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Foi uma reunião que decorreu com toda a normalidade e acima de tudo com os médicos da Federação Nacional dos Médicos e do Sindicato Independente dos Médicos, independentemente das suas diferenças, nós entendemos que há três pontos que são centrais. Para quê? Para podermos dever salvar a nossa carreira e salvar o Serviço Nacional de Saúde, que está efectivamente às portas de uma tragédia que se anuncia, que é a reposição do nosso horário semanal para 35 horas para todos os médicos que assim queiram, a reposição dos nossos salários, a nossa atualização salarial para compensar a perda do poder de compra que tivemos na última década, mais a inflação, o que corresponde a 30%, isto para todos os médicos, bem como a reposição do tempo em serviço de urgência semanal, voltar a serem as 12 horas semanais e não as 18. Porque no tempo da troika houve este compromisso de que se aumentavam estas horas do serviço de urgência para 18 horas semanais, e portanto sobra mesmo muito pouco para os médicos poderem fazer as consultas e as cirurgias que os doentes precisam. Isso seria uma medida só por três anos na altura da troika. E depois quando acabasse, voltaríamos às 12 horas e isso nunca aconteceu. Se revirem bem estas palavras, nós estamos a pedir reposição, reposição e reposição. Nós não estamos a pedir nada de novo. E é evidente que há outros pontos, há outras medidas que podem ajudar muito a que os médicos fiquem no Serviço Nacional de Saúde, mas entendemos que estes pontos são fundamentais. Sem isto, não é possível nós retermos mais médicos no Serviço Nacional de Saúde. E não estamos para aceitar nenhuma tentativa, nenhum truque de ilusionismo do doutor Manuel Pizarro, em relação a isto, porque temos dificuldades em confiar na sua atitude, em confiar na sua palavra, uma vez que aquilo que nos tem vindo a apresentar e que nos veio a apresentar ao longo deste tempo, foi uma desregulamentação total do trabalho médico, em que leva os médicos à exaustão, e o que é até totalmente contraditório com a propaganda do governo quando diz que quer promover uma agenda de trabalho digno. Para os médicos seguramente não é. Sempre que os médicos têm uma agravante, põem em risco a segurança dos doentes e a nossa própria segurança, como é evidente. O governo, o Ministério da Saúde e as propostas que o doutor Manuel Pizarro nos apresentou até agora obrigam é a fazer com que o mesmo número de médicos atendam ainda mais doentes, portanto ainda mais trabalho, reduzindo a qualidade e a segurança do nosso trabalho, do nosso ato médico, e destrói completamente a nossa vida familiar, bem como o direito ao descanso, que está consagrado na lei. Isto foi que chegou do outro lado. Entendemos que estamos aqui num ponto muito decisivo. Entendemos que é preciso unir esforços, foi o que nós fizemos, temos estas propostas, e agora o que vai estar do lado do governo é perceber se efetivamente querem assinar um acordo com os sindicatos médicos ou não.
Joana Bernardes Liçal, uma questão. A expressão que usou foi "ponto decisivo". Esta semana tivemos as declarações do diretor executivo do SNS a alertar que se nada mudasse, que se não houvesse um entendimento, poderíamos estar perante o pior mês dos últimos 44 anos do SNS. Em sentido quase contrário, tivemos o Ministro da Saúde numa visão um pouco mais positiva. Perguntava-lhe se perante estas declarações desta semana, a reunião de amanhã ganha um caráter quase decisivo, quase derradeiro, e se podem alterar alguma coisa, se esperam algo de novo perante aquilo que foi a última semana de declarações destes dois intervenientes.
Tendo em conta também a chantagem que está verbalizada nessas declarações, é como quase que houvesse uma chantagem a apelar à moralidade ou à ética dos médicos. Isso aumentou muito o descontentamento. Porque no fundo o que me parece que nos estão a querer pedir é para nós aceitarmos o que é inaceitável. E a medicina não é um sacerdócio. Não nos podem estar a pedir para aceitar continuar a fazer trabalho extraordinário, sem limites, porque é isso que se aplica. E o facto de que nos colocam em causa a nossa ética e deontologia. Quando os médicos têm ética e deontologia todos os dias, e é à custa dessa ética e dessa deontologia que aplicam todos os dias, e é com muito sacrifício, que ainda se mantém o Serviço Nacional de Saúde. Não parece haver esta compreensão por um lado. Pelo menos até agora não tem havido essa compreensão real, por parte, sobretudo, da equipa ministerial, onde parece que ainda não perceberam que os médicos o que querem é poder ter uma vida normal e conseguir viver à custa do seu salário base justo, digno, e não fazer mais e mais e mais. Não é possível pedir mais aos médicos. É com preocupação que nós assistimos a essas declarações do senhor doutor diretor executivo. Efetivamente, a expectativa que nós temos, apesar de tudo amanhã, é baixa, tendo em conta também o modus operandi da equipa ministerial doutor Manuel Pizarro nos últimos oito meses.
Pois, era isso mesmo que eu ia perguntar. Já me disse quais são as propostas. Se tivesse que fazer quase uma futurologia, acredita num acordo amanhã?
Acho difícil. De qualquer forma, nós temos essa disponibilidade, nós temos as propostas em cima da mesa, o acordo pode acontecer. Estamos prontos para assinar o acordo, se efetivamente o Ministério da Saúde incorporar estas nossas soluções para os médicos estarem no Serviço Nacional de Saúde.