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Um símbolo para o país e para a democracia. É pelo menos assim que aqueles que estiveram presentes na sessão de homenagem a Salgueiro Maia recordam o Capitão de Abril, como é o caso do antigo presidente da República, o general Ramalho Eanes.

Eu creio que o Salgueiro Maia representa simbolicamente todos os capitães. Participou, arriscou-se, não pediu nada, não recebeu nada. Acho que há aqui o ideal de pureza, que é aquilo que corresponde àquilo que era o grande propósito inicial de Abril. Salgueiro Maia é, a meu entender, um símbolo sempre vivo dos ideais genéticos da Revolução.

Uma visão que é partilhada também pelo novo ministro da Cultura. Pedro Adão e Silva refere Salgueiro Maia como um exemplo.

O capitão Salgueiro Maia distingue-se por combinar, de forma virtuosa, coragem moral, coragem física e por isso ser um exemplo e um símbolo da nossa democracia. E acho que nos 30 anos da morte dele, é de toda a justiça assinalar o exemplo cívico, o exemplo de coragem, de coragem física e coragem moral.

Este domingo, dia 3 de abril, assinalam-se os 30 anos da morte de Salgueiro Maia. Se o Capitão de Abril fosse vivo, será que estaria satisfeito com o rumo que o país seguiu? Para o general Ramalho Eanes, na altura do 25 de Abril, esperava-se mais. O antigo presidente da República assume, inclusivamente, algumas das responsabilidades pelo rumo não ter sido o mais desejado.

O 25 de Abril trouxe a liberdade, trouxe a democracia. Não escondo que, na altura, esperávamos mais. Esperava uma democracia dinâmica, em que o povo resolvesse participar, em que o povo sentisse que ele é efetivamente o dono da liberdade e o dono do país. Isso, infelizmente, não aconteceu. Eu digo isto com grande à-vontade, porque eu entendo que eu também tenho culpa nesta situação.

Nesta sessão de homenagem ao capitão Salgueiro Maia, contaram-se histórias, soltaram-se gargalhadas e ouviram-se aplausos. Tudo para celebrar a vida de uma figura que os mais próximos descrevem como um grande homem. E mesmo aqueles que não o conheceram, como é o caso da neta, Daniela Salgueiro Maia.

É uma honra ser neta do capitão Salgueiro Maia, mas é uma honra ser neta do Fernando Salgueiro Maia, que foi um grande homem, não só capitão, foi um grande homem em casa, com a sua mulher e com os seus filhos, e que infelizmente teve um fim um bocado trágico, mas para sempre será mais meu avô do que capitão.

A memória de uma das mais importantes figuras do 25 de Abril, na fase inicial das comemorações dos 50 anos, da data que marca a liberdade em Portugal.