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Resultado surpreendente na Suíça. O Benfica acabou por perder por duas bolas a uma frente ao St. Gallen. Primeiro jogo oficial da época e também de Marco Silva no comando técnico dos encarnados, com uma derrota que nos surpreendeu por aquilo que seria a história do encontro e não propriamente por aquilo que aconteceu. O St. Gallen surpreendeu-nos com o seu futebol. Começou pressionante a tentar chegar ao gol, frente a um Benfica, Mário, que apesar de ser superior tecnicamente e individualmente, nunca se encontrou neste jogo.
Sem dúvida. É um Benfica que pode usar esta derrota para crescer e acho que Marco Silva tirou demasiadas notas, acredito eu, sobre muita coisa que tem efetivamente de melhorar, sobre algumas unidades que têm de crescer e outras que têm de ser riscadas. E eu creio que o treinador do Benfica, melhor do que nós, já terá tirado grande parte dessas notas. Olhar para o jogo.
Surpresa, sobretudo no 11 do Benfica, com muita juventude, mais concretamente Miguel Figueiredo.
Sim, o Miguel Figueiredo, mas de facto não funcionou o meio-campo do Benfica, não funcionaram grande parte das dinâmicas que eu acredito que Marco Silva quisesse que já estivessem minimamente implementadas. O Benfica com muita dificuldade na saída. E aqui tem de ser dado um mérito ao Enrico Maassen e à equipa do St. Gallen pela forma como trabalhou a equipa para pressionar alto e pressionar bem.
E como foi também gerindo os momentos do jogo em que a pressão deveria ou não aplicar-se.
Totalmente. Porque na segunda parte abrandou em alguns momentos e conseguiu também colocar o pé no acelerador, diria, quando era necessário. Mas a verdade é que o Benfica não conseguiu combater essa pressão mais intensa que a equipa do St. Gallen fez, principalmente na primeira fase de construção da equipa encarnada. Perderam-se muitas bolas. O Sudakov, o Manu, o Ubah, que fica ligado ao gol. São vários os momentos em que o Benfica acaba por perder o rumo quando está a tentar sair, quando está a tentar construir. E isto é também muito mérito pela forma como o St. Gallen se apresentou em campo. Eu esperava uma equipa com mais cautelas defensivas e a verdade é que isso acabou por não acontecer.
E as cautelas defensivas começaram logo à entrada à área do Benfica, naquela velha máxima de que quanto mais tempo a bola estiver afastada do nosso meio-campo, menor será a probabilidade de sofrermos.
Completamente. E eu creio que o Benfica, se calhar, a boa notícia que retirava é que quando ultrapassava aquela barreira de pressão mais intensa do St. Gallen, o Benfica até criava perigo. O Benfica encontrava espaços, encontrava caminhos para a baliza do Siegrist e isso são fatores positivos, mas acho que são muito poucos os momentos que o Benfica pode retirar de momentos felizes desta partida. Há aqui problemas graves e claros. Esse momento de saída tem de ser trabalhado e bem trabalhado, porque continua muito falho o Benfica. Sim, isto já vem do passado e não é só da época passada. Acho que o Benfica tem tido sempre muita dificuldade nesse aspeto.
E será só uma questão de jogadores, uma questão técnica, ou estamos aqui também no domínio de um problema de ânimo coletivo?
Sim, eu acho que o Marco Silva não esperava que a equipa estivesse, se calhar, a este nível tão baixo nesta fase, mesmo já sendo um jogo oficial e tudo mais. Eu acho que não esperava, encontrando um adversário com este tipo de características, que a equipa reagisse tão mal. E reagiu. O St. Gallen, se calhar, foi a primeira equipa que pressionou bem o Benfica e limitou bem o Benfica, e sentiram-se essas dificuldades nesses momentos de saída, na bola parada. Falámos ainda há pouco disso, mas eu acho que a bola parada, principalmente a forma como o Benfica defendeu a bola parada ao segundo poste, acho que é alarmante e deu o tal segundo gol ao Benfica. Mas já antes tinha havido alguns lances em que o Benfica podia efetivamente ter sofrido. E aliás, e falámos disso durante o jogo, houve momentos em que o St. Gallen podia ter aproveitado melhor as desatenções defensivas do Benfica, e falámos disso.
E é certo que o St. Gallen foi tendo algum pendor sobre o jogo na primeira parte. O Benfica criou a situação mais perigosa que o jogo teve com um lance de Pavlídis e depois também de um jogador do meio-campo, Sudakov, a não conseguir concretizar o gol. Desde então, maior perigo sempre por parte do St. Gallen, que ameaçou várias vezes, até muitas vezes, como dizias, de jogo aéreo, sem grande definição. E depois, ao minuto 37, chega a um gol que não vem do nada, como aqui dissemos. É um gol que se revelou justo e no sentido do jogo.
Sim, exatamente. E vem numa fase em que o St. Gallen estava a pressionar e bem, e força ali o erro do Ubah, e depois tem o grande gol do Baldé. E a verdade é que se calhar é o coroar de uma série de oportunidades e de momentos em que o St. Gallen coloca em sentido a linha defensiva do Benfica e chega com justiça ao gol. O Benfica depois tenta reagir, mas é com fogachos.
Com individualidade.
Com individualidade, e é da individualidade que nasce o gol, de um trabalho bom do Pavlídis para o remate do Rafa.
Ao minuto 44, e o Benfica conseguiu levar o jogo empatado para o intervalo.
Sim, e é quando a equipa do St. Gallen se expõe defensivamente e viste a linha de três, até é o Gal que faz o segundo gol, mas é o Gal que está completamente fora dela. Portanto, nem é uma linha defensiva assim tão fiável. O Benfica, se tivesse tido outro tipo de discernimento a passar aquelas barreiras de pressão, o Benfica tinha criado várias situações, porque havia espaço. O problema é que o Benfica não conseguia simplesmente ultrapassar a pressão mais intensa da equipa do St. Gallen, e eu acho que isso é extremamente preocupante para uma equipa como o Benfica, apesar de ainda estarmos numa fase muito inicial da época.
E já aqui falámos disso. Por um lado, o Benfica entrou quase, de alguma forma, sem guião coletivo, sem saber muito bem onde cada um dos jogadores deveria atuar e que movimentos realizar. O St. Gallen parece que, de alguma forma, foi gerindo os momentos do jogo com alguma mestria, com alguma sabedoria, para poder suportar alguma pressão no final do encontro. Como já falámos aqui, foi diminuindo a intensidade em alguns momentos. Estrategicamente pensando, isso também, em espelho, deixa aqui o Benfica numa situação complicada, porque defrontou-se contra uma equipa que talvez não tenha o mesmo valor, mas às vezes o valor também está nas dinâmicas coletivas.
Totalmente. E a verdade é que tiveste esses momentos de pressão e eu acredito que o Benfica entra na segunda parte a achar que a postura ia ser a mesma.
E que a qualidade individual ia acabar por Fazer sobressair o Benfica.
Sim, e a verdade é que não, porque o St. Gallen baixou em alguns momentos, e baixou bem também para obrigar o Benfica a ter de se impor no jogo, e o Benfica não conseguiu. E depois tiveste esses momentos em que o Benfica simplesmente não tinha uma sequência apropriada de posse de bola, a equipa não conseguia estabilizar o jogo no meio-campo ofensivo do St. Gallen de forma recorrente e tudo isto vai dando confiança ao adversário. Depois, muita perda de bola. O Marco Silva acho que identificou ali alguns problemas, as perdas de bola, a forma como permitia o adversário sair com velocidade e em transição. E são momentos que eu acho que servem de aviso. Vamos lá ver. Eu continuo a achar que é preciso um descalabro pro Benfica ser eliminado. Eu acho que o Benfica tem mais do que qualidade e recuperando algumas das unidades que estiveram fora.
E agora terá também um estádio inteiro a puxar por si, embora na Suíça haja sempre uma enorme presença.
Exatamente. Mas pronto, eu acho que olhando para a lógica, a lógica diz que o Benfica tem mais do que qualidade para virar a eliminatória, mas o Benfica não se pode encostar apenas ao estatuto, à qualidade, à lógica, porque por vezes isto leva para outros caminhos. E o Benfica se passou um bocadinho mal com essa pressão mais alta do St. Gallen, que é uma equipa que individualmente tem muito pouca qualidade. Tem aqui dois ou três elementos de qualidade, mas de resto, é uma equipa completamente...
Que vale entre as dinâmicas que cria entre si, não é propriamente do talento individual de cada jogador. Ora, do lado do Benfica, foram a jogo, enquanto titulares, dois reforços, Lenglet e Kaminski, o primeiro polaco a atuar pelo Benfica. Ora, a prestação destes dois jogadores encheu o olho, Lenglet um pouco mais seguro, talvez, Kaminski com algumas dificuldades em entrar no jogo.
Sim, não foi um bom jogo para o Kaminski. O Lenglet não está ali propriamente ligado a momentos de grande frisson, mas também é um bocadinho contagiado por este efeito coletivo negativo. Acho que o Kaminski, um bocadinho mais preocupante, porque de facto perdeu ali muita bola, até algo trapalhão em alguns momentos a decidir, e não foi um bom jogo, mas não foi pro Kaminski como não foi pro outro, e eu já vou destacar isso.
E entretanto acabaram por ser lançados a jogo Enzo Barrenechea, que pelo que ouvimos do João Pinto e também da tua ideia, será jogador para não continuar no Benfica. Também entrou Tiago Gouveia pro lugar precisamente de Kaminski e Fran Jovanović pro lugar de Pavlídis. Benfica que teve também dificuldade em ter uma referência na frente, volta a não ser um jogo marcado pela aparição de um homem gol, digamos assim.
Sim, e o João Rico também entrou já na fase final. Mas sim, eu até estava mais inclinado para que o Jovanović fosse a jogo e coincidisse com o Pavlídis. Estavam igual e eu creio que o Marco Silva jogou um bocadinho pelo seguro. Não quis ainda despedaçar mais a equipa, e eu percebo em parte, porque o Benfica já não estava a fazer um bom jogo e ainda desmontares mais a equipa podia ser fatal. O Tiago Gouveia não entra mal, pelo menos entra a tentar agitar, mas Tiago Gouveia vai embora do Benfica. Portanto, é aqui mesmo esta ideia de que Marco Silva está a jogar com o que tem. Mas sim, entrou com alguma velocidade, fez algo que o Kaminski não conseguiu fazer, que foi desequilibrar. O Barrenechea, eu já não tenho muitas palavras. Na época passada já tinha algumas críticas e hoje volta a entrar como se não fosse nada com ele.
Está a tornar-se uma barraca cheia, cheia de ódios aos tempos encarnados, um bocado.
Difícil já justificar. Entra mal, entra desligado. É também culpa dele o segundo gol, porque é ultrapassado ali nas costas e perde completamente o lance. E eu acho que um jogador com a categoria que o Enzo Barrenechea tem, acho que tem que fazer muito mais. De resto, não foi sequer do banco que as soluções vieram ajudar.
Também há algumas ausências. O Benfica pode queixar-se das muitas ausências neste encontro.
Muitas. O Duran, não há Barreiro, não há Rios, não há Aouchmane, não há Scheldrup, não há Lukebakio, não há Dedic, não há Tomás Araújo. Isto é quase uma equipa.
Exato, não há a matriz daquilo que será a equipa preferencial de Marco Silva.
Agora, não justifica tudo.
Antes pelo contrário, o facto de alguns jogadores não serem garantidos enquanto titulares poderiam ter aproveitado este jogo.
Completamente, e de fazer pela vida. E tens uma equipa que também está a construir aqui alguma coisa. De facto, tem-
Quem será a alternativa daqueles que vêm.
Exatamente, tem uma identidade. Perdeu o melhor jogador, o Vogt, que foi pro Hoffenheim, portanto, é um St. Gallen que também está a iniciar o seu percurso e também com muitas baixas. O Xhbot, que foi jogador do Benfica, não jogou, o Ambrósio, que é central, também não jogou. Enfim, várias baixas também. Portanto, do outro lado também havia problema. E o Marco Silva acho que fez isso muito bem, não se agarrou a nada disso. Tem de se agarrar àquilo que foi o jogo, e o Benfica esteve muito mal na maior parte do jogo, esteve muito longe daquilo que pode dar. E a boa notícia, eu acho que pros adeptos do Benfica, é que o segundo jogo terá de ser forçosamente melhor do que este.
E certamente para que continue na Liga Europa, terá de ser um jogo de reviravolta. São sempre jogos muito interessantes de acompanhar. Fica ao menos esse condimento pra próxima quinta-feira, a partir das 8 p.m. O Benfica vai jogar a segunda mão desta eliminatória da Liga Europa frente ao St. Gallen. Perdeu por duas bolas a uma, hoje, na Suíça. Próximo jogo, na tentativa de resolver esta questão, e o Benfica vai jogar em casa frente ao St. Gallen na próxima quinta-feira, dia 30, a partir das 8 p.m. Vamos acompanhar tudo aqui na Rádio Observador e vamos pedir-te, Mário Cajica, pra selar este relatório de jogo, o pior desta noite do Benfica, na Suíça, o próprio Benfica.
Sim, coletivamente o Benfica, mas vou individualizar com algumas unidades que hoje estiveram, de facto, muito abaixo. Acho que o Sudakov também é outro problema que o Benfica tem, completamente desligado, a perder muita bola, sem capacidade para definir, sofre um encosto, perde a bola. Acho que o Sudakov continua a ser um problema e eu nunca alinhei que o problema fosse o Sudakov jogar à esquerda. Acho que é um problema mais de fundo e hoje voltou a ser aqui bem visível. O Mano também não esteve nada bem. O Kaminski também pouco esclarecido, o Bah e o Dal também com muita dificuldade sequer para sair e pra construir. Portanto, acho que podemos ficar por aqui. Ainda dava pra mais alguma coisa, mas acho que aqui há algum destaque.
Fica dada a nota. E o melhor, esta noite?
Olha, do melhor, do lado do Benfica, acho que o Rafa é das poucas notas positivas que o Benfica tem no jogo e até tem estado bem na pré-temporada e hoje acho que acabou por ser dos melhores hitos da equipa do Benfica. E vou dar a nota também ao Baldé, que faz um belo gol e esteve muito irrequieto na frente, foi uma das boas unidades. Os três defesas também do St. Gallen, principalmente o Akorogi, mas se calhar o Baldé um nívelzinho acima.
Está feito e entregue o relatório de jogo deste St. Gallen 2, Benfica 1, a contar pra primeira mão da segunda pré-eliminatória de acesso à Liga Europa. O primeiro jogo da época aqui na Rádio Observador e fica assinado este primeiro relatório do nosso caríssimo Mário Cajica.
Obrigado.
Não sei se vais voltar a fugir pros streams, Mário, mas aqui na rádio estás sempre bem-vindo. Um grande abraço.
Estou cá sempre. Um abraço.