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Não, a Câmara Municipal do Seixal ficou bastante surpreendida com esta decisão de afastamento da administração da Unidade Local de Saúde, porquanto para nós, os problemas existentes não eram responsabilidade da administração, que, pelo contrário, estava a fazer todas as medidas que estavam ao seu alcance para minorar o problema, mas sim problemas existentes, dos conflitos que existem entre o ministério e os profissionais de saúde, que urge resolver, bem como pela falta de resposta do Hospital Garcia de Orta, porquanto o Hospital Garcia de Orta foi construído para dar resposta a 200 mil utentes e de momento os concelhos de Almada e do Seixal já têm 350 mil pessoas, pelo que é impossível que a infraestrutura consiga dar resposta a toda a população dos dois concelhos e urge construir o hospital no concelho do Seixal, como nós há muito reivindicamos. Portanto, é a necessidade de construção do hospital no concelho do Seixal que é fundamental e também de pacificar as relações com os profissionais de saúde, dignificando as suas carreiras.

Numa altura em que há inquietação nas urgências, preocupa-lhe que esta agitação no Conselho de Administração possa também afetar?

Não tenho dúvidas, porquanto a dra. Maria Teresa Luciano era uma pessoa com uma vasta experiência na administração hospitalar, que já conhecia, como se costuma dizer, os cantos à casa, que tinha uma boa relação com os profissionais de saúde, que estava a fazer um esforço grande para ultrapassar os problemas existentes. E agora a nova administração, que ainda por cima, não gosto de fazer juízos prévios, mas não são conhecidos os seus conhecimentos a nível da administração hospitalar, vai ter que fazer todo um trabalho primeiro de conhecimento dos cantos à casa, para depois tentar tomar algumas medidas concretas. Ou seja, vamos andar aqui assim durante vários meses, a administração a tentar conhecer os cantos à casa até tomar algumas medidas e que depois também não vai conseguir tomar, porque as situações de fundo continuam por resolver.

E há alguma esperança para este novo conselho liderado por Jorge Seguros Sanches?

Não gosto de fazer juízos antecipados, vamos aguardar para ver. Volto é a dizer que não é conhecido, a nível do seu currículo, experiência na administração de unidades locais de saúde, quer de cuidados de saúde primários, quer de cuidados de saúde hospitalar.

Na prática, o que é que esta mudança pode afetar os utentes?

Sem dúvida que não vai ser benéfica para os utentes, pelo menos no imediato, porquanto a dra. Maria Teresa Luciano, com o conhecimento que já tinha e com a boa relação que tinha com os profissionais de saúde, ia conseguindo ultrapassar e minorar muitos dos problemas existentes. E agora esta administração não tem esse conhecimento, não tem essa relação e os problemas vão tender a agudizar-se com os profissionais de saúde. Até porque, e pelo que sabemos, os profissionais de saúde estão solidários com a dra. Maria Teresa Luciano e as chefias até metem a questão de se virem também demitir em solidariedade com a dra. Maria Teresa Luciano. Portanto, não se espera nada de bom com esta mudança.