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Rotatório de Jogo na Rádio Observador. Vamos analisar essa vitória do Benfica por 3 x 0 frente ao Dínamo Kiev, 5 x 0 na eliminatória. No jogo de hoje, no Estádio da Luz, a segunda mão deste playoff venceu o Benfica por 3 x 0. Gol de Otamendi ao minuto 27, Rafa Silva aos 40, David Neres aos 42. Luís Francisco, o que tivemos aqui foi, de facto, uma diferença clara entre as duas partes. O Benfica no segundo tempo a controlar o jogo, mas que na primeira parte entrou muito forte.

Entrou tão forte que conseguiu jogar e conseguiu, também por isso, impedir o Dínamo sequer de ter a mínima veleidade de sonhar com qualquer coisa. Eventualmente, poderia se esperar que o Dínamo chegasse a Lisboa e tentasse aquele golpe de entrar muito rapidamente no jogo, arriscar, para tentar marcar um gol que assustasse. O Dínamo Kiev trazia essa vantagem emocional de saber que se conseguisse levar o jogo para prolongamento, já tinha se chegado aqui através de duas decisões de prolongamento e, portanto, numa decisão dessas poderia ter essa vantagem, mas perder por 2 x 0 em casa, casa emprestada, mas casa, acabou por definir claramente a eliminatória. Acho que com o primeiro gol, o Benfica assentou claramente o seu domínio na eliminatória. O Dínamo também percebeu que nem tinha conseguido ir à frente para incomodar. E depois, curiosamente, já antes da meia hora, o Benfica tirou o pé do acelerador, começou a jogar de forma mais pausada e consegue marcar dois gols, o primeiro, uma oferta, o segundo depois numa transição, mas consegue marcar dois gols numa altura em que já não estava a jogar assim tão bem ou pelo menos de forma tão intensa. Mas, lá está, se não jogando particularmente bem, ou pelo menos não sendo a equipa esmagadora que já nos trouxe ser noutras ocasiões e até neste jogo durante os primeiros 20 minutos, o Benfica chega ao intervalo a ganhar 3 x 0, o que faria se tivesse sido? Portanto, quer dizer que a vantagem do Benfica foi absolutamente óbvia. E no segundo tempo, o que vimos foi aquilo que já vimos também com o Midtjylland, ou seja, o Benfica joga as primeiras partes e nas segundas deixa o tempo correr, vai trocando a bola, vai tentando ter bola no meio-campo adversário. Mesmo nessas fases que se poderiam achar de menor concentração, de menor aplicação no jogo, de alguma falta de disciplina tática, eventualmente, isso não acontece. O Benfica continua a ser uma equipa muito organizada. É certo que não cria tanto perigo, é certo que não tem a mesma intensidade na procura da bola, mas, por outro lado, não permite que os adversários assustem. E isso significa que a equipa continua muito bem montada, mesmo deixando só o motor rodar por ali fora, sem estar com acelerações, o Benfica continua a ser uma máquina bem oleada. E a verdade é que este foi o sexto jogo da temporada. Tem 17 gols marcados, o que dá uma média quase de três por jogo, mas só mesmo o Midtjylland conseguiu marcar ao Benfica, um em cada partida, dois gols sofridos, apenas, o que é, de facto, muito interessante para uma equipa que, nomeadamente nas competições europeias, só jogou, como já dissemos e como já tínhamos falado até durante o jogo, só jogou as primeiras partes. Nas segundas, foi deixando correr.

Sim, e de fato, esse é um ponto importante, o Benfica não deixar efetivamente o adversário efetuar arremates. Isso acaba por tornar o jogo muito mais fácil para este Benfica.

Sim, e voltamos sempre àquela velha tecla: será que o Benfica já encontrou adversários realmente fortes? Os desafios não vão tornar-se mais intensos? Vão, claro que sim. Mais, à medida que a época vai decorrendo, os adversários também estão a estudar a pressão que o Benfica faz, estão a estudar as rotinas do Benfica e, portanto, vai se tornando mais evidente que há de haver maneiras de contrariar este Benfica e os treinadores de todos os futuros adversários do Benfica, à medida que há mais um jogo, vão tendo mais variáveis para estudar, vão tendo mais imagens para analisar, os analistas vão fazer, de certeza, relatórios mais completos. Portanto, à semelhança do que vai acontecendo muitas vezes com as equipas, e eu recordo o primeiro Benfica de Jorge Jesus, que entrou na época a esmagar toda a gente, mas depois ao fim de cinco, seis jornadas, os adversários começaram a perceber o que se passava. E eu acho que para este Benfica também, os adversários vão começar a perceber melhor o que se passa. Agora, é uma equipa confiante, é uma equipa que mesmo quando não está a ser uma vertigem de intensidade, consegue ser muito bem organizada e não permitir que os adversários assustem. Isto vai reforçando a confiança e à medida que há mais confiança, os jogadores também jogam melhor. Portanto, por enquanto, esta época do Benfica está a ser um mar de rosas. Agora, há ali pequenos detalhes, há coisinhas que podem não estar, eventualmente, tão positivas como, se calhar, à primeira vista, se nota. Quando falarmos do que eu achei que foi o negativo do jogo, falaremos disso.

Já lá vamos ao melhor e ao pior. Perguntar-te apenas sobre este Dínamo Kiev, que de facto tem aqui vários jogos nesta fase de apuramento. Vem de uma parte muito atrás nesta parte do apuramento. Consegue até eliminar esse Fenerbahçe de Jorge Jesus, mas acaba por cair aos pés deste Benfica avassalador, como vimos nos dois jogos, mas faz uma boa fase de qualificação, sempre decidida nas retas finais.

Sim, vamos vê-lo na Liga Europa e vamos continuar a acompanhar. Repara, a vida do Dínamo Kiev não é fácil, naturalmente, porque a vida da Ucrânia, toda a gente sabe que está longe de ser normal nesta altura. Pelo menos o campeonato vai começar.

Começou hoje.

Exato. E, portanto, mesmo com bunkers à porta do estádio para toda a gente poder fugir, pelo menos começa o campeonato, os jogadores podem começar a dar uns pontapés na bola. No caso do Dínamo, os compromissos europeus foram os seus seis jogos desta temporada, foram os compromissos europeus para chegar até aqui. Passou o Fenerbahçe, o que é uma proeza. Acho que continua a ser uma equipa com muito bons jogadores, neste caso, já sem alguns dos estrangeiros, mas continua a ter, e o futebol ucraniano continua a ser uma muito boa escola. Há aqui muita gente jovem de grande valor, mas parece-me que havia uma diferença, de facto, entre este Dínamo Kiev e o que é este Benfica. Nunca foi uma equipa muito ameaçadora. Tirar o Benfica da sua zona de conforto e, portanto, esta eliminatória eu acho que não tem qualquer tipo de discussão, é um bocadinho como o resultado. 2x0 fora, 3x0 em casa, está mais do que evidente que o Benfica foi superior. Para o Dinamo Kiev, acho que o regresso à normalidade é começar a ter um campeonato interno para que todos os jogadores possam ter melhores sensações. Eu acho que na Liga Europa pode ter ainda um papel a dizer.

Vamos então ao melhor e pior. O melhor deste encontro.

O melhor é exatamente a personalidade do Benfica. É a ideia que temos de que perante qualquer que seja o adversário, e até prova em contrário, isso sucedeu em todos os jogos, o Benfica vai para cima do adversário, não o deixa fazer as coisas. E eu diria até, mais do que aquilo que o Benfica faz no jogo, o que me impressiona é o que o Benfica não deixa os adversários fazerem. Portanto, é uma equipa que destroça até mentalmente as ideias dos adversários, torna as suas iniciativas quase sempre infrutíferas e isto dá cabo da cabeça dos jogadores, porque não conseguir fazer nada durante uma partida é terrível.

Enervar o adversário.

E depois, há o lado positivo de roubar bolas muito cedo, de estar muito em cima da área, de ter um futebol muitas vezes com capacidade de imaginação e de poder de choque na área. Portanto, é um Benfica, até agora, muito personalizado, com os jogadores muito seguros e muito confortáveis com o que estão a fazer em campo e portanto, também as vitórias ajudam a reforçar essa confiança.

Claro.

E até haver um resultado negativo, o Benfica está de vento em popa.

E o pior?

O pior para mim, duas coisas. Uma é a mais óbvia, a lesão de Gonçalo Ramos chocou com o Rafa. Aparentemente, o Rafa ficou melhor, porque ainda ficou em campo durante uns minutos e pôde continuar. Gonçalo Ramos teve de sair. Será provavelmente uma lesão traumática e daquelas que podem eventualmente ser saradas, mas na cara. Nunca é fácil cicatrizar naquela zona, mas enfim, agora também há umas máscaras que ajudam. Esse é o mal óbvio. O menos óbvio é olhar para o que fez o Petar Musa em campo, olhar também para um Paulo Bernardo que entra e que tem muito poucos minutos. Podia ter entrado um bocadinho mais cedo, digo eu, e referir e reforçar a minha ideia de que o Benfica tem um 11 titular, tem cinco suplentes que são utilizados com grande regularidade e depois todo o resto da equipa está muito longe do ritmo. À medida que estes ganham ritmo de conjunto, aumenta o fosso que os separa dos que não jogam, que quando entram em campo vão ter uma grande dificuldade em entrar na velocidade de cruzeiro do resto da equipa, e acho que isso não é bom para o Benfica.

E fica uma incógnita sobre como é que vai ser gerido o plantel.

Mais tarde ou mais cedo, eles vão ser chamados. Vão ter é de saltar um fosso muito grande em relação aos que têm sido utilizados com maior regularidade.

Relatório de jogo por parte de Luís Francisco na Rádio Observador. A análise à vitória do Benfica frente ao Dinamo Kiev. Venceram os encarnados por 3x0.