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Pouco antes das 11h, Marques Mendes bebia um último café antes de sair de casa, em Caxias, rumo a Fafe, onde sete horas depois ia apresentar a candidatura presidencial. No escritório em que, a altas horas da madrugada, ultimou o discurso de apresentação, o candidato presidencial tem emoldurados alguns dos gráficos com as audiências no comentário dominical na SIC. Um milhão e 700 mil espectadores, que estabelecem o recorde do comentador mais visto da televisão nacional, são números superiores ao das sondagens, o que leva o candidato a atirar que esta candidatura não se move por questões táticas. Por taticismo, não teria avançado, diz Marques Mendes. O candidato presidencial está certo de que estas eleições só se vão resolver numa segunda volta e vai atirando, aqui e acolá, durante a viagem pela A1, farpas a Gouveia e Melo. O ex-presidente do PSD, que agora entregou o cartão de militante, atira às ideias do almirante sobre as questões de defesa para falar da falta de preparação. E sem nunca citar o nome de Gouveia e Melo, diz que as declarações sobre o investimento em defesa obrigarem a um corte da despesa foram precipitadas. Já em Fafe, Marques Mendes dá início a um longo calendário eleitoral. O objetivo é ir aparecendo sem banalizar e ter um período de pousio durante a campanha para as autárquicas. A partir de outubro, aí sim, o ritmo vai acelerar. Distanciando-se de Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes vinca a necessidade de estabilidade, sem detalhar o que provocará um eventual chumbo do próximo orçamento de Estado, e é um observador que garante que, apesar de ser muito diferente de Marcelo, estão ligados por uma forte amizade.
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