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Muito se falou de Tribunal Constitucional neste segundo dia de Congresso do PS, numa altura em que parece cada vez mais previsível o cenário em que os socialistas perdem um juiz indicado para o Palácio Ratton, continuando o PSD com cinco nomes e juntando-se agora o Chega com uma indicação. Mas os socialistas vieram a Viseu pedir ajuda ao Presidente da República, que acreditam estar preocupado.
Eu julgo que, neste momento, essa deve ser uma das grandes preocupações do Presidente da República. Não tenho falado com o Presidente da República, mas pelo que conheço dele e pela análise que faço da importância deste caso, não tenho a menor dúvida em afirmar que este tem que ser necessariamente um tema de preocupação constante.
Em entrevista à Rádio Observador, o eurodeputado Francisco Assis admite que esta intervenção já deve estar a ser feita, mas em privado.
O Presidente da República disse várias vezes, ainda antes de ser presidente e depois, que procurará ter uma intervenção profilática.
Na mesma linha de Assis e também em entrevista à Rádio Observador, o dirigente nacional André Moscaldas realça a importância do tema para a democracia portuguesa e insiste que Seguro deve interferir, mas longe do público.
Não deve deixar, no recato que a magistratura de influência lhe confere, de mostrar preocupações com os equilíbrios fundamentais do regime. E, portanto, esta sim, é uma questão que tem dignidade para uma intervenção recatada do Presidente da República.
Posição partilhada também pela ex-ministra Mariana Vieira da Silva, que considera mesmo positivo que o presidente se resguarde, por agora. De uma forma mais enigmática, a vice-presidente da Assembleia da República, Edite Estrela, lembra o resultado das últimas presidenciais para deixar um aviso a António José Seguro.
Dois terços dos portugueses rejeitaram a extrema-direita. Espero, aliás, que o Presidente da República, no exercício da sua magistratura de influência e na tomada de decisão, tenha em conta este histórico resultado.
Ecos deste segundo dia do Congresso Socialista, no qual muito se falou do Tribunal Constitucional. O ex-ministro Eduardo Cabrita fala de um desafio histórico e, por isso, no partido há quem espere pela interferência do presidente a partir dos bastidores.