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Se o Primeiro-Ministro está a pensar sair a meio do mandato para ir para o Conselho Europeu, Marcelo pede-lhe que pense duas vezes.
Deram a maioria absoluta a um partido, mas também a um homem. Vossa Excelência, senhor Primeiro-Ministro, um homem que, aliás, fez questão de personalizar o voto, ao falar numa escolha entre duas pessoas para a chefia do Governo. Agora que ganhou, e ganhou por quatro anos e meio, tenho a certeza que Vossa Excelência sabe que não será politicamente fácil que esse rosto, essa cara que venceu, de forma incontestável e notável, as eleições, possa ser substituída por outra a meio do caminho.
A possibilidade de o Primeiro-Ministro deixar a legislatura a meio para substituir Charles Michel tem sido apontada por vários analistas. A chamada do Secretário de Estado dos Assuntos Europeus para a dependência direta de Costa é o maior sinal. Neste discurso de tomada de posse do Governo, o Presidente da República também traz uma lista de tarefas para os próximos quatro anos e meio.
Tratar bem da pandemia da saúde implica reformar com brevidade e bem o Serviço Nacional de Saúde. Tratar bem da pandemia da inflação e a utilização rigorosa, transparente e eficaz dos fundos, implica apostar muito mais ainda no crescimento sólido e duradouro, no investimento, nas exportações, na ciência, na educação, nas qualificações em geral, no emprego, claro.
E o diálogo também tem de fazer parte da orgânica do novo governo, suportado por uma maioria absoluta.
E na maioria absoluta, cabem todos os diálogos de interesse nacional. Com todos, partidos, parceiros, setores sociais, económicos, culturais, políticos.
O Presidente da República também faz uma interpretação da maioria absoluta, diz que os portugueses querem segurança e estabilidade.
Esperam segurança, estabilidade, unidade no essencial, concentração no decisivo, recusa de primazia de incertezas ou tensões secundárias.
O que o Presidente da República não pode controlar é se o Primeiro-Ministro vai ficar os quatro anos e meio ou apenas dois anos.