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A jornalista de política do Observador, Mariana Lima Cunha, acompanhou essas ações da campanha esta manhã, do PS e do PSD, também do JPP. Junta-se a nós agora em direto. Boa tarde, Mariana. Que notas retiraste de uma manhã de campanha no Funchal, com algumas ações a acontecer até à saída da missa de domingo?
Boa tarde, Luís. É verdade, há aqui uma tradição de campanha eleitoral na Madeira e que este domingo aconteceu e foi replicada por vários partidos, que é encontrar as pessoas à saída da missa, logo aqui no domingo de manhã, para tentar falar com elas e fazer um pouquinho de campanha, distribuir alguns brindes. E há uma razão além da afluência que se encontra em dias de missa. Há uma razão muito concreta também para isso acontecer, que é a falta de portugueses ou de pessoas que votem em Portugal nas eleições regionais, no caso. Quando se anda na rua, mesmo aqui em março, há muito turismo, muitas excursões na Madeira e muitos estrangeiros. Portanto, os partidos tentam encontrar estes filões onde há mais portugueses e mais madeirenses que podem votar. E foi nesses locais, em igrejas diferentes, onde se concentraram hoje quer o PS, quer o JPP, quer também o Chega. Miguel Albuquerque tomou outra opção, foi para uma zona diferente, beber café a uma pastelaria, fazer um pequeno contacto com a população que lá estava e depois também passear por algumas lojas, falar com alguns lojistas. Acabou ainda a fazer algumas compras para casa. Levou umas laranjas, dizendo que já levava uns quantos elementos laranja consigo para compor o próximo governo do PSD, mas a fazer campanha de uma maneira muito diferente. Ou seja, quando nós temos PS e JPP a falar com as pessoas sobre a necessidade de votar, de ir às urnas, de tentar mudar alguma coisa na Madeira, no que dizem que pode ser um momento histórico aqui para as ilhas. O que nós vemos é Miguel Albuquerque a ter uma conversa completamente familiar com as pessoas que vai encontrando, não fala de política, tem uma conversa quase como se fosse um amigo das pessoas que encontra na rua, abstendo-se quase por completo de falar sobre a campanha, a não ser a jornalistas. Aliás, a cara dele também não está exposta nos cartazes que estão aqui na Madeira. E o PSD vai fazendo uma campanha que parece, no fundo, um pouco mais resguardada e a confiar muito no à vontade e no conhecimento que as pessoas já têm de Miguel Albuquerque no terreno. Uma campanha no tom muito diferente daquela que está a fazer a oposição.
E de resto, Mariana, este foi um dia marcado por trocas de acusações, sobretudo entre PS e PSD.
Sim, a temperatura também vai aquecendo aqui um pouco na campanha. Nós já tínhamos tido Paulo Cafôfo, obviamente a usar a questão dos casos judiciais e da condição de arguido, Miguel Albuquerque e de membros do seu executivo, para dizer que, na verdade, mesmo que o PSD ganhe e consiga formar governo desta vez, há um elefante na sala, que é como diz Cafôfo, se for levado pela justiça, a expressão que tem usado, Miguel Albuquerque pode voltar a ser um chefe do governo a prazo. Hoje chamou mesmo a Albuquerque bomba-relógio e houve algumas respostas de Albuquerque de volta, que têm também a ver com a situação interna dos partidos. Tanto o PS como o PSD têm estes líderes que não são novidade, que já levam alguns resultados, no caso do PS, derrotas, no caso do PSD, a perda da maioria absoluta, que podem mexer um pouco com os partidos internamente e com as suas oposições internas. E Miguel Albuquerque aproveitou imediatamente para dizer que a bomba-relógio é Paulo Cafôfo, que terá, citando as palavras de Miguel Albuquerque, alguns amigos que querem correr com ele dentro do próprio partido. O próprio Albuquerque, aliás, admitiu que também é o caso no PSD, que também há quem deseje vê-lo pelas costas, até porque nesse caso seria bastante mais fácil chegar a acordo com outros partidos. Portanto, foi uma manhã quente em termos de acusações de parte a parte.
E vais continuar a acompanhar tudo isso, Mariana Lima Cunha, jornalista do Observador, a acompanhar esta última semana de campanha para as regionais da Madeira, marcadas para de hoje a uma semana