduz a vantagem.

Desculva ali, alguma sensação do Benfica de: "Ok, estamos a vencer por dois gols, o intervalo está aqui, já a pensar no descanso" e o que vamos ouvir da boca do José Mourinho?

Sabes que dentro do campo há aquela descompressão, há aquele esvaziado do balão. Dois a zero. "Ui, já está a ficar porreiro." O que é certo é que o Benfica ainda sofre um gol. E depois ficou aflito. Ficou aflito na segunda parte, porque o Estoril também entrou bem. Entrou bem e o Estoril queria empatar o jogo. Mas depois foi sorte pouca dura, porque o Benfica tornou a tomar conta do jogo e esteve mais perto sempre do 3 x 1, depois o Estoril 2 x 2. Acaba o Benfica por ganhar 3 x 1, ganha bem, um jogo importante para o Benfica. Um treinador do Estoril, que na conferência de imprensa ou na flash interview, deu a entender que esperava mais da equipa do Estoril, embora tivesse entrado bem, mas esperava mais continuidade ao longo do tempo e que fossem mais resistentes com o tempo em relação ao seu jogo. O que é certo é que as coisas não aconteceram, mas é uma vitória do Benfica, que estreia aqui o Sidney, que ainda agora chegou do Estrela da Amadora.

Era precisamente uma das questões que eu gostava de abordar. São poucos minutos, ainda é certo, é dia de estreia para Sidney. O que é que já conseguiste retirar deste jogador cabo-verdiano?

Eu senti-o mais solto quando ele jogava no Estrela da Amadora. Eu senti que realmente é difícil para um jogador que entra a 10 minutos do fim ou 12 minutos do fim, entrares no ritmo e teres aquela, como se costuma dizer na gíria futbolística, aquela pedalada, para depois tu poderes ganhares metros e distância. Há uma coisa que ele já provou, é que chegou ali ao Benfica e quis levar a bola para a frente, quis fazer um contra um.

E com direito a bater as bolas paradas.

Porque ele marca bem do lado contrário, os cantos contrários, com o seu pé esquerdo. É um jogador que ainda por cima marcou um livre direto, que foi por cima da trave. É um jogador que o Mourinho vai contar muito com ele e acima de tudo vai ter ali uma oportunidade de ter um jogador rápido, um jogador dinâmico e um jogador que também na perda da bola sabe defender os corredores e por isso pode ser importante para a estratégia do Mourinho.

Gostaria também de destacar a questão Pavlídis, é incontornável, homem do jogo, fez os três gols, um de pênalti, um gol de chapéu de belo efeito e também um gol para encostar. Isto, Augusto Inácio, é o que se pede a um ponta de lança? Estar lá para encostar todas as formas e feitios?

Ora bem, disseste tudo, o ponta de lança está ali. Sabes que no futebol não há gols fáceis, porque os gols fáceis, às vezes, as pessoas dizem assim: "Estava ali, até eu marcava." Pois, mas o problema é estar lá, estar lá no sítio certo para marcar o gol. E o segundo gol é de uma execução fantástica e notável. E eu estou aqui a falar contigo sobre o Pavlídis e estou-me a lembrar: já viste os três pontas de lança do futebol português, os gols que já têm marcados? É o Pavlídis, é o Luís Suárez e é o Samu, no Porto. Os três estão em grande forma, por isso não sei quem é que vai ser o melhor marcador, mas sei que são os três grandes goleadores.

A corrida está intensa. No ano passado falávamos apenas de um, que era o Vitória Gio, claramente. Ainda sobre este jogo, Augusto Inácio, sentiste um Benfica, neste caso, um José Mourinho, a pensar no duelo com o Braga?

Eu não senti isso. Eu senti um José Mourinho a querer ganhar o jogo, mesmo segurando o resultado, que é completamente diferente. Se reparares, lá na flash interview disse que o Aussensson estava em condições e arriscou muito por o Aussensson a jogar. Eu não sei que tipo de lesão é que o Aussensson tem.

José Mourinho disse mesmo que se benzeu antes de colocar o médio em campo.

A mim, como eu andei lá dentro, para um treinador se benzer e lançar um jogador com medo que aconteça alguma coisa, só tem a ver com lesões musculares, porque as recaídas é que pode ter algum problema grave em relação ao futuro. Mas eu acho que o Mourinho quando fez aquelas substituições era para dar realmente rapidez ao flanco esquerdo com a entrada do Sidney. O Aussensson era para segurar um pouquinho mais o meio-campo, mas para quem queria marcar o terceiro gol, eu acho que devia fazer outro tipo de substituições. Por exemplo, sair os dois mais criativos, o Presti and o Sudakov. Pareceu-me a mim que os dois estavam bem fisicamente na altura que saíram, mas o Mourinho jogou pelo seguro. Como se sabe, o Mourinho não é um resultadista, joga para o resultado. E o que é certo é que ao longo da carreira dele tem tido resultados e tentou fazer a mesma coisa, só que o Benfica, depois com aquele cruzamento do Sidney, já com os centrais do Estoril muito cansados, diria, e não tiveram discernimento de tirar aquela bola e o Pavlídis fez o 3 x 1. Ou seja, tu podes fazer substituições no sentido de querer segurar esse resultado e marcares mesmo assim um gol. E foi o que aconteceu.

Augusto Inácio, vamos então descobrir o que é que para ti foi o melhor neste encontro.

O melhor. Ora, o melhor, eu diria que foi um jogo, foi um bom jogo. Eu acho que quando a gente assiste a bons jogos, podemos chegar contentes. Acho que foi um jogo com muito tempo útil. Não houve muitas paragens, realmente as equipes pensaram só em ganhar, mas diria que Pavlídis é realmente o homem da partida, porque marcou três gols e também a estreia do Sidney, que dá boas indicações em relação ao futuro.

E em relação ao menos bom, o pior neste encontro?

Eu não vi nada pior, sinceramente, mas diria que esperava mais tempo de jogo, mais bem jogado com aquilo que foi as ideias iniciais do Estoril na primeira parte e na segunda parte. Pensava que o Estoril ia estender mais esse tempo de jogo e as coisas não aconteceram assim.

Ora, está feito o relatório de jogo com Augusto Inácio sobre este encontro Benfica-Estoril, triunfo encarnado por 3 x 1. O relatório de jogo fica, como sempre, disponível em podcast.