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Sinceramente, hoje quando eu saía de Portugal à uma da tarde, toda a nossa agenda estava confirmada da missão do grupo PPE. Apesar de os sinais serem de deterioração e agravamento da situação, a verdade é que, até para não embarcar caso fosse cancelada ou adiada a visita, tive o cuidado de falar com a organização da missão e com Kiev e tudo estava confirmado. Entretanto, cheguei a Munique, onde iria fazer escala e iria passar esta noite. Aliás, vou estar agora em contacto lateral com algumas das individualidades que estão aqui na Conferência de Segurança de Munique, onde falou hoje o presidente Zelenskyi de uma forma até bastante crítica relativamente a algumas posições dos países ocidentais. E por volta das 17h00, 17h00 e pouco, portuguesas, tivemos a notícia de que as autoridades ucranianas nos pediam para adiarmos a visita por razões de agenda, ou seja, por considerarem que neste momento estas entidades, primeiro-ministro, ministro da Defesa e outras, têm de estar totalmente concentradas na crise, porque a crise atingiu um pico de tensão muito grande. E portanto, para elas seria difícil estar a acompanhar uma missão deste tipo. Depois também, ao mesmo tempo, tivemos a indicação do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão de que não recomendavam a visita por razões de segurança. Portanto, não já de agenda, mas de segurança. O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, juntamente, aliás, com o francês, hoje, como sabe, tomaram a decisão de pedir a todos os cidadãos nacionais que deixassem a Ucrânia por considerarem que o risco era muito elevado. E portanto, estiveram em conversações a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã com a nossa missão, justamente apelando a que não alçássemos por Kiev. Em todo caso, havia aqui um obstáculo prático que entretanto se verificou e que está ligado justamente a esta posição alemã, que a Lufthansa, que era a única companhia que dava garantias de voar para Kiev neste fim de semana a partir de Frankfurt e a partir de Munique, ela própria suspendeu todas as operações de e para Kiev. E portanto, mesmo que não houvesse estes motivos, esta decisão desta empresa de aviação teria a consequência provavelmente de alterar por completo a missão. E portanto, estas são as razões. Claro que a missão continua para a Lituânia. Nós depois de Kiev íamos para Vilnia, e iremos, onde temos encontro com o primeiro-ministro da Lituânia e o primeiro-ministro da Letónia, com os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa dos três países bálticos, justamente para criarmos uma avaliação da situação do ponto de vista daqueles Estados que são os mais expostos e mais vulneráveis a uma crise e a uma guerra, caso esta venha a materializar-se.

Estes encontros que ia ter na Ucrânia, que me elencou com a antiga presidente e tudo mais, esta viagem já tinha sido desaconselhada. Qual era o protesto certo destes encontros?

Repare, basicamente o objetivo era dar um sinal de apoio à integridade territorial e à autodeterminação e soberania da Ucrânia. Era também, obviamente, reforçar o apelo a que não baixassem os braços quanto às questões diplomáticas e quanto às negociações diplomáticas. Portanto, no fundo, fazer um apelo construtivo também e não deixando de sublinhar os princípios da integridade territorial e da soberania do povo ucraniano, fazer aqui uma exortação a que não se quebrassem as negociações diplomáticas de parte a parte e depois conhecer bem a situação. Sabe que nós temos, nomeadamente com o presidente Poroshenko, com a primeira-ministra Timoshenko, ambos agora na oposição, mas temos, eu até pessoalmente, uma relação de longa data e nós mantemo-nos informados há muito tempo sobre o andamento da situação. Mas não há dúvida que aqui o encontro com o primeiro-ministro e com o ministro da Defesa era crucial para dar este sinal e com o presidente do Parlamento. Porque isto também é uma missão parlamentar e, portanto, obviamente, uma parte destes encontros teria lugar no próprio Parlamento ucraniano, na chamada Rada. E portanto, esta é a situação que temos e que eu acho que nos permite tirar uma conclusão. Uma única conclusão que nos permite realmente tirar e essa conclusão é simples, é que a situação está realmente a agravar-se de dia para dia